Guerra contra o Irã

Estados Unidos rendidos?

Conselho Supremo de Segurança Nacional emitiu nota anunciando trégua de duas semanas e aceitação, pelo imperialismo, de condições impostas pelo Irã

Na noite desta terça-feira (7, horário de Brasília), o Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã emitiu uma declaração oficial anunciando cessar-fogo de duas semanas entre o país persa e os Estados Unidos e “Israel”. O texto detalha as condições da trégua e afirma que o imperialismo concordou com os 10 pontos apresentados pelo governo iraniano para o fim da guerra. Segundo o órgão, as condições para o fim do conflito aceitas pelos EUA são:

  1. Os Estados Unidos devem, em princípio, comprometer-se a garantir a não agressão;
  2. Continuidade do controle do Irã sobre o Estreito de Ormuz;
  3. Aceitação do enriquecimento de urânio;
  4. Remoção de todas as sanções primárias;
  5. Remoção de todas as sanções secundárias;
  6. Encerramento de todas as resoluções do Conselho de Segurança;
  7. Encerramento de todas as resoluções do Conselho de Governadores;
  8. Pagamento de indenizações ao Irã;
  9. Retirada das forças de combate dos Estados Unidos da região;
  10. Cessação da guerra em todas as frentes, inclusive contra a heroica resistência islâmica do Líbano.

Leia a nota do Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã

Logo na abertura do comunicado, o conselho declara que a guerra terminou em derrota para os Estados Unidos e seus aliados e diz que o resultado foi imposto pela resistência militar iraniana e pela mobilização interna do país. O texto também saúda a população iraniana e pede que a unidade nacional seja mantida durante a etapa de negociação.

“O inimigo, em sua guerra desleal, ilegal e criminosa contra a nação iraniana, sofreu uma derrota inegável, histórica e esmagadora. […] o Irã alcançou uma vitória monumental e obrigou os Estados Unidos criminosos a aceitar seu plano de 10 pontos, no qual os EUA se comprometem, em termos de princípio, com: a não agressão; a continuidade do controle iraniano sobre o Estreito de Ormuz; a aceitação do enriquecimento de urânio; a suspensão de todas as sanções primárias e secundárias; o encerramento de todas as resoluções do Conselho de Segurança e do Conselho de Governadores; o pagamento de indenizações ao Irã; a retirada das forças combatentes norte-americanas da região; e a cessação da guerra em todas as frentes, incluindo contra a heroica Resistência Islâmica do Líbano.”

De acordo com o comunicado, o Irã e o Eixo da Resistência desferiram, ao longo de 40 dias, golpes que impediram o inimigo de alcançar qualquer um de seus objetivos. O conselho afirma que, cerca de 10 dias após o início da guerra, os adversários já haviam concluído que não poderiam vencer o conflito e, por isso, passaram a buscar canais de contato e a pedir um cessar-fogo. O texto diz ainda que esses pedidos foram rejeitados repetidas vezes porque a decisão iraniana era prosseguir até alcançar todos os objetivos definidos.

Em outro trecho, o órgão diz que “praticamente todos os objetivos da guerra foram alcançados” e afirma que o Irã conduziu o inimigo “a uma impotência histórica e a uma derrota permanente”. A nota acrescenta que a decisão do país é continuar o combate “pelo tempo que for necessário”, até consolidar os ganhos obtidos no campo militar e estabelecer novas equações políticas e de segurança na região.

Sobre a proposta iraniana levada às negociações, o texto acrescenta que a aprovação desses itens em resolução vinculante do Conselho de Segurança da ONU representaria, nas palavras do comunicado, “uma importante vitória diplomática para a nação iraniana”.

“Agora, o honrado primeiro-ministro do Paquistão informou ao Irã que a parte norte-americana, apesar de todas as suas ameaças aparentes, aceitou esses princípios como base para as negociações e se rendeu à vontade da nação iraniana. Com base nisso, no mais alto nível, decidiu-se que o Irã conduzirá negociações em Islamabad com a parte norte-americana durante duas semanas, exclusivamente com base nesses princípios. Enfatiza-se que isso não significa o fim da guerra.”

Segundo o comunicado, as negociações terão início nesta sexta-feira (10) e poderão ser prorrogadas mediante acordo entre as partes. O conselho afirma que o processo ocorre sob “total desconfiança” em relação aos norte-americanos e pede que, durante esse período, sejam preservadas a unidade nacional e as comemorações da vitória. O texto define as tratativas como “uma continuação do campo de batalha” e orienta a população, as elites e os grupos políticos a apoiarem o processo e evitarem declarações que provoquem divisão.

O comunicado encerra afirmando que, caso a aceitação dos princípios iranianos não se converta em resultado político concreto, a guerra continuará. A nota termina com uma advertência direta ao inimigo:

“Nossas mãos estão no gatilho e, ao menor erro cometido pelo inimigo, a resposta será dada com toda a força.”

Minutos depois, o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Aragchi, emitiu comunicado oficial detalhando mais algumas condições impostas pelo Irã para o cessar-fogo de duas semanas. Segundo o chanceler, se o país persa não for atacado, suspenderá seus ataques defensivos. Leia a nota na íntegra:

“Em nome da República Islâmica do Irã, expresso gratidão e apreço aos meus queridos irmãos, Sua Excelência o Primeiro-Ministro do Paquistão, Sharif, e Sua Excelência o Marechal de Campo Munir, por seus incansáveis esforços para encerrar a guerra na região.

Em resposta ao fraternal pedido do Primeiro-Ministro Sharif em sua publicação, e considerando o pedido dos EUA por negociações com base em sua proposta de 15 pontos, bem como o anúncio do presidente dos EUA sobre a aceitação do marco geral da proposta iraniana de 10 pontos como base para negociações, declaro, em nome do Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã:

Se os ataques contra o Irã forem interrompidos, nossas Poderosas Forças Armadas cessarão suas operações defensivas.

Por um período de duas semanas, a passagem segura pelo Estreito de Ormuz será possível mediante coordenação com as Forças Armadas do Irã e com a devida consideração das limitações técnicas.

Saied Abbas Araghchi

Ministro das Relações Exteriores

República Islâmica do Irã

As declarações das autoridades iranianas foram feitas após Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, anunciar o cessar-fogo em sua conta oficial na Truth Social. O mandatário norte-americano afirmou que os países haviam chegado a um entendimento comum, repetindo as mentiras de que os EUA atingiram todos os objetivos militares na agressão contra o Irã.

“Com base em conversações com o Primeiro-Ministro Shehbaz Sharif e o Marechal de Campo Asim Munir, do Paquistão, e nas quais eles solicitaram que eu suspendesse a força destrutiva que seria enviada esta noite ao Irã, e condicionado à concordância da República Islâmica do Irã com a ABERTURA COMPLETA, IMEDIATA e SEGURA do Estreito de Ormuz, concordo em suspender o bombardeio e o ataque ao Irã por um período de duas semanas. Este será um CESSAR-FOGO bilateral! A razão para fazê-lo é que já cumprimos e superamos todos os objetivos militares, e estamos muito avançados em um Acordo definitivo relativo à PAZ de longo prazo com o Irã, e à PAZ no Oriente Médio. Recebemos uma proposta de 10 pontos do Irã e acreditamos que é uma base viável sobre a qual negociar. Quase todos os diversos pontos de controvérsia passados foram acordados entre os Estados Unidos e o Irã, mas um período de duas semanas permitirá que o Acordo seja finalizado e consumado. Em nome dos Estados Unidos da América, como Presidente, e também representando os Países do Oriente Médio, é uma Honra ter esse problema de longa data perto de uma resolução. Obrigado pela atenção a este assunto! Presidente DONALD J. TRUMP”, disse o republicano em sua rede social própria.

O ministro das Relações Exteriores do Paquistão, país que, segundo ambos os lados, é responsável por mediar as negociações, também se pronunciou. Em sua conta oficial no X, Shehbaz Sharif celebrou o cessar-fogo e reforçou que a trégua vale também para o “Líbano e demais regiões”:

“Com a maior humildade, tenho a satisfação de anunciar que a República Islâmica do Irã e os Estados Unidos da América, juntamente com seus aliados, concordaram com um cessar-fogo imediato em todas as frentes, incluindo o Líbano e demais regiões, COM EFEITO IMEDIATO. Saúdo calorosamente o gesto sagaz e estendo a mais profunda gratidão às lideranças de ambos os países, convidando suas delegações a Islamabad na sexta-feira, 10 de abril de 2026, para negociações adicionais visando um acordo conclusivo para a resolução de todas as disputas. Ambas as partes demonstraram notável sabedoria e compreensão, mantendo-se construtivamente engajadas no avanço da causa da paz e da estabilidade. Esperamos sinceramente que as “Conversações de Islamabad” logrem alcançar uma paz sustentável e desejamos compartilhar mais boas notícias nos próximos dias!”

O Iraque, por meio de seu Ministério das Relações Exteriores, também comentou a decisão, saudando o cessar-fogo e afirmando esperar que a trégua leve à desescalada das tensões e ao fortalecimento da segurança e da estabilidade na região.

“Ao mesmo tempo em que o Ministério reafirma seu apoio aos esforços regionais e internacionais de contenção de crises e de priorização da linguagem do diálogo e da diplomacia, ressalta a necessidade de compromisso pleno com o cessar-fogo e de abstenção de qualquer escalada”, declarou.

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