Lei Felca

Mais um ‘defensor’ das crianças e da educação… menos na Palestina

Enquanto fecham os olhos para o massacre de crianças na Palestina e no Irã, os grandes jornais seguem na falsa campanha de proteção da infância e da educação

Criança palestina

A necessidade de censurar as redes tem feito aparecer uma infinidade de pessoas e artigos falando sobre a questão da pedofilia, da violência, “adultização”, e mesmo este artigo em O Globo chamado A melhor preparação para um futuro digital é uma infância analógica, de Daniel Becker, publicado neste domingo (3). A intenção de todos, supostamente, é proteger a infância e o aprendizado.

As escolas não têm melhorado, os salários dos professores não aumentam, não existem creches para que os pais deixem seus filhos e possam trabalhar; mas, enquanto isso, as leis de censura crescem rapidamente no mundo todo.

Quando a burguesia fala de futuro digital, infância analógica, de quais crianças estão falando? A maioria das crianças vive na pobreza e a piora no ensino vem décadas anteriores ao surgimento dos aparelhos celulares.

Os grandes jornais, como O Globo, não querem que os governos invistam em educação pública. Dado que a população brasileira é pobre, como as crianças vão poder ser educar? Ensino privado custa dinheiro. No capitalismo, conforme as escolas forem ranqueadas, maior serão as mensalidades e as pessoas pobres jamais conseguirão colocar seus filhos em escolas de elite.

É interessante colocarem no olho do artigo que “a gamificação do ensino é outro problema grave. A criança foca no jogo e nas recompensas, não no conteúdo”, mas isso não responde absolutamente nada.

Qual futuro?

O primeiro parágrafo do artigo diz que “é quase parte do senso comum acreditar que a criança precisa de contato com a tecnologia para se preparar para o futuro. Mas há polêmica: educadores e pais de vários países estão questionando a crença na “educação tecnológica”. Dados contundentes mostram que o uso de computadores e iPads individuais por crianças do ensino fundamental piorou — e muito — a aprendizagem.”

De qual futuro estão falando? Com a desindustrialização do Brasil, iniciada na gestão criminosa de Fernando Henrique Cardoso, o FHC, a cada dia que passa menos vagas são criadas e essa a razão de muitos jovens não sentirem necessidade de estudar.

Quantos engenheiros são formados anualmente no Brasil, e quantos conseguem colocação no mercado de trabalho?

Inúmeros engenheiros, químicos, matemáticos, etc., são absorvidos pelo mercado financeiro.

Está dito no texto que “para aprender, crianças precisam de vínculo, olhar, corpo, diálogo, pausa, repetição, frustração e superação. Dificuldade e ‘chatice’ são parte necessária da experiência: é justamente pelo esforço que o cérebro assimila e aprende. E a tecnologia, por definição, torna tudo mais fácil e rápido, sem atrito. Isso prejudica a aquisição de habilidades essenciais: atenção, memória, linguagem, paciência e autonomia”. E a primeira coisa a se perguntar é: há quanto tempo essa gente não entra em uma sala de aula?

Se o problema fosse deixar as crianças longe de dispositivos eletrônicos, bastaria a criação de cursos de horário integral com toda sorte de atividades manuais. As escolas poderiam ter oficinas, ginásios de esportes, teatro, aulas de música. Porém, tudo isso custa dinheiro, e o orçamento público está sendo vampirizado pelos juros da dívida pública. E são os bancos que controlam os juros.

O Globo é contra o governo gastar com Educação, pois defende o “teto de gastos”, uma política criminosa que garante que nenhum governo deixará de pagar o sagrado dinheirinho que escorre torrencialmente para os parasitas do sistema financeiro.

Especialistas

Como sempre, os defensores do “bem para a infância”, trazem os especialistas para conferir credibilidade ao que falam como um certo Peter Horvath, “autor do livro ‘A Ilusão Digital’, os estudos mostram que compreensão e memorização caem abruptamente quando o estudante lê o texto numa tela. E mesmo na era tecnológica, o conhecimento armazenado em nosso cérebro, e não na nuvem, é a base para a criação, raciocínio e pensamento crítico”.

Alguém vai acreditar que não se pode criar métodos eletrônicos de ensino eficientes? É possível escrever nas telas, desenhar, simular experimentos.

O autor do artigo fala da presença de tablets em 88% das escolas públicas norte-americanas, mas não diz que o sistema educacional naquele país é um fracasso há muito tempo.

De nada vale trazer à baila a Noruega e a Suécia, pois o neoliberalismo tem destruído a economia na União Europeia que, aliás, tende a piorar, uma vez que a indústria decresce e os países deverão investir cada vez mais em armas, pois planejam uma guerra contra a Rússia.

A culpa, como sempre, será outra dirão que “o principal problema é a distração. Um aparelho individual é uma máquina de delícias, um cassino. Mesmo com bloqueios e vigilância, os alunos escapam e acessam vídeos, jogos, mensagens, pornografia e inteligência artificial.” E que “nos Estados Unidos, a cada hora de estudo, um aluno passa em média 38 minutos fora da tarefa”.

O verdadeiro problema

A questão toda, deixando de lado todo o blá-blá-blá, é que os governos “democráticos”, que são ditaduras disfarçadas, precisam controlar o que as pessoas vêm nas redes. O problema não está, por exemplo, nas mentiras contadas nas redes, mas nas verdades.

Por conta das redes sociais, o mundo todo pôde assistir ao massacre de palestinos na Faixa de Gaza levada adiante pelo Estado de “Israel”. Por conta disso, aquela falsa imagem da pequena democracia cercada de ditaduras islâmicas por todos os lados caiu por terra.

Nos Estados Unidos, o país que mais apoiava o sionismo, já conta com a maioria da população contra “Israel” e a juventude apoia ninguém menos que o Hamas, o principal partido da resistência palestina, que é considerado terrorista pelo governo.

Os países “preocupados” com as infância e com a educação, estão destruindo escolas no Irã, bombardearam uma no sul do país e mataram quase 180 crianças. Os sionistas destruíram todas as universidades e escolas em Gaza. Recentemente, soldados foram filmando impedindo crianças palestinas de irem estudar.

É preciso bloquear o acesso à internet para que ninguém saiba que crianças estão sendo assassinadas por diversão por soldados sionistas. Ninguém deve saber que podem ser presas a partir de 12 anos e são julgadas por tribunais militares. Nessas horas, ninguém se preocupa se está havendo “adultização”, ou se essas crianças ficarão sem poder estudar.

É preciso esconder a verdade, e para isso é preciso criar leis que proíbam crianças de acessarem a internet, o resto é enganação.

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