O Irã é um dos países mais antigos do mundo. Surgiu no século VI antes de Cristo como Pérsia — o nome Irã só foi adotado em 1935. Sua língua não é o árabe, mas o persa. Como a China, trata-se de uma nação milenar que o imperialismo dominou sem colonizar diretamente, razão pela qual a monarquia se manteve até a revolução.
O PCO realizará entre os dias 27 de junho e 5 de julho o curso A História do Irã e da República Islâmica, parte da Universidade de Férias de inverno da Universidade Marxista. Para entender a revolução de 1979, é preciso entender o processo que a tornou possível: a transformação radical da sociedade iraniana ao longo do século XX.
O pai do Xá Reza Pahlevi, conhecido como Reza Xá, foi o fundador da dinastia e governou de 1925 a 1941. Inspirado no nacionalismo de Mustafa Kemal Atatürque na vizinha Turquia, modernizou o país em diversas esferas, desmantelando a antiga sociedade tribal persa e colocando o Irã no caminho da industrialização.
De país tribal a país operário
A transformação demográfica foi drástica. A população tribal, que representava cerca de 25% do total no início do século XX, caiu para aproximadamente 8% na década de 1940 — resultado direto da centralização estatal promovida por Reza Xá. Nas décadas seguintes, com a integração nacional e o desenvolvimento econômico acelerado sob seu filho, esse número despencou para cerca de 1% às vésperas da Revolução Islâmica de 1979.
O período entre 1953 e 1978 aprofundou essa transformação. A população urbana saltou de 31% para 47% do total entre 1956 e 1976 — de seis para 16 milhões de pessoas. A migração do campo para as cidades foi o motor desse crescimento, responsável por mais de um terço do aumento populacional urbano na década de 1966 a 1976, com Teerã concentrando a maior parte desse fluxo.
A expansão da educação acompanhou a urbanização. O número de pessoas com ensino superior quadruplicou para 300 mil nesse período, e 150 mil estudantes estavam matriculados em universidades e escolas profissionais. Um número semelhante estudava no exterior, jovens que voltariam ao Irã com outra visão de mundo e protagonizariam o movimento estudantil que abriu o ciclo revolucionário.
O caldeirão que o imperialismo não controlou
Esse desenvolvimento não beneficiou a população. Os recém-chegados às cidades viviam em condições precárias. O petróleo enriquecia ingleses e norte-americanos. A repressão da polícia secreta SAVAK mantinha qualquer oposição na clandestinidade. O crescimento econômico real que havia ocorrido durante a ditadura era inteiramente capturado pelo imperialismo e pela camada de privilegiados ligada ao Xá.
O imperialismo havia apostado que poderia modernizar o Irã sem perder o controle. Errou o cálculo. Ao criar uma grande classe operária concentrada nas cidades, criou também a força social capaz de derrubá-lo. Quando a crise do capitalismo de 1974 chegou ao Irã e os efeitos econômicos se fizeram sentir sobre essa massa de trabalhadores recém-chegados às cidades, o caldeirão explodiu.
O curso A História do Irã e da República Islâmica será ministrado por Rui Costa Pimenta, presidente nacional do PCO. As inscrições podem ser feitas pelo site unimarxista.org.br ou pelo telefone (11) 99741-0436.




