Editorial

Alguém pare o mimado Moraes

Para salvar o seu próprio pescoço, ministro está levando regime a uma crise política sem precedentes

A rejeição de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal (STF) abriu uma nova crise dentro do regime político. Segundo reportagens da Folha de S.Paulo e de O Globo, o ministro Alexandre de Moraes teria atuado em aliança com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, para barrar o nome indicado por Lula. O objetivo seria impedir uma mudança na correlação de forças dentro da Corte e proteger a própria posição de Moraes.

Messias foi rejeitado pelo Senado por 42 votos a 34. Eram necessários 41 votos para aprovar sua indicação. A derrota foi histórica: desde 1894 um indicado ao STF não era barrado pelo Senado.

A imprensa burguesa informou que Moraes não teria pedido votos diretamente contra Messias, mas teria feito sua posição chegar aos senadores por meio de interlocutores. Entre eles estaria o próprio Alcolumbre, com quem o ministro jantou duas vezes na semana da votação.

Um ministro do STF teria atuado para influenciar a escolha de outro ministro do STF. Isso revela o grau de controle político que a Corte passou a exercer sobre o País. O Supremo não apenas interfere no Executivo e no Legislativo. Agora, setores do próprio tribunal se movimentam para controlar quem entra na Corte.

Moraes teria se colocado contra Messias porque o indicado de Lula poderia fortalecer o grupo de André Mendonça no STF. Mendonça é relator do caso Master, que envolve o ex-banqueiro Daniel Vorcaro. O caso atinge diretamente o Supremo, em especial Moraes e Dias Toffoli, citados na imprensa por suas relações com o Banco Master.

Por isso, a rejeição de Messias não pode ser vista apenas como uma derrota de Lula. Ela também expressa uma disputa interna no STF. Moraes tenta manter sua influência no tribunal e evitar que se forme uma maioria que possa prejudicá-lo em casos sensíveis.

A aliança com Alcolumbre também mostra o caráter oportunista da operação. O presidente do Senado queria Rodrigo Pacheco na vaga e trabalhou contra Messias desde o início. Moraes, segundo os relatos publicados, teria se aproveitado dessa posição para barrar o indicado do governo.

Moraes nega ter pedido votos contra Messias. Mas o fato de essa avaliação circular dentro do próprio STF já mostra o tamanho da crise. Ministros que até então eram aliados de Moraes passaram a ver sua atuação como uma traição.

Ao tentar se proteger, Moraes expõe ainda mais a podridão do sistema político. A rejeição de Messias revelou que o STF está dividido e que o governo Lula não controla nem mesmo sua própria base para aprovar um indicado ao Supremo.

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