Romeu Zema, ex-governador de Minas Gerais e pré-candidato à presidência da República pelo Partido Novo, defendeu rever o Bolsa Família para cortar o benefício de quem, segundo ele, se recusar a aceitar empregos indicados pelo governo. A proposta foi acompanhada de ataques aos pobres, chamados por ele de “imprestáveis” e “marmanjões”, e mostra o programa da burguesia para o País: acabar com a assistência social e obrigar a população mais pobre a aceitar qualquer trabalho.
Hoje, o Bolsa Família atende milhões de famílias em situação de extrema pobreza, com valores que sequer permitem a compra de uma cesta básica. Não é um salário, nem substitui um emprego. É uma esmola para que a pessoa não morra de fome. Mesmo assim, Zema afirma que há pessoas deixando de trabalhar para receber o benefício.
A proposta dele é obrigar o beneficiário a aceitar empregos indicados pelo governo. Na prática, isso significa que uma pessoa poderia perder o auxílio se recusasse mais de uma oferta, independentemente das condições do trabalho, da distância ou do salário. Ou seja, o programa deixaria de ser uma política de combate à pobreza e passaria a funcionar como um mecanismo de pressão para empurrar trabalhadores para empregos insalubres.
O próprio argumento de Zema entra em contradição com a realidade. Ele diz que há muitas vagas com carteira assinada disponíveis, mas não explica por que essas vagas não são ocupadas. No Brasil, grande parte dos empregos oferecidos paga salários baixos, muitas vezes próximos ao mínimo, com jornadas longas e condições ruins. Além disso, milhões de pessoas trabalham na informalidade não por escolha, mas porque não conseguem emprego formal.
Quando Zema fala em “incentivo à informalidade”, ignora que o problema central é a falta de empregos estáveis e bem remunerados. O Bolsa Família, ao contrário, é usado para garantir que famílias consigam se alimentar enquanto procuram trabalho ou sobrevivem de renda irregular.
Zema também mencionou ampliar “oportunidades de trabalho” para adolescentes, escancarando seu verdadeiro objetivo: submeter a população brasileira a um regime de escravidão. Zema quer reverter todas as conquistas trabalhistas e impor um regime de trabalho selvagem.
O ex-governador expressa uma posição que não é individual. Ela reflete uma tendência geral da burguesia, que pode ser facilmente identificada no apoio da grande imprensa ao presidente argentino Javier Milei.
Ao mesmo tempo em que Zema apresenta um programa de escravização da classe operária, a burguesia quase de conjunto ensaia abandonar por completo o governo Lula. A rejeição da indicação de Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal (STF) unificou desde o bolsonarismo ao ministro Alexandre de Moraes.
A cada dia que se passa, fica patente a incompatibilidade entre o que querem os capitalistas e o que querem os trabalhadores, de tal modo que a esquerda só poderá ter qualquer avanço se decidir levar adiante um enfrentamento contra os seus inimigos de classe.





