Eleições 2026

Lula precisa mais do que um ‘projeto’ para se reeleger

Deputado do PT faz propaganda do governo, diz que existe um projeto de Brasil, o problema é que trabalhador precisa de algo alem de projetos, precisa de realidade

Lula

Ano eleitoral, e temos mais um artigo de propaganda política, como o Lula tem projeto nacional de desenvolvimento sustentável soberano com justiça social. A direita, uma bolha de fake news, de José Guimarães, deputado federal e líder o Governo na Câmara dos Deputados, publicado no Brasil247 nesta segunda-feira (16).

“Os pré-candidatos da direita à Presidência da República não têm um projeto de desenvolvimento para o Brasil, mas ressentimento, negação dos valores democráticos, devido à perda gradativa de privilégios de classe na vigência do Estado Democrático de Direito”, inicia Guimarães, mas o fato é que no Brasil não está vigorando o tal Estado Democrático de Direito, pois as instituições do Estado, como o Supremo Tribunal Federal, passam por cima das leis e da Constituição.

O deputado sustenta que a direita limita-se “a repetir uma agenda anacrônica de pregação da redução do Estado, da desregulação e submissão da sociedade aos ditames das corporações empresariais nacionais e multinacionais que dispõem, aqui, dos seus gerentes de interesses externos”. Até aí, nada de novo. A questão é: o que o governo tem feito no sentido contrário? Muito pouco, a começar pela manutenção de juros elevadíssimos que desencorajam o investimento nos setores produtivos.

Com esses juros nas alturas, não adiante dizer que os setores da direita “não apresentam diretrizes para o desenvolvimento, para a industrialização, inovação tecnológica, redução das desigualdades ou para a inserção soberana do Brasil no mundo”. Isso não está sendo feito agora. No máximo, o que o PT diz é que tem um projeto, mas já tivemos três mandatos de Lula e um e meio de Dilma Rousseff. O que se tem concreto, de mudança estrutural?

Tudo o que foi feito nos dois primeiros três primeiros mandatos não resistiu às investidas do golpista Michel Temer.

O PT precisa abandonar esse discurso identitário de “herança da colonização”, é preciso tratar do que está acontecendo hoje. A classe trabalhadora não está interessada naquilo que aconteceu há séculos.

Verdeamarelismo

Outra mania da maioria da esquerda é dizer que “recentemente, essa elite construiu uma bolha de desinformação, que mobiliza setores vulneráveis da sociedade utilizando símbolos nacionais. Veste o povo de verde e amarelo enquanto, nos bastidores, negociam nossa soberania. Prometem a entrega de riquezas como terras raras e minerais críticos a bilionários estrangeiros em troca de apoio político-eleitoral, como fazia no período colonial”.

A bolha da desinformação da elite tem quase a idade do Brasil, é a grande imprensa. Quais alternativas são apresentadas? Este Diário é o único com notícias escritas todos os dias. O PCO – Partido da Causa Operária é o único partido nacional com um jornal semanal, e o mais antigo da esquerda. O que faz o PT, que é muito maior e tem muito mais recursos?

Quanto aos símbolos nacionais, existe um verdadeiro fetiche na esquerda pequeno-burguesa sobre o tema. A esquerda, tradicionalmente, utiliza o vermelho para se identificar, não deveria ficar brigando pelo verde e amarelo, que são as cores nacionais.

Não reivindicar o vermelho é uma postura pequeno-burguesa de uma esquerda acuada pela opinião crítica da burguesia.

Desenvolvimento

Segundo Guimarães, “esse vazio programático” da direita, “contrasta com a existência de um projeto estruturado de desenvolvimento sustentável com justiça social, tributária e ambiental, liderado pelo Presidente Lula, que tem o Estado como indutor do crescimento econômico e da distribuição da renda”. Se esse projeto existe, existe apenas como projeto, não como realidade e não adianta querer vender o futuro. Ou melhor, não se deve esperar que as pessoas acreditem em promessas.

Guimarães diz que “com nossa política externa ativa e altiva, depois do desastroso governo de Jair Bolsonaro, o Presidente Lula reposicionou o Brasil na geopolítica global”. E isso é passado. O que o governo Lula apresenta hoje é uma postura muito negativa. Não rompeu com o Estado genocida de “Israel”; participou da campanha de deslegitimação das eleições venezuelanas, bem como barrou a entra do país no BRICS, deixando-o vulnerável às investidas criminosas do imperialismo americano.

A conduta de Lula, dizendo que a libertação de Nicolás Maduro e sua esposa, Cília Flores, não eram importantes, mas reestabelecer a democracia na Venezuela, foi um episódio especialmente lamentável.

O deputado diz que “ao propor a redução dos gastos militares em favor de investimentos sociais, o Presidente Lula apresenta uma alternativa concreta à lógica de conflito permanente e coloca o diálogo diplomático como construtor de um mundo de paz e entendimento entre as nações”, mas quem deu ouvidos ao presidente? O mundo está se preparando para uma guerra total. A Alemanha, por exemplo, investe como nunca em gastos militares, e já está proibindo homens abaixo de 45 anos de saírem do país sem autorização.

De que adianta propagandear que “ao dialogar com Donald Trump, na crise do “Tarifaço”, o Presidente Lula reafirmou nossa soberania, resistiu a pressões e sanções a autoridades brasileiras, articuladas por Eduardo Bolsonaro junto ao governo dos Estados Unidos”, se, hoje, Lula chama Trump de amigo e andam dizendo que existe uma ‘química’ entre os dois?

José Guimarães passa o restante do seu texto trazendo índices favoráveis, mas o problema é que o povo não come índices.

Falar em redução de desemprego enquanto a maioria da população já não acredita que um dia terá um emprego CLT, ou com mais de 50 milhões de pessoas dependendo direto do Bolsa Família, é ficar falando em vão.

Não adianta o PT ficar pregando para convertidos, precisava ter apresentado algo de concreto nesses pouco mais de três anos de governo.

Uma prova de que os índices não são essa maravilha, são os resultados de pesquisas. Das outras vezes, Lula se elegeu, reelegeu; elegeu Dilma e ajudou também em sua reeleição. Desta vez, o cenário não parece tão promissor.

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