Luta pela terra

Parlamentares de direita querem perseguir MST e FNL

Principal bloco de representação política do latifúndio no Congresso Nacional divulgou uma nota pública pedindo repressão aos sem terra

A Frente Parlamentar da Agropecuária, principal bloco de representação política do latifúndio no Congresso Nacional, divulgou uma nota pública pedindo repressão aos sem terra nesta quarta-feira (8). O documento revela, na prática, a ofensiva da direita ruralista para perseguir os movimentos de luta pela terra e reforçar a concentração fundiária no campo.

Segundo a FPA, as ocupações teriam aumentado no período do chamado Abril Vermelho, calendário tradicional de mobilização do MST. A entidade afirma que já teriam sido registradas cinco ocupações ainda antes do mês de abril e recorda dados da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil, segundo os quais houve 28 ações em 2024 em estados como Bahia, Ceará, Goiás, Paraná e São Paulo. O bloco ruralista procura apresentar essas ações como fator de instabilidade e como ameaça aos produtores, escondendo que as ocupações são em propriedades improdutivas e que são eles próprios que atacam sistematicamente essas ocupações.

A linguagem usada pela FPA reproduz a propaganda tradicional dos grandes proprietários. Ao falar em “invasões”, o grupo mostra a intenção de proibir ocupações realizadas por trabalhadores sem terra, camponeses pobres. O uso desse termo não é casual. Ele serve para deslocar o debate da estrutura agrária brasileira para uma aparência de conflito entre legalidade e ilegalidade, quando o que existe é um choque entre a propriedade concentrada da terra e a necessidade de sobrevivência de milhões de trabalhadores.

Na nota, a FPA acusa o governo federal de conivência com as ocupações e reclama do remanejamento de recursos para o Ministério do Desenvolvimento Agrário. Segundo a frente, mais de R$ 1 bilhão teriam sido deslocados de verbas antes destinadas à agropecuária. A crítica revela o verdadeiro centro de sua preocupação: impedir qualquer política, ainda que limitada, que beneficie assentamentos, regularização de áreas ocupadas ou ações ligadas à reforma agrária. Para o latifúndio, mesmo uma pequena redistribuição de recursos já é tratada como ameaça.

O presidente da FPA, deputado Pedro Lupion (PP-PR), declarou que o momento exige respostas efetivas do Judiciário e do Executivo para garantir a segurança dos produtores e evitar conflitos maiores. Essa formulação funciona como pressão aberta para que o aparato estatal seja usado em defesa dos grandes proprietários. Quando os ruralistas pedem atuação coordenada das autoridades, o que colocam em marcha é a perseguição policial e judicial aos movimentos de ocupação, o reforço das reintegrações de posse e a manutenção de uma ordem no campo fundada na expulsão do povo pobre da terra.

Trata-se de uma campanha para criminalizar o MST e outros movimentos camponeses, reativando o discurso de que a defesa da propriedade privada dos grandes donos de terra estaria acima do direito do povo de ocupar e lutar. Ao transformar ocupações em caso de polícia e exigir repressão do governo e do Judiciário, a direita parlamentar atua diretamente em nome dos latifundiários.

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