Entrevista

‘É preciso delimitar o programa revolucionário’, diz Rui Pimenta

Rui Costa Pimenta afirma que pré-candidatura do PCO deve abrir debate sobre o socialismo e a organização independente da classe trabalhadora

O presidente nacional do PCO e pré-candidato à Presidência da República, Rui Costa Pimenta, afirmou que o lançamento de uma candidatura própria em 2026 dá continuidade à política adotada pelo Partido desde 2002, interrompida apenas durante a prisão de Lula e na eleição seguinte.

Em entrevista ao Diário Causa Operária, durante o ato de 1º de Maio convocado pelo PCO em São Paulo, Pimenta disse que a campanha deve servir para delimitar o programa revolucionário e socialista diante do programa do PT, que, segundo ele, se limita a reformas moderadas dentro do capitalismo.

O dirigente avaliou que há uma decepção crescente com a política do PT e uma tendência de deslocamento à esquerda em setores da população. Por isso, afirmou, o PCO pretende usar a pré-candidatura para abrir um amplo debate sobre o socialismo e sobre a necessidade de organizar a classe trabalhadora de maneira politicamente independente.

Na entrevista, Pimenta também apontou a guerra no Golfo Pérsico como o principal tema da situação política. Segundo ele, a República Islâmica do Irã tem conseguido deter o imperialismo, o que representa uma vitória para os trabalhadores e enfraquece também os seus aliados no Brasil.

O pré-candidato defendeu ainda a redução da jornada de trabalho para 35 horas semanais, com fim de semana livre. Ao comentar a reivindicação contra a escala 6×1, levantada pelo PT e por outras organizações, Pimenta afirmou que a palavra de ordem precisa ser apresentada de maneira positiva, deixando claro qual escala de trabalho deve substituir a atual.

Pimenta também criticou o identitarismo, que classificou como uma política autoritária, baseada em censura e prisão. Para ele, esse tipo de política não tem relação com a luta do movimento operário, que deve defender maiores liberdades democráticas e melhores condições de vida para os trabalhadores.

Leia a entrevista na íntegra:

Por que o PCO decidiu lançar este ano uma candidatura à Presidência? Bom, desde 2002 nós temos procurado lançar candidatos todos os anos. Nós abrimos uma exceção para a candidatura de Lula, quando ele estava preso, e no ano seguinte. Então, quer dizer, nós estamos mantendo aquilo que a gente sempre fez.

A importância de lançar o candidato à Presidência da República está em que é necessário delimitar claramente o programa revolucionário, o programa socialista, com o programa do PT, que é um programa de reformas moderadas no marco do capitalismo. Nós achamos que essa delimitação é fundamental, sentimos que há um certo desencanto com a política do PT e há um certo deslocamento à esquerda.

Então nós queremos abrir um amplo debate, colocar as posições revolucionárias, marcar bem essas posições. Somos parte da luta pela organização da classe trabalhadora politicamente independente.

Neste 1º de Maio, quais são as principais palavras de ordem que, nesse sentido, já demonstram essa delimitação em relação à política do PT? O tema fundamental nesse momento é o tema internacional. Nós temos uma guerra no Golfo Pérsico. É um fato fundamental, de grande importância para os trabalhadores do mundo inteiro. Até o momento, nós temos visto que a República Islâmica do Irã tem conseguido deter o imperialismo, o que é uma grande vitória. E essa vitória enfraquece não apenas o imperialismo como os seus prepostos aqui no Brasil. Então esse é um dos temas fundamentais.

Os outros temas são os temas de sempre, da luta dos trabalhadores que perderam muito. Nós vamos defender aqui a redução da jornada de trabalho para 35 horas com o fim de semana livre e também nós vamos fazer questão de colocar o problema do socialismo nessa data, que é uma data de luta internacional da classe trabalhadora.

Você falou em redução da jornada de trabalho. É a mesma coisa que a reivindicação contra a escala 6×1 que o PT e outras organizações vêm levantando? Nós não somos contra a reivindicação de fim da escala 6×1, só que nós achamos que a proposta deve ser definida positivamente. Que tipo de escala nós queremos, qual é a extensão da semana de trabalho e, principalmente, o problema do fim de semana livre.

O PCO também tem se destacado muito na crítica ao identitarismo. Qual é exatamente essa crítica e em que sentido você acha que o identitarismo afasta os trabalhadores? A política identitária é uma política autoritária, uma política baseada em censura, prisão. Então, nós estamos contra esse tipo de política. Nós achamos que não é a luta da classe trabalhadora colocar ninguém na cadeia. A luta dos trabalhadores é a luta por maiores liberdades democráticas para os trabalhadores e pela conquista de melhores condições de vida. Isso do ponto de vista imediato.

A luta do movimento operário e o identitarismo não têm nada em comum.

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