Entrevista no Opera Mundi

Rui Costa Pimenta critica política do PT e defende apoio ao Irã

Em entrevista a Breno Altman, presidente nacional do PCO tratou do governo Lula, da guerra contra o Irã, da Hungria, da censura e das propostas do Partido

Em entrevista a Breno Altman, do canal Opera Mundi, Rui Costa Pimenta, presidente nacional do Partido da Causa Operária (PCO) e pré-candidato à presidência da República, afirmou que o governo Lula não enfrenta os problemas fundamentais do País e disse que a decisão de lançar seu nome tem como objetivo abrir uma discussão sobre esses temas. Ao longo do programa, Pimenta também abordou a guerra contra o Irã, a situação política na Hungria, a censura nas redes e as propostas do Partido para o Brasil.

Ao explicar por que o PCO decidiu lançá-lo como pré-candidato, Rui Costa Pimenta declarou que a política aplicada pelo governo petista não resolve os problemas centrais do País. Segundo ele, embora os governos do PT tenham adotado medidas positivas, a orientação geral permanece limitada.

“O Brasil está andando para trás. O método utilizado pelo governo Lula não dá resultado.”

Em seguida, Pimenta procurou situar sua crítica em termos mais amplos, dizendo que não se trata de negar integralmente o que foi feito pelos governos petistas, mas de apontar os limites de uma política que, segundo ele, não alcança a base da crise nacional.

“Não vou negar que algumas coisas que os governos do PT fizeram são boas, nunca neguei isso. Mas essa política é, na minha opinião, superficial, não penetra na raiz dos problemas brasileiros. A minha ideia é abrir esse debate, é chamar atenção para esses problemas.”

Outro eixo importante da entrevista foi a guerra contra o Irã e a política norte-americana. Pimenta afirmou que o Partido Democrata, nos Estados Unidos, representa o setor mais preparado do imperialismo para levar adiante ofensivas militares e políticas neoliberais. Na avaliação do dirigente do PCO, a oposição pública de setores do imperialismo à guerra serve, em parte, para encobrir a derrota sofrida pelos Estados Unidos e transformar esse revés em campanha contra Donald Trump.

“O Partido Democrata é o partido da guerra, é o partido da política neoliberal.”

Sobre a situação concreta do Irã, Pimenta afirmou que um eventual retorno dos democratas à condução da Casa Branca não significaria maior segurança para o país persa. Ao contrário, segundo ele, o perigo seria ainda maior porque esse setor do imperialismo prepararia a agressão de maneira mais metódica.

“Provavelmente não fariam no Irã o que Trump está fazendo, mas mais por prudência do que por falta de vontade. Se amanhã o Trump sair e eles entrarem, o Irã corre um risco. Seria mais perigoso com os Democratas, pois eles preparariam a guerra de maneira melhor.”

Ao tratar da posição do PCO diante do conflito, Rui Costa Pimenta defendeu o apoio ao regime da República Islâmica. Para ele, é esse regime que organiza a resistência ao imperialismo, e não faria sentido separar a luta do povo iraniano do governo que a conduz. Pimenta qualificou a reação iraniana como um fato extraordinário do ponto de vista político e militar.

“Esquerda deve apoiar incondicionalmente o Irã. É preciso apoiar o regime da República Islâmica […] É o regime que está lutando contra o imperialismo, não é o povo. Quem está organizando a luta e levando adiante a luta é o regime político do Irã. Falar que ele não é um aliado é um absurdo, não faz sentido nenhum […] O que o Irã fez agora é uma das coisas mais extraordinárias que eu já vi na minha vida política. É glorioso, é muito fora do comum. Estou torcendo pelo Irã.”

A entrevista também tratou da crise política na Hungria. Comentando a derrota de Viktor Orbán, Pimenta afirmou que o PCO não comemorou o resultado porque, segundo sua avaliação, o dirigente húngaro funcionava como último entrave ao aprofundamento do envio de armas da União Europeia para a Ucrânia. Para o presidente do PCO, a queda de Orbán esteve ligada à sua proximidade com a Rússia e não simplesmente ao fato de ser um político de direita.

“O PCO não comemorou a derrota de Viktor Orbán. Ele era o último obstáculo para que a União Europeia fornecesse mais armas para a Ucrânia […] Ele caiu por isso, não porque ele era direitista. A hora que ele mostrou que está muito próximo da Rússia, foi derrubado.”

Na mesma linha, Pimenta atacou Péter Magyar, apresentado por ele como representante direto dos interesses do imperialismo europeu na Hungria.

“Péter Magyar é um homem direto do imperialismo europeu, não tem nada a ver com a democracia. É uma luta pelo poder e uma luta do partido da guerra contra a Rússia.”

No terreno da política nacional, Rui Costa Pimenta voltou a defender a liberdade de expressão irrestrita e se posicionou contra projetos de censura na Internet. Ao falar sobre o chamado PL da Misoginia, afirmou que é contrário a qualquer ampliação dos poderes repressivos do Estado brasileiro, mesmo quando apresentada sob o pretexto de combater a extrema direita. Segundo ele, a esquerda perde terreno porque abandona a disputa política pela consciência popular e aposta em soluções repressivas.

“Sou contra o PL da Misoginia. Sou contra toda a censura. O molde de tudo isso é o sionismo […] Precisamos travar a luta de ideias, e não dar poderes à burguesia para reprimir a extrema direita. A esquerda está perdendo terreno para a extrema direita porque não procura disputar a consciência das massas […] Muito mais vale termos a possibilidade de falar do que proibirmos a extrema direita de falar. A esquerda acha que é dona do poder, isso é uma fantasia. Não sou favorável a dar ao Estado brasileiro poderes adicionais para censurar ninguém, para que os oprimidos não sejam ainda mais esmagados por esse Estado.”

Ainda sobre a situação brasileira, Pimenta afirmou que o 8 de janeiro não configurou um golpe de Estado e voltou a atacar os processos judiciais movidos contra os bolsonaristas. Para ele, houve punições desproporcionais e um uso arbitrário do Judiciário.

“O 8 de janeiro não foi um golpe de Estado. Não sou favorável a processos judiciais completamente ilegais, como o que aconteceu com os bolsonaristas […] É uma farsa total. Já vi movimentos sociais fazerem pior do que os bolsonaristas fizeram lá. O caso da moça do batom foi um caso exemplar. Ela foi lá, pichou uma estátua e pegou 15 anos de cadeia.”

Na parte final da entrevista, Rui Costa Pimenta enumerou propostas do PCO para o País. Entre elas, destacou o enfrentamento à dívida pública, que classificou como um mecanismo de saque do orçamento nacional pelos bancos. A partir dessa denúncia, defendeu medidas como moratória, congelamento dos juros, reversão das privatizações e recuperação dos direitos trabalhistas.

“A dívida pública é uma roubalheira sem fim. Um punhado de bancos controla o orçamento do País inteiro enquanto o povo morre de fome […] A primeira tarefa é denunciar isso, depois, medidas concretas: desvalorizar a dívida, estabelecer uma moratória dos pagamentos, congelar os juros etc.”

Ao resumir a orientação do partido, Pimenta afirmou que nenhuma dessas medidas será aplicada sem uma luta aberta contra os interesses dominantes. Por isso, concluiu defendendo a mobilização independente dos trabalhadores como condição para impor uma mudança real na situação política nacional:

“É preciso mobilizar os trabalhadores e enfrentar uma briga.”

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