Sudeste

PM protege agente que assassinou de mulher em SP

A policial militar Yasmin Ferreira foi suspensa de sua função pública por decisão judicial, em São Paulo, na quarta-feira (22)

A policial militar Yasmin Ferreira foi suspensa de sua função pública por decisão judicial, em São Paulo, na quarta-feira (22), após ter atirado e matado Thawanna Salmázio. O assassinato ocorreu no dia 3 de abril em circunstâncias que geraram grande repercussão nacional. Com a medida, a agente de segurança não poderá portar arma de fogo, manter contato com testemunhas e parentes da vítima, nem deixar a comarca sem autorização judicial prévia, além de ficar recolhida em seu domicílio das 22 horas às 5 horas. As informações foram confirmadas pela Secretaria de Segurança Pública do estado de São Paulo e também pelo Ministério Público estadual, após semanas de pressão popular e investigações sobre o caso.

Segundo a decisão do magistrado Antônio Carlos Ponte de Souza, existem provas de materialidade e suficientes indícios de autoria da conduta criminosa. O juiz afirmou que os elementos informativos até então produzidos revelam quadro que extrapola, de forma inequívoca, os limites do uso legítimo da força por agente estatal, evidenciando conduta marcada por impulsividade, descontrole emocional e absoluta desproporcionalidade. A suspensão ocorreu apenas após a divulgação de vídeos e denúncias que mostravam a gravidade dos fatos.

Na noite do dia 3 de abril, a policial Yasmin Ferreira e outro agente circulavam com a viatura pelas ruas do bairro Cidade Tiradentes, na zona leste da capital paulista. Segundo informações do companheiro da vítima, ele e Thawanna andavam na rua quando o homem se desequilibrou e bateu com o braço no retrovisor da viatura policial, que parou para averiguar a situação. Houve um princípio de confusão e os agentes policiais afirmaram que tiveram de usar força para deter o casal.

A policial Yasmin Ferreira desceu da viatura e, após discutir com Thawanna, alvejou-a com disparo de arma de fogo. Após isso, os policiais impediram que o resgate fosse chamado pelos moradores durante cerca de 40 minutos, segundo testemunhas. Após isso, a ambulância foi chamada e a vítima foi levada ao Hospital Tiradentes, mas não resistiu aos ferimentos e morreu menos de uma hora depois. A Secretaria de Segurança Pública informou que todas as circunstâncias do caso estão sendo investigadas com prioridade pelo Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa e por meio de Inquérito Policial Militar, com acompanhamento das corregedorias das instituições envolvidas.

No último dia 8 de abril, o Ministério Público de São Paulo anunciou que vai investigar a morte de Thawanna da Silva Salmázio, e a Ouvidoria da Polícia do Estado de São Paulo também pediu a apuração da morte. A demora na suspensão da policial, mesmo com a existência de vídeos e testemunhos, mostrou resistência da corporação em lidar com a exposição de seus crimes contra a população.

O assassinato foi uma execução com método semelhante ao utilizado por forças de ocupação sionistas em territórios palestinos, conforme já denunciado neste Diário. O método consiste em impedir ou retardar deliberadamente a chegada ou o chamamento de ambulâncias para que a vítima agonize até a morte ou tenha as chances de sobrevivência muito reduzidas. Nesse sentido, outros policiais militares, além de Yasmin Ferreira, também atuaram para retardar o chamado de socorro para a mulher baleada, o que agravou ainda mais as consequências do disparo e pode ter contribuído para a morte da vítima.

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