O editorial publicado pelo Estado de S. Paulo nesta segunda-feira (27), sob o título Ser anti-Lula não basta, deixa claro que parte significativa da burguesia já descartou qualquer possibilidade real de apoiar Lula nas eleições de 2026. A questão, para o Estadão, não é se o próximo governo deve ou não atacar os trabalhadores. Isso já está decidido. A questão é encontrar uma candidatura de direita suficientemente comprometida com um programa de guerra contra o povo.
O texto do jornal é revelador. Ao comentar a pré-candidatura de Ronaldo Caiado e o quadro geral da direita, o Estadão afirma que uma verdadeira candidatura de oposição precisa ter coragem de defender um “duro ajuste fiscal”.
O editorial cobra dos candidatos de direita um programa econômico explícito: corte de gastos, redução do Estado, ataque aos programas sociais, compressão do orçamento público e submissão integral aos interesses do mercado financeiro. Isso mostra que, para a burguesia, mesmo Lula aplicando uma política de conciliação, o governo ainda não oferece a dose de brutalidade exigida pelo grande capital.
A crítica do jornal à direita é, nesse sentido, bastante instrutiva. O Estadão não está dizendo que Ronaldo Caiado, Flávio Bolsonaro ou outros nomes da oposição sejam reacionários demais. Pelo contrário. Está dizendo que ainda são pouco confiáveis do ponto de vista do programa econômico.
O editorial também expõe o fracasso do bolsonarismo diante da própria burguesia. O jornal recorda que Jair Bolsonaro (PL) chegou ao governo prometendo uma agenda liberal, privatizações e redução do Estado, mas terminou ampliando gastos e adaptando sua política ao calendário eleitoral. O Estadão cobra agora que a direita não repita esse “erro”, isto é, que não hesite diante da necessidade de atacar os trabalhadores.
Essa cobrança é uma espécie de programa mínimo da burguesia para 2026. Não basta ser contra Lula. Não basta defender repressão. Não basta atacar o PT. Para ser aceita como alternativa séria pelo grande capital, a candidatura de direita precisa se comprometer com uma política econômica dura, impopular e antinacional.





