São Paulo

Reitoria da USP ignora greves e mantém calendário escolar, incluindo provas

A Pró-reitoria determinou que aulas, provas, registro de presença e prazos para lançamento de notas sigam normalmente como se não houvesse paralisação

A Pró-reitoria de Graduação da Universidade de São Paulo (USP) comunicou às direções de unidades e comissões de graduação da instituição, na semana passada, que não estão autorizadas quaisquer alterações no calendário acadêmico em decorrência da greve estudantil iniciada em 14 de abril. A Pró-reitoria determinou que aulas, provas, registro de presença e prazos para lançamento de notas sigam normalmente como se não houvesse paralisação. A decisão da reitoria representa um boicote institucional ao movimento grevista, deixando os estudantes que aderirem à paralisação sujeitos a faltas e avaliações previstas, sem nenhuma proteção acadêmica.

O comunicado da Pró-reitoria reforça a “necessidade de observância integral do calendário escolar” e afirma que não estão previstas nem autorizadas alterações no período de aulas, nem mudanças em prazos de matrícula ou frequência. Também fica vedada a substituição das aulas presenciais por ensino remoto ou por conteúdos gravados. Em outras palavras: a universidade age como se a greve não existisse, transferindo para os estudantes todo o ônus da participação no movimento.

A greve foi deflagrada por estudantes de 104 cursos da USP, segundo levantamento do Diretório Central dos Estudantes (DCE), com paralisação por tempo indeterminado iniciada em 14 de abril. O movimento reúne alunos de unidades da capital, como a Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH), a Escola Politécnica e a Escola de Comunicações e Artes (ECA), e do interior, com adesão em cursos da USP São Carlos e do campus de Ribeirão Preto, nas áreas de Química, Educação Física e Psicologia, entre outras.

As reivindicações dos estudantes incluem melhorias nas condições dos restaurantes universitários, com críticas à privatização dos bandejões, o aumento do valor do auxílio permanência para o equivalente a um salário mínimo paulista, a ampliação dos programas de permanência estudantil e a defesa de espaços estudantis dentro da universidade. Os alunos também exigiram igualdade de condições entre docentes e funcionários técnico-administrativos.

A greve dos estudantes ocorre em paralelo com uma greve dos funcionários técnico-administrativos da USP, aprovada pelo Sindicato dos Trabalhadores da USP (Sintusp), que reivindica reajuste salarial e benefícios equivalentes aos oferecidos aos professores da universidade. A greve dos servidores técnico-administrativos faz parte de um movimento nacional: os Técnico-Administrativos em Educação (TAEs) de universidades federais em todo o Brasil também estão em processo de paralisação, em uma das maiores mobilizações da categoria nos últimos anos. A resposta da reitoria da USP à greve estudantil é um sinal claro de qual lado a administração escolheu nesse conflito.

Como forma de sinalizar a adesão ao movimento, grupos de estudantes organizaram bloqueios simbólicos nas entradas das salas de aula, empilhando mesas, cadeiras e outros objetos para interditar o acesso.

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