Em novembro de 1964, o aiatolá Ruholá Khomeini embarcou para o exílio. Havia sido preso após liderar os protestos contra o governo do Xá e não voltaria ao Irã por 15 anos — só retornando em fevereiro de 1979, dias antes da revolução se completar. Nesse período, do Iraque, transformou um movimento clerical de oposição em uma força política capaz de derrubar a ditadura mais protegida pelos Estados Unidos no Oriente Médio.
A Universidade Marxista realizará entre os dias 27 de junho e 5 de julho o curso A História do Irã e da República Islâmica, parte da Universidade de Férias de inverno da Aliança da Juventude Revolucionária (AJR). A trajetória de Khomeini no exílio e o desenvolvimento do movimento revolucionário são parte central do curso, ministrado por Rui Costa Pimenta, presidente nacional do Partido da Causa Operária (PCO) e pré-candidato à Presidência da República.
Instalado em Najaf, cidade sagrada do Islã xiita no Iraque, Khomeini mantinha contato permanente com o Irã por meio de uma rede de clérigos, estudantes e trabalhadores. Seus discursos e textos eram gravados em fita cassete, contrabandeados para o Irã e reproduzidos nas mesquitas de todo o país. A ditadura censurava a imprensa, controlava o rádio e a televisão, mas não conseguia fechar as mesquitas nem controlar o que circulava entre os fiéis.
Um programa cada vez mais político
Nos primeiros anos do exílio, Khomeini atacava principalmente o governo autocrático do Xá e as questões religiosas. Ao longo dos anos 1960 e 1970, suas críticas foram se tornando cada vez mais explicitamente políticas e anti-imperialistas.
O centro de seu programa tinha três eixos. O primeiro era a denúncia do governo autocrático do Xá, que culminou na condenação da celebração, em 1971, dos 2.500 anos do Império Persa, um evento faraônico financiado com dinheiro do petróleo enquanto a população vivia em condições precárias. O segundo era o ataque às relações de subserviência do regime com os EUA. O terceiro era a denúncia da dominação cultural imperialista sobre o Irã, que Khomeini caracterizava como uma política deliberada para corromper a nação e perpetuar o controle estrangeiro.
Esse programa tinha um paralelo claro com a teologia da libertação na América Latina. A diferença é que no Irã não havia uma esquerda tradicional suficientemente forte para canalizar o movimento. O resultado foi que o nacionalismo anti-imperialista apareceu em sua forma religiosa pura, e foi essa forma que conseguiu mobilizar a massa de trabalhadores que protagonizaria a revolução.
A base que o exílio não cortou
O clero xiita havia perdido suas terras e sua ligação com o Estado durante as décadas anteriores. Sua sobrevivência dependia do imposto religioso pago diretamente pelos fiéis. Isso criou uma ligação orgânica entre os clérigos e os trabalhadores que nenhuma repressão conseguia cortar — e que o exílio de Khomeini não enfraqueceu.
Do Iraque, Khomeini publicava jornais e panfletos que circulavam entre os trabalhadores urbanos. Seu principal público era a massa de camponeses que haviam se tornado operários nas cidades de Teerã, Isfahan e Tabriz. Eram pessoas que haviam chegado recentemente do campo, viviam em condições precárias e mantinham a religiosidade trazida da vida rural. A mesquita era o único espaço de organização coletiva que a ditadura não havia conseguido fechar.
A pressão sobre Khomeini no Iraque
O Xá pressionou o governo de Saddam Hussein no Iraque para expulsar Khomeini de Najaf. Em outubro de 1978, com a revolução já em curso no Irã, Khomeini foi obrigado a deixar o Iraque. Tentou entrar no Cuaite e foi recusado. Acabou indo para Neauphle-le-Château, nos arredores de Paris, onde instalou seu quartel-general para a fase final da revolução.
A mudança para a França, paradoxalmente, aumentou sua influência. Em Paris, Khomeini tinha acesso direto à imprensa internacional. Suas declarações circulavam pelo mundo. O imperialismo, que havia pressionado para tirá-lo do Iraque, havia colocado o líder da revolução iraniana no centro da atenção mundial.
O curso A História do Irã e da República Islâmica será ministrado por Rui Costa Pimenta, presidente nacional do PCO. As inscrições podem ser feitas pelo sítio unimarxista.org.br ou pelo telefone (11) 99741-0436.




