O governo Tarcísio de Freitas (Republicanos) reduziu em 52,6% os recursos destinados ao combate a enchentes no orçamento do Estado de São Paulo para 2026 em relação ao ano anterior. O boicote ao sistema público de prevenção de enchentes foi denunciado pelo deputado estadual Luiz Cláudio Marcolino (PT/SP): Tarcísio cortou os investimentos de R$297,2 milhões empenhados em 2025 para apenas R$140,8 milhões previstos no orçamento deste ano. O corte ocorre em meio a uma sequência de enchentes que já causaram mortes e destruição em diversas cidades paulistas — e apenas dois anos após o Rio Grande do Sul ter vivido a maior catástrofe de enchentes da história do país, resultado de décadas de boicote aos investimentos em infraestrutura de contenção de enchentes.
O Rio Grande do Sul, em 2024, assistiu ao colapso de seu sistema de contenção de cheias — comportas que falharam por falta de manutenção, em um processo que se acumulou ao longo de mais de uma década de desinvestimento promovido por governos alinhados ao mesmo campo político neoliberal de Tarcísio. As imagens de Porto Alegre debaixo d’água deveriam ter servido de alerta definitivo para governadores em todo o país. Em São Paulo, o resultado foi um corte de mais da metade do orçamento para a área.
A dotação inicial no orçamento de 2025 para o programa de implantação de sistemas de drenagem e combate às enchentes havia sido de R$314,8 milhões. Para 2026, o valor caiu para R$ 140,8 milhões — inferior até mesmo ao que estava previsto no orçamento do primeiro ano da gestão Tarcísio, em 2023, quando o valor inicial foi de R$195,8 milhões, embora o empenhado naquele ano tenha sido de apenas R$22,8 milhões, o que já era por si só um escândalo. Corrigindo pela inflação medida pelo IPCA desde 2023, o orçamento para a área deveria ser, no mínimo, de R$224 milhões — e o governo optou por ficar quase R$85 milhões abaixo disso.
Em Sorocaba, cidade que sofre recorrentemente com enchentes, o prefeito Rodrigo Manga (Republicanos — o mesmo partido de Tarcísio) cortou, em 2025, R$268 milhões que seriam destinados à Defesa Civil e aos Bombeiros.




