A União Brasileira dos Estudantes Secundaristas realiza entre 16 e 19 de abril o seu 46º Congresso Nacional, marcado para o Ginásio Poliesportivo Adib Moysés Dib, em São Bernardo do Campo, no ABC Paulista. A direção da entidade trabalha com a expectativa de reunir cerca de 6 mil estudantes de diferentes regiões do país para discutir os rumos da educação pública, debater a organização política da juventude nas escolas e eleger a nova direção nacional da entidade.
O encontro será realizado sob o mote “Democracia e Soberania: um Brasil do tamanho da nossa rebeldia”. A cidade escolhida se associou à reorganização do movimento operário brasileiro nas grandes greves do final dos anos 1970 e início dos anos 1980, que tiveram papel importante no desgaste da ditadura militar e na retomada da organização popular.
São Paulo também ocupa lugar central na história das lutas secundaristas. Foi no estado que se consolidaram ciclos importantes de organização nas escolas, da resistência ao regime militar às ocupações estudantis contra o fechamento de unidades e contra ataques à rede pública. A preparação do 46º congresso se apoia nesse acúmulo político e na capilaridade da organização secundarista em diversos estados, especialmente por meio dos grêmios e entidades estaduais.
Entre os principais temas anunciados para o encontro está a defesa da Lei do Grêmio Livre, que garante aos estudantes o direito de organização política nas escolas. A direção da Ubes afirma que a legislação enfrenta obstáculos na prática e que sua efetivação continua sendo uma das pautas centrais da entidade. Também entram na agenda a soberania nacional na educação, o combate à militarização das escolas, o fortalecimento da permanência estudantil e a luta contra iniciativas que atacam a organização independente da juventude.
O congresso ocorre num momento em que a direção do movimento secundarista mostrar um cenário positivo com a derrubada dos itinerários formativos do Novo Ensino Médio, a consolidação do programa Pé-de-Meia e a inclusão de verba específica para alimentação estudantil nos institutos federais na Lei Orçamentária de 2026. No entanto, a direção ignora as iniciativas repressivas dos estudantes com a proibição de celulares nas escolas e a Lei Felca, que subordina os militantes do movimento ao controle dos pais, das grandes empresas de tecnologia e do próprio Estado.





