O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou, na sexta-feira (17), a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua de 2025. A pesquisa revela uma tendência crescente: o número de domicílios alugados no Brasil aumentou 54,1% entre 2016 e 2025, passando de 12,2 milhões para 18,9 milhões, enquanto a proporção de domicílios próprios e quitados caiu de 66,8% para 60,2% no mesmo período. Os dados confirmam que o acesso à moradia própria torna-se cada vez mais difícil para a classe trabalhadora brasileira.
No comparativo entre 2024 e 2025, o IBGE registrou um crescimento de 2,6% no total de domicílios no País, passando de 77,3 milhões para 79,3 milhões de unidades. Contudo, esse aumento no número absoluto de moradias não se traduz em melhores condições para a maioria da população. Pelo contrário: no mesmo período, a fatia dos domicílios próprios e quitados recuou de 61,6% para 60,2%, correspondendo a 47,8 milhões de domicílios. Ou seja, enquanto o número de moradias cresceu, diminuiu a proporção dos que conseguem ter casa própria sem ônus.
O percentual de domicílios próprios ainda em pagamento apresentou leve aumento, de 6% para 6,8%, o que representa 5,4 milhões de unidades. Já a proporção dos que vivem em imóveis alugados saltou de 23% para 23,8% em apenas um ano. No recorte histórico de 10 anos, desde 2016, os domicílios alugados foram os que mais cresceram em termos relativos, com expansão de 54,1%. Por tipo de imóvel, as casas correspondem a 82,7% do total, enquanto os apartamentos somam 17,1%. No período de 2016 a 2025, o número de apartamentos cresceu 48,7%, contra 14,2% para as casas.
O analista da pesquisa, William Kratochwill, destacou que a queda nos domicílios próprios quitados acumula 6,6 pontos percentuais em 10 anos, chegando a 60,2% em 2025. Segundo ele, “quase um quarto dos domicílios brasileiros são alugados”.





