O Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã anunciou, em comunicado divulgado na noite desta terça-feira (7, horário de Brasília), que o país iniciará negociações com os Estados Unidos em Islamabade, capital do Paquistão, a partir de sexta-feira (10).
Segundo o texto, as conversas durarão duas semanas e terão como base um plano iraniano de 10 pontos apresentado por intermédio do governo paquistanês. O órgão afirma ainda que as negociações não representam o encerramento da guerra e anuncia que os Estados Unidos aceitaram, “em termos de princípio”, todas as exigências apresentadas pelo Irã.
Comunicado do Conselho Supremo de Segurança Nacional
Em nome de Deus, o Clemente, o Misericordioso.
Levamos ao conhecimento da nobre, grande e heroica nação iraniana:
O inimigo, em sua guerra desleal, ilegal e criminosa contra a nação iraniana, sofreu uma derrota inegável, histórica e esmagadora. Pela bênção do sangue puro e purificado do líder mártir da Revolução Islâmica, Sua Eminência o Grande Aiatolá Imam Khamenei (que a paz de Deus esteja com ele), pelas orientações do Grande Líder da Revolução Islâmica e Comandante Supremo das Forças Armadas, Sua Eminência o Aiatolá Saied Mojtaba Khamenei (que Deus o proteja), e pelo esforço e bravura dos combatentes do Islã nas frentes de batalha — e, sobretudo, pela presença histórica, perene e épica de vós, povo querido, em cena desde os primeiros dias do início da guerra —, o Irã alcançou uma vitória monumental e obrigou os Estados Unidos criminosos a aceitar seu plano de 10 pontos, no qual os EUA se comprometem, em termos de princípio, com: a não agressão; a continuidade do controle iraniano sobre o Estreito de Ormuz; a aceitação do enriquecimento de urânio; a suspensão de todas as sanções primárias e secundárias; o encerramento de todas as resoluções do Conselho de Segurança e do Conselho de Governadores; o pagamento de indenizações ao Irã; a retirada das forças combatentes norte-americanas da região; e a cessação da guerra em todas as frentes, incluindo contra a heroica Resistência Islâmica do Líbano. Parabenizamos todo o povo iraniano por esta vitória e enfatizamos que, até que os detalhes desta vitória sejam finalizados, ainda é necessária a firmeza e a prudência dos dirigentes, bem como a preservação da unidade e da solidariedade do povo iraniano.
O Irã islâmico, ao lado dos bravos combatentes da Resistência no Líbano, no Iraque, no Iêmen e na Palestina ocupada, desferiu nos últimos 40 dias golpes contra o inimigo que a memória histórica da humanidade jamais esquecerá. O Irã e o Eixo da Resistência, como representantes da honra e da humanidade diante dos mais selvagens inimigos da espécie humana, após uma batalha histórica, deram-lhes uma lição inesquecível e destruíram suas forças, recursos, infraestruturas e todo o seu capital político, econômico, tecnológico e militar de tal forma que o inimigo agora se encontra em estado de desintegração e desespero, não vendo outro caminho senão a rendição diante da vontade da grande nação iraniana e do nobre Eixo da Resistência. No primeiro dia em que os inimigos criminosos do Irã iniciaram esta guerra injusta, imaginavam que em pouco tempo conseguiriam o domínio militar completo sobre o Irã e que, ao provocar instabilidade política e social, o submeteriam. Acreditavam que o fogo de mísseis e aeronaves não tripuladas do Irã seria rapidamente extinto e não concebiam que o Irã pudesse dar uma resposta tão poderosa para além de suas fronteiras e em toda a extensão da região. O sionismo mundial perverso havia convencido o ignorante presidente dos Estados Unidos de que esta guerra acabaria com o Irã e de que, ao eliminar este último bastião da humanidade e da civilização, poderiam doravante cometer livremente qualquer crime contra quem quisessem. Sonhavam em desmembrar o querido Irã, saquear seu petróleo e suas riquezas e, ao final, deixar os iranianos submersos e abandonados em meio ao caos, à instabilidade e à insegurança por longos anos.
Os bravos combatentes do Islã e seus corajosos aliados no Eixo da Resistência, embora seus corações estivessem feridos e dilacerados pelo martírio de seu Imam, apoiando-se em Deus Todo-Poderoso e seguindo o exemplo do senhor e mestre dos mártires, decidiram dar a esses inimigos, de uma vez por todas, uma lição histórica, vingar todos os crimes anteriores e criar condições para que o inimigo abandone para sempre qualquer ideia de agressão contra o querido Irã e prove por completo o sabor da humilhação e da derrota diante da grande nação iraniana.
Com essa estratégia e apoiados na unidade política e social sem precedentes criada no País, o Irã e a Resistência iniciaram uma das mais intensas batalhas híbridas da história contra os Estados Unidos e o regime sionista e, neste período, alcançaram todos os objetivos que haviam planejado para este combate. O Irã e a Resistência destruíram quase por completo a máquina militar norte-americana na região, desferiram golpes esmagadores e profundos contra a enorme quantidade de infraestruturas e recursos que o inimigo havia criado e posicionado ao longo de anos na região para esta guerra contra o Irã, infligiram pesadas baixas ao exército criminoso dos Estados Unidos em escala regional, dentro dos territórios ocupados desferiram golpes devastadores e esmagadores contra as forças, infraestruturas, recursos e patrimônios do inimigo, e estreitaram de tal forma o cerco ao inimigo em todas as frentes que não apenas nenhum dos objetivos principais do inimigo foi alcançado, como este percebeu, cerca de 10 dias após o início da guerra, que de forma alguma teria capacidade de vencer este conflito — razão pela qual começou, por diversos canais e de diferentes maneiras, a tentar estabelecer contato com o Irã e a solicitar um cessar-fogo. A nobre nação iraniana deve saber que, pela bênção da luta de seus filhos e de sua presença histórica em cena, o inimigo há mais de um mês implora pela cessação do fogo devastador do Irã e da Resistência, mas as autoridades do País, dado que desde o início foi decidido que a guerra continuaria até a realização dos objetivos — incluindo o arrependimento e o desespero do inimigo e a eliminação da ameaça de longo prazo ao País —, responderam negativamente a todos esses pedidos, e a guerra prosseguiu até hoje, que é o quadragésimo dia. Da mesma forma, o Irã já rejeitou por diversas vezes os ultimatos apresentados pelo presidente dos Estados Unidos e continua enfatizando que não atribui nenhuma importância a qualquer tipo de ultimato por parte do inimigo.
Agora anunciamos à grande nação iraniana que praticamente todos os objetivos da guerra foram alcançados e que seus bravos filhos conduziram o inimigo a uma impotência histórica e a uma derrota permanente. A decisão histórica do Irã, que conta com o respaldo unificado de toda a nação, é a de prosseguir com este combate pelo tempo que for necessário, até que suas grandiosas conquistas sejam consolidadas e novas equações de segurança e política na região sejam estabelecidas com base na aceitação do poder e da soberania do Irã e da Resistência.
Nesse sentido, e conforme a orientação do Grande Líder da Revolução Islâmica, Sua Eminência o Aiatolá Saied Mojtaba Khamenei (que Deus o proteja), e com a aprovação do Conselho Supremo de Segurança Nacional, e considerando a posição superior do Irã e da Resistência no campo de batalha, a incapacidade do inimigo de cumprir suas ameaças apesar de todas as suas declarações, e a aceitação formal de todas as demandas legítimas do povo iraniano, decidiu-se que as negociações serão realizadas em Islamabad para a finalização dos detalhes, de modo que, no prazo máximo de 15 dias, a vitória do Irã no campo de batalha seja consolidada também nas negociações políticas.
Nesse contexto, o Irã, rejeitando todos os planos apresentados pelo inimigo, elaborou um plano de 10 pontos e o apresentou à parte norte-americana por intermédio do Paquistão, enfatizando pontos fundamentais como: a passagem controlada pelo Estreito de Ormuz com coordenação das Forças Armadas iranianas, o que confere ao Irã uma posição econômica e geopolítica singular; a necessidade do fim da guerra contra todos os componentes do Eixo da Resistência, o que significará a derrota histórica da agressão do regime assassino de crianças de “Israel”; a retirada das forças combatentes dos Estados Unidos de todas as bases e pontos de estacionamento na região; o estabelecimento de um protocolo de trânsito seguro no Estreito de Ormuz de modo a garantir o domínio iraniano conforme o protocolo acordado; o pagamento integral das indenizações ao Irã conforme as estimativas; a suspensão de todas as sanções primárias e secundárias e de todas as resoluções do Conselho de Governadores e do Conselho de Segurança; a liberação de todos os bens e ativos iranianos bloqueados no exterior; e, finalmente, a aprovação de todos esses itens em uma resolução vinculante do Conselho de Segurança. Cabe ressaltar que a aprovação dessa resolução transformará todos esses acordos em lei internacional vinculante e representará uma importante vitória diplomática para a nação iraniana.
Agora, o honrado primeiro-ministro do Paquistão informou ao Irã que a parte norte-americana, apesar de todas as suas ameaças aparentes, aceitou esses princípios como base para as negociações e se rendeu à vontade da nação iraniana. Com base nisso, no mais alto nível, decidiu-se que o Irã conduzirá negociações em Islamabad com a parte norte-americana durante duas semanas, exclusivamente com base nesses princípios. Enfatiza-se que isso não significa o fim da guerra, e o Irã somente aceitará o encerramento da guerra quando, tendo em vista a aceitação dos princípios iranianos no plano de 10 pontos, seus detalhes forem igualmente finalizados nas negociações.
Essas negociações terão início na sexta-feira, 21 de Farvardin [10 de abril], em Islamabad, com total desconfiança em relação à parte norte-americana, e o Irã dedicará duas semanas a essas negociações. Esse prazo poderá ser prorrogado mediante acordo entre as partes. É necessário que, durante esse período, a plena unidade nacional seja preservada e que as celebrações de vitória prossigam com vigor. As negociações atuais são negociações nacionais e uma continuação do campo de batalha, e é necessário que todo o povo, as elites e os grupos políticos confiem neste processo, que está sob a supervisão do Líder da Revolução e dos mais altos escalões do sistema, e o apoiem, evitando rigorosamente qualquer declaração que semeie divisão. Se a rendição do inimigo no campo de batalha se converter em uma conquista política decisiva nas negociações, celebraremos juntos essa grandiosa vitória histórica; caso contrário, lutaremos lado a lado no campo de batalha até a realização de todas as demandas da nação iraniana.
Nossas mãos estão no gatilho e, ao menor erro cometido pelo inimigo, a resposta será dada com toda a força.
Conselho Supremo de Segurança Nacional
19 de Farvardin de 1405 [8 de abril de 2026]




