Presidente do PCO

Rui Costa Pimenta concede entrevista à Sputnik

Presidente do PCO explicou sua pré-candidatura, criticou privatizações, ajuste fiscal, STF e a política da esquerda diante do imperialismo

Rui Costa Pimenta, presidente nacional do Partido da Causa Operária (PCO), concedeu entrevista à Sputnik Brasil e afirmou que o Partido pretende lançar pré-candidatura própria à Presidência da República em 2026. Segundo Pimenta, o objetivo é abrir um debate sobre os problemas estratégicos do País.

“Nós sentimos a necessidade de abrir um debate importante sobre questões estratégicas da política nacional”, afirmou o dirigente.

Pimenta explicou que a pré-candidatura do PCO busca apresentar uma divergência de fundo em relação à política do PT. Segundo ele, mesmo com políticas sociais importantes, como o Bolsa Família, os governos petistas não conseguiram mudar de maneira profunda a situação do Brasil por meio das atuais instituições.

“O PT chegou ao governo em 2002. Nós estamos em 2026, são 24 anos com interrupção. E, embora o PT tenha se mantido na política de reformas sociais e uma política econômica de tipo nacionalista, ele não conseguiu, por dentro das instituições, sem mudar as instituições, alterar profundamente o que está acontecendo no país”, declarou.

O dirigente afirmou que o Partido tem consciência de que a eleição será marcada pelo voto útil contra o bolsonarismo, mas avaliou que há espaço para apresentar uma política própria.

“Eu acho que a eleição é difícil, que ela é uma eleição muito polarizada, onde o voto útil vai ter um papel significativo. Agora, eu penso também que uma parte do eleitorado do PT votaria no PCO. Não vai votar por isso, porque é o voto para derrotar o bolsonarismo. Nós temos consciência disso, mas eu acho que nós vamos influenciar uma parcela do eleitorado do PT, sem dúvida.”

Um dos principais pontos da entrevista foi a crítica à destruição da economia nacional. Pimenta comparou a situação do Brasil com a China e afirmou que o País perdeu indústria, soberania econômica e capacidade de desenvolvimento.

“Se você contrastar o Brasil com a China, o Brasil era um país bem mais desenvolvido do que a China 15 anos atrás. Enquanto a China andou para frente, o Brasil visivelmente tem andado para trás, tem perdido sua indústria”, afirmou.

Para o presidente do PCO, o Brasil está submetido ao sistema financeiro internacional, sobretudo pelo peso da dívida pública. Ele defendeu que a soberania econômica é inseparável da soberania política.

“Os países que exercem soberania têm controle sobre a sua própria economia. O Brasil foi totalmente sucateado”, disse.

Pimenta também apontou as privatizações do governo Fernando Henrique Cardoso como um marco da destruição da economia estatal. Segundo ele, essa política impediu o País de ter uma posição soberana.

“Na época do governo FHC, as privatizações liquidaram a economia estatal com grande prejuízo. Isso impede que o país tenha um posicionamento soberano”, afirmou.

O dirigente defendeu o cancelamento das privatizações das principais empresas nacionais, incluindo ativos da Petrobrás vendidos à iniciativa privada. “Nós somos favoráveis ao cancelamento da privatização das principais empresas”, declarou.

Para Pimenta, essa política exige mobilização popular. “Você teria que chamar o povo a se mobilizar contra o sistema político. Se você ficar preso às instituições e ao funcionamento atual das instituições, você fica engessado”, disse.

O presidente do PCO também criticou o ajuste fiscal e afirmou que o governo Lula está limitado pelo Congresso, pelo Banco Central e pela dívida pública. Segundo ele, o PT não conseguirá governar em favor dos trabalhadores enquanto estiver preso a essas amarras.

“O PT nunca vai ter maioria no Congresso, não tem controle sobre o Banco Central, não tem controle sobre a dívida pública. É praticamente impossível governar o País no sentido progressista”, afirmou.

Na entrevista, Pimenta defendeu uma política de segurança pública baseada na organização popular. Ele propôs a criação de uma força formada pela própria população, organizada nos bairros e eleita pelos moradores.

“Uma força popular formada pela população, organizada nos bairros, eleita pela população. Isso sim seria uma política de segurança pública para o povo”, afirmou.

O dirigente criticou a polícia convencional, afirmando que ela atua contra os pobres. “A polícia convencional não protege a população pobre, ela é um instrumento de opressão”, declarou. Segundo ele, a política de segurança pública atual é “uma política de direita”.

Na educação, Pimenta defendeu o ingresso livre e universal nas universidades públicas, sem vestibular ou outros filtros. “A nossa política é que a universidade esteja disponível para todo mundo que queira cursá-la”, afirmou.

Sobre política externa, o presidente do PCO reafirmou o apoio à luta dos países e organizações que enfrentam o imperialismo, citando Venezuela, Irã, Rússia e a resistência palestina. Segundo ele, parte da esquerda brasileira adota como critério a concepção de democracia defendida pelo imperialismo.

“Se você adotar esse ponto de vista, vai ficar contra a maioria dos países que lutam contra o imperialismo, porque nesses países não está vigente uma democracia de estilo tradicional”, afirmou.

Pimenta também criticou a influência das ONGs sobre a esquerda. “A ação das ONGs é o que tem desviado a esquerda do que seria a luta fundamental, que é a luta contra o imperialismo, democrático ou não”, disse.

Segundo o dirigente, é contraditório declarar apoio a um povo e, ao mesmo tempo, rejeitar o governo ou a força política que organiza a resistência. “A mesma coisa acontece no Irã. É meio absurdo você falar que apoia, mas não apoia quem está efetivamente lutando”, afirmou.

Pimenta também comentou os processos contra os envolvidos nos atos de 8 de janeiro de 2023. Ele afirmou que considera o processo ilegal e criticou a atuação do Supremo Tribunal Federal (STF).

“O STF pisa na Constituição e abusa da autoridade”, afirmou.

O dirigente defendeu a anulação das sentenças e disse preferir falar em cancelamento dos processos. “Pessoas comuns que, no final das contas não fizeram nada, pegaram 67 anos de cadeia”, declarou.

Para Pimenta, a esquerda errou ao substituir a disputa política pela perseguição judicial. “A esquerda cometeu o erro de abandonar a luta de ideias pela perseguição judicial. E isso está dando errado e vai piorar”, afirmou.

Sobre a regulação das redes sociais, o presidente do PCO criticou propostas que, segundo ele, atingem os usuários e preservam as grandes plataformas.

“Até agora, tudo o que eu ouvi foi a regulação dos usuários. Das empresas, não vi nada”, disse. “O que precisaria era exatamente o contrário: aumentar o poder dos usuários sobre as plataformas”.

Ao falar da esquerda brasileira, Pimenta afirmou que o PCO defende a unidade em torno de reivindicações concretas dos trabalhadores. “Nós não temos uma posição de excluir. O nosso método é unificar a esquerda e os trabalhadores em torno de uma perspectiva de luta por coisas concretas, não por coisas abstratas”, declarou.

Leia a entrevista na íntegra por meio deste link.

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