Mercenários ligados ao Grupo de Apoio ao Islã e aos Muçulmanos (JNIM) atacaram uma prisão e bloquearam suprimentos para Bamaco, no Máli, na quarta-feira (6), em nova ofensiva contra o país africano. O grupo invadiu o presídio central de Quenieroba, a cerca de 60 quilômetros da capital, e incendiou caminhões com alimentos que seguiam para a cidade.
A imprensa internacional os chama de combatentes ligados à Al-Qaeda ou de “jihadistas”. O fato, porém, é que esses grupos atuam como mercenários do imperialismo contra um país rico em recursos naturais e submetido a intensa disputa internacional. Trata-se de uma operação armada para desorganizar o Estado, cortar o abastecimento da capital e abrir caminho para a pilhagem do Máli.
A prisão atacada abriga 2.500 detentos, incluindo ao menos 72 considerados de alto valor pelo Estado maliano. Entre eles, há integrantes do JNIM e pessoas presas após os grandes ataques de abril, quando mercenários do grupo e separatistas tuaregues da Frente de Libertação de Azauade atingiram bases militares e cidades. Uma ofensiva anterior assassinou o ministro da Defesa, Sadio Camara, e familiares em Cati, perto da capital.
O bloqueio de Bamaco revela o objetivo imediato da operação: criar uma crise de abastecimento. Correspondente da Al Jazeera informou que homens armados com metralhadoras, em motos, paravam o trânsito de entrada e saída, inclusive caminhões de comida. O prefeito da vila de Diafarabe, na região de Mopti, pediu ação das autoridades antes que pessoas começassem a morrer de fome, pois a localidade já estava sem alimentos.
A tentativa de apresentar a ofensiva como conflito tribal interno serve para esconder os interesses estrangeiros. O Máli possui ouro, lítio, urânio e outros recursos estratégicos. A instabilidade favorece potências e empresas interessadas em controlar minas, rotas e governos. Os mercenários atuam, na prática, como força auxiliar dessa política.





