Estudantes e funcionários da Universidade de São Paulo (USP) convocaram uma paralisação geral para o dia 14 de abril de 2026. A paralisação foi decidida em assembleia dos estudantes na quarta-feira (8). O movimento ganhou força após a publicação de uma nota conjunta de 75 entidades estudantis pelo Diretório Central dos Estudantes (DCE), que contesta uma portaria da Comissão de Orçamento e Patrimônio (COP) da universidade.
A portaria proíbe o aluguel de espaços pelos centros acadêmicos e veta comércios e outras atividades organizadas pelos CAs, medida que gerou ampla insatisfação no meio estudantil. Até o momento, estudantes de oito cursos já aderiram à paralisação: Ciências Sociais, Farmácia, Geociências, Enfermagem, Psicologia, Relações Internacionais, Direito e Biologia. Mais de 40 assembleias foram convocadas para debater a participação de outros cursos no movimento.
Além da questão dos espaços dos centros acadêmicos, os estudantes reivindicam melhorias nos restaurantes universitários, após denúncias sobre falhas no fornecimento de água e até a presença de larvas na comida servida. Em nota publicada nas redes sociais, o DCE incentiva os estudantes a “paralisar a universidade e construir uma gigantesca mobilização no dia 14”.
Paralelamente, os funcionários técnicos e administrativos do campus Butantã também estão em movimento. No dia 31 de março, realizaram uma paralisação exigindo isonomia salarial, a fixação de um piso de R$1.200, o fim da compensação de horas em pontes e recessos, além do acesso ao benefício do BUSP para trabalhadores terceirizados.
O Sindicato dos Trabalhadores da USP (Sintusp) instalou faixas pelo campus indicando a paralisação, e serviços como o Bandejão Central e a prefeitura do campus foram afetados pela interrupção. Uma assembleia dos servidores foi realizada no dia 9 de abril com indicativo de greve, o que pode ampliar ainda mais a paralisação prevista para o dia 14. Há possibilidade de que os servidores entrem em greve a partir da próxima terça-feira.
A Reitoria da USP não emitiu posicionamento oficial sobre as demandas dos estudantes e funcionários até o momento.
A portaria da COP representa um ataque frontal à organização estudantil na USP. Ao proibir que os centros acadêmicos aluguem espaços e realizem atividades comerciais, a reitoria busca estrangular financeiramente as entidades estudantis e enfraquecer sua capacidade de atuação política. A medida se soma à destruição dos restaurantes universitários e às péssimas condições de trabalho dos servidores, compondo um quadro de desmonte generalizado.





