O editorial publicado pelo Estado de S. Paulo contra um eventual “Lula 4” é uma confissão política. Sob o título “Lula 4 será Dilma ao quadrado”, o jornal não faz uma análise econômica séria. Faz uma ameaça. O recado é simples: a burguesia brasileira não aceita mais nem mesmo a política conciliadora do PT. Quer um governo inteiramente submetido ao mercado financeiro, isto é, um Milei brasileiro.
O cinismo do Estadão começa pela acusação de que Lula e o PT seriam inimigos da austeridade. O próprio Lula, em Barcelona, reconheceu exatamente o contrário: que governos de esquerda venceram eleições com discurso popular e, uma vez no poder, aplicaram austeridade em nome da governabilidade. Lula afirmou que a esquerda “sucumbiu à ortodoxia” e se tornou gerente das mazelas do neoliberalismo.
Ou seja, o Estadão sabe perfeitamente que o governo não rompeu com os banqueiros, não rompeu com o teto fiscal, não rompeu com o Banco Central “independente”, não rompeu com o pagamento da dívida pública. Mesmo assim, trata qualquer reclamação contra a austeridade como uma ameaça radical.
É esta a essência do editorial. O jornal acusa o PT de querer “turbinar o Estado”, atacar o “neoliberalismo”, ampliar crédito público, fortalecer estatais e flexibilizar regras fiscais. O texto chega a dizer que o programa petista levaria a mais dívida, impostos e juros, repetindo a velha ladainha contra qualquer gasto social.
Diante da crise, o grande capital não quer mais nem a conciliação. Não quer aumento real de salário, não quer investimento público, não quer estatais funcionando, não quer crédito subsidiado, não quer direito trabalhista, não quer aposentadoria, não quer universidade, não quer SUS. Quer o programa completo da motosserra.
O editorial também mostra que o cerco da burguesia contra o governo Lula está se fechando. A imprensa capitalista, que tolerou Lula enquanto ele servia como fator de estabilização do regime depois da crise bolsonarista, agora começa a elevar o tom.
A comparação com Dilma Rousseff tem uma função precisa. Não se trata de uma análise histórica, mas de uma chantagem. O Estadão está dizendo ao governo: ou aceita governar como representante direto do grande capital, ou será tratado como a presidente golpeada.





