Organizações não governamentais (ONGs) articularam, nesta quinta-feira (7), em Brasília, uma campanha para pressionar Lula a indicar uma mulher negra ao Supremo Tribunal Federal (STF). A iniciativa reapareceu após a rejeição de Jorge Messias pelo Senado e é apresentada como uma reivindicação de “igualdade”. No entanto, envolve entidades e fundos ligados ao dinheiro de fundações bilionárias norte-americanas. O movimento pretende entregar nomes ao governo, solicitar reuniões no Palácio do Planalto e recolocar a palavra de ordem de uma mulher negra no Supremo.
A campanha reúne organizações como Educafro, Mulheres Negras Decidem, Odara e Fundo Baobá. Frei David, da Educafro, anunciou a elaboração de uma carta com 20 nomes de juristas negros, sendo 10 mulheres e 10 homens, a serem apresentados ao presidente. O Mulheres Negras Decidem tenta uma reunião com a Secretaria-Geral da Presidência, enquanto o Odara afirma que retomou a ofensiva depois da rejeição de Messias. O Fundo Baobá, por sua vez, defende que o Supremo tenha uma composição correspondente à maioria da população brasileira.
A campanha não surgiu de maneira espontânea. O próprio Fundo Baobá recebeu uma doação de US$10 milhões articulada pela Fundação Ford, Open Society, Kellogg e Ibirapitanga para formar lideranças políticas negras no Brasil. A Open Society informou que sua parte direta foi de US$3 milhões ao Baobá, enquanto a Fundação Ford registrou apoio de mais de US$1,1 milhão ao fundo desde 2011.
Essas fundações são expressões típicas da chamada “filantropia” do imperialismo. Apresentam-se como defensoras dos “direitos humanos”, mas financiam formação política, campanhas e grupos de pressão para se infiltrar e controlar o Estado. O programa Marielle Franco, do Baobá, aparece inclusive como investimento em formação técnica e política de lideranças femininas negras para representar interesses patronais no Estado, em empresas e ONGs.
O Odara também aparece na base pública de doações do Instituto Ibirapitanga, com repasses para formação, articulação e intervenção política nacional e internacional de mulheres negras, justamente para atender ao programa político imperialista da organização. Essa rede mostra que a campanha pela vaga no STF é parte de uma pressão financiada pelo imperialismo, e não uma mobilização popular. A operação usa uma reivindicação identitária para abrir caminho a uma intervenção organizada sobre a cúpula do Judiciário brasileiro, além de desgastar Lula diante de sua própria base social.





