Os bolivianos protestaram contra o governo exigindo combustível de qualidade e salário, em mais de oito regiões do país, com bloqueios em estradas e marchas nas capitais departamentais ao longo desta semana. As mobilizações reuniram transportistas, trabalhadores organizados na Central Operária Boliviana, campesinos da Confederação Única de Trabalhadores Campesinos da Bolívia, professores urbanos e índios que já haviam caminhado 29 dias e mais de mil e cem quilômetros.
As ações crescem diante da escassez de diesel, da gasolina de qualidade ruim e da falta de respostas concretas do governo do presidente Paz Pereira, que não resolve os problemas que afetam diretamente a vida do povo trabalhador e das comunidades.
Os transportistas instalaram mais de 68 pontos de bloqueio em ruas, avenidas, pontes e rodovias, incluindo o trecho entre La Paz e Oruro, o caminho que liga Cochabamba a Santa Cruz e a estrada na altura da ponte Yapacaní. Eles decretaram paro indefinido no transporte interprovincial de La Paz e ameaçaram estender a paralisação para todo o país se não houver solução imediata. Os manifestantes afirmaram que não confiam mais no governo e exigem garantia de qualidade do combustível, ressarcimento econômico pelos prejuízos e melhoria nas condições das estradas, que estão em estado precário e prejudicam o abastecimento.
A Central Operária Boliviana realizou um comício em frente ao Ministério do Trabalho e exigiu a renúncia do ministro Edgar Morales, com ameaça de tomar as instalações caso as demandas não sejam atendidas. A Confederação Única de Trabalhadores Campesinos de Bolívia anunciou bloqueios nacionais a partir do dia seguinte e uma marcha de protesto em Cochabamba. O magistério urbano reiniciou suas mobilizações em La Paz, cobrando aumento salarial e mais orçamento para a educação. Os índios e campesinos, após a longa caminhada desde Cobija até a sede do governo, cobram a abrogação da lei 1720, que beneficia latifundiários e empresários em detrimento das terras comunitárias.
As exigências incluem ainda o aumento de 20 por cento nos salários dos trabalhadores e a solução definitiva para a crise de abastecimento que se arrasta e castiga o povo. Os transportistas declararam que o diálogo marcado para as oito e meia da manhã do dia seguinte não será aceito sem respostas concretas, e já avisaram que o paro indefinido está decretado nos três pontos principais. A falta de combustível de boa qualidade e a precariedade das rodovias afetam o transporte de cargas e passageiros, gerando prejuízos diários para quem vive do trabalho.
O governo enfrenta agora a união de diversos setores da classe trabalhadora e camponesa que não aceitam mais promessas vazias. Os protestos mostram o descontentamento geral com políticas que privilegiam os grandes proprietários de terra e deixam o povo sem condições básicas de vida. Os bloqueios nas principais vias do país paralisam o transporte e forçam o poder público a ouvir as vozes das ruas. A marcha dos índios por quase um mês e mais de mil quilômetros demonstra a disposição de luta para defender as terras comunitárias contra a lei que as ameaça.
Os trabalhadores organizados na Central Operária Boliviana e na Confederação de Campesinos reforçam que a luta é por direitos elementares e contra medidas que favorecem a elite econômica. O magistério e os transportistas se unem nessa batalha comum, mostrando que a força coletiva pode pressionar por mudanças. O paro indefinido ameaça se tornar nacional caso o presidente não apresente soluções reais no diálogo marcado. A crise de combustível e a falta de aumento salarial refletem o descaso com quem produz a riqueza do país e sustenta a economia com o suor do trabalho diário.
Essa onda de protestos revela o acúmulo de insatisfação que vem crescendo há meses. Os bolivianos não aceitam mais que o governo priorize interesses de latifundiários enquanto o povo sofre com falta de diésel e gasolina adulterada. As ações nas rodovias e nas capitais departamentais paralisam o país e colocam o governo contra a parede. A abrogação da lei 1720 é uma das bandeiras centrais, pois protege as terras dos camponeses e índios contra a invasão de grandes empresários. O aumento salarial de 20 por cento é uma reivindicação justa que corrige parte das perdas acumuladas pela inflação e pela carestia.
Os manifestantes seguem firmes e organizados, com bloqueios que se estendem por todo o território e marchas que mobilizam milhares. A Central Operária Boliviana e os demais sindicatos mostram que a unidade é a arma mais poderosa contra a omissão do poder. O diálogo anunciado pode ser uma tentativa de ganhar tempo, mas os trabalhadores já avisaram que não vão recuar sem conquistas concretas. A luta continua e ganha força a cada dia, com novos setores se somando ao movimento. O povo boliviano demonstra, mais uma vez, que a organização coletiva é o caminho para conquistar direitos e forçar o governo a atender as necessidades básicas da maioria trabalhadora.





