Para entender a Revolução Iraniana de 1979, tema do curso A História do Irã e da República Islâmica, que o Partido da Causa Operária (PCO) realizará entre os dias 27 de junho e 5 de julho, é preciso antes entender o golpe que a antecedeu. Em 1953, a CIA organizou a derrubada do primeiro-ministro Mohammad Mossadeq, que havia tomado uma decisão intolerável para o imperialismo: nacionalizou o petróleo iraniano, até então controlado pelos ingleses.
O Irã é um dos países mais importantes do planeta em produção de petróleo. Suas reservas rivalizam com as da Arábia Saudita, do outro lado do Mar da Pérsia. Perder esse petróleo para um governo nacionalista era algo que ingleses e norte-americanos simplesmente não aceitariam.
Em 19 de agosto de 1953, tanques monarquistas tomaram as ruas de Teerã. Mossadeq foi derrubado e substituído por um general indicado pelo Xá. O embargo econômico contra o Irã foi imediatamente suspenso. A Anglo-Iranian Oil Company, expulsa pelo governo nacionalista, se transformou em British Petroleum e voltou a dividir a concessão iraniana com outras petroleiras imperialistas.
O golpe instalou no poder o Xá Reza Pahlevi, que governaria por 26 anos com apoio total dos EUA e da Inglaterra. O Irã se tornou um posto avançado do imperialismo no Oriente Próximo. O petróleo voltou a fluir para as metrópoles imperialistas. A população iraniana ficou com a repressão.
Menos de um ano após o golpe no Irã, o presidente Vargas seria alvo de um movimento semelhante no Brasil. Vargas se suicidou e impediu que o golpe se consumasse — a gigantesca mobilização operária após sua morte tornou o avanço impossível. Em 1964, os militares tentariam de novo e conseguiriam. O mesmo modelo, os mesmos interesses, os mesmos patrocinadores.
O petróleo e a soberania nacional
Mossadeq não era um revolucionário. Era um nacionalista burguês que havia feito algo simples: defender que a riqueza natural do Irã pertencia ao povo iraniano. Isso foi suficiente para que a CIA o derrubasse.
O episódio estabeleceu o padrão da política imperialista no pós-guerra. Qualquer governo que tentasse exercer soberania sobre seus recursos naturais seria alvo da mesma operação: desestabilização, golpe de Estado, embargo econômico, ditadura militar e entrega dos recursos ao capital estrangeiro.
O ponto de partida para entender 1979
A Revolução de 1979 não surgiu do nada. Ela foi a resposta da classe operária iraniana a 26 anos de ditadura instalada pela CIA. Para compreender por que os trabalhadores do Irã foram às ruas e derrubaram o governo mais protegido pelos EUA na região, é preciso começar aqui.
O PCO realizará o curso A História do Irã e da República Islâmica, parte da Universidade de Férias de inverno da Universidade Marxista. O curso será ministrado por Rui Costa Pimenta, presidente nacional do PCO e pré-candidato à Presidência, e ocorre entre os dias 27 de junho e 5 de julho. As inscrições podem ser feitas pelo sítio unimarxista.org.br ou pelo telefone (11) 99741-0436.




