Guerra no Oriente Próximo

Jornal da ditadura quer ‘democracia’ no Irã

Folha de São Paulo, o jornal que apoiou e participou da ditadura militar, faz propaganda para a ‘democracia’ americana e os sionistas, que supostamente estariam vencendo a guerra

Sionistas feridos

A grande imprensa muito mais do que jornalismo, faz propaganda. Esse é o caso do artigo Quem está vencendo no Irã?, de Joel Pinheiro da Fonseca, publicado na Folha de S. Paulo nesta terça-feira (7).

Fonseca inicia dizendo que “Trump prometeu (…) crimes de guerra em larga escala para ‘dizimar’ o Irã, levando-o de volta à ‘idade da pedra’. Se dessa vez a ameaça será cumprida ou se será mais um caso em que Trump volta atrás, em breve saberemos. O que parece claro a essa altura é que o custo da guerra para o governo americano está mais alto do que ele projetava.” O custo, ao que tudo indica, ficou alto demais para o imperialismo, que já tira seu time de campo por temer o pior: a destruição da produção de petróleo nos países do Golfo.

Segundo Fonseca, contrariando a maioria dos analistas de guerras, “do ponto de vista militar, não há dúvida: o Irã está sendo esmagado por EUA e Israel”. O regime sionista impôs uma pesada censura para quem divulgue imagens da destruição que ocorre no país. Assim como aconteceu na Guerra dos Doze Dias, quem está falando em cessar-fogo são justamente os países que, supostamente, estariam esmagando o Irã; e, a menos que haja um ataque nuclear, os iranianos estão com uma estratégia impecável.

As bases americanas foram atacadas, seus principais radares foram aniquilados, Em “Israel”, suas bases, quartéis e radares estão todos sendo destruídos, o que tem permitido que os mísseis iranianos atinjam seus alvos sem serem incomodados.

Seguindo na propaganda, o articulista diz do Irã que “suas lideranças mais importantes morreram, sua força aérea foi obliterada, seu programa nuclear jaz sob escombros, sua capacidade de lançar mísseis é reduzida a cada dia. Os EUA conseguem resgatar um soldado em território iraniano sem perder uma única vida. A situação está tão crítica que o regime passou a recrutar crianças de 12 anos para funções militares”.

“Obliteradas”, é assim que Trump adora falar. A força aérea iraniana não está sendo muito requisitada, nem é o forte do país, uma vez que opera principalmente com drones. O programa nuclear não jaz sob escombros, está muito bem escondido em cidades subterrâneas. E isso já foi reconhecido pelos EUA.

A capacidade do Irã não está reduzindo a cada dia, os alvos é que têm diminuído. Já não há necessidade de disparar um grande número de artefatos, pois a capacidade defensiva israelense praticamente inexiste. Recentemente, militares americanos reconheceram que os túneis que atacam são em poucas horas consertados e votam a operar.

Os EUA recuperaram um soldado sem perderem uma única vida, será mesmo? Quanto ao recrutamento de garotos de 12 anos, o governo iraniano diz que existe uma alta demanda de voluntários, não é compulsório e eles atuariam no suporte à segurança interna e na vigilância contra ameaças externas e dissidentes. Por outro lado, é prática do imperialismo e de “Israel” assassinar crianças, menores de 12 anos, inclusive.

Quanto ao assassinato de lideranças, também nesse ponto a estratégia de defesa iraniana é impecável, pois consegue atuar e substituir as linhas de comando

Crimes de guerra

Como Fonseca confessa, “os milhares de mísseis lançados pelo Irã em Israel e Estados do Golfo desde que a guerra começou mataram poucas dezenas de pessoas, nenhuma com importância estratégica”. O Irã busca atingir principalmente bases e instalações militares, tenta não atingir civis, o contrário do que fazem os agressores “civilizados”.

Fonseca foi bastante modesto ao dizer que os iranianos “conseguiram causar algum dano na infraestrutura econômica de alguns vizinhos, unindo esses países ainda mais aos EUA”. Esses “algum dano” foram simples avisos do que pode acontecer, caso continuem escalando a guerra.

O que interessa

Finalmente, Pinheiro da Fonseca diz que “o que os EUA não têm conseguido fazer, no entanto, é impedir que o Irã bloqueie o Estreito de Hormuz, por onde passa 20% do petróleo mundial. Mesmo severamente debilitado, ele consegue mandar drones ou lanchas com minas aquáticas —ambos baratos— e com isso cria uma ameaça que tem sido o suficiente para deter os navios que transportariam petróleo e gás. Com isso, o preço do petróleo já subiu 50% em um ano”. Ou seja, o que é mais importante, fazer o petróleo fluir, tem sido impossível para os americanos que, desesperados, ameaçam com guerra atômica.

Apesar do Ato Patriota, Fonseca avalia que “os EUA ainda são uma democracia”. Uma democracia que financia ditaduras e golpes militares pelo mundo? Não deixa de ser interessante. O autor diz ainda que “enquanto o Irã conseguir manter o bloqueio, por mais estropiado que esteja, consegue manter Trump em xeque”. O linguajar e Fonseca é o de um torcedor.

Analistas sérios de guerras dizem que é possível perder todas as batalhas e ainda assim se vencer uma guerra, como vimos no “estropiado” Vietnã, e no “estropiado” Afeganistão, que colocaram os americanos e a OTAN para correr.

A velha falácia

Como não poderia faltar, o Fonseca joga a carta da democracia, diz que “um Irã democrático, sem os aiatolás no poder, seria melhor para seu povo e para o mundo. Um Irã dizimado, em crise humanitária, com incontáveis mortos e colapso do Estado é apenas um crime”. Se é assim, por que destituíram Mossadegh do poder se foi eleito democraticamente? Por que nacionalizou o petróleo? E por que tentam restituir o xá do Irã e constituírem uma nova monarquia petroleira na região?

A Folha de S. Paulo e seus articulistas nunca pedem democracia na Arábia Saudita, Emirados Árabes, Bahrein, Catar, mas se incomodam com o Irã. Isso é muito “curioso”.

Segundo Fonseca, “a intervenção militar em outros países é sempre criticável, pois envolve a morte de pessoas, a destruição de infraestrutura e o desrespeito à soberania nacional. No entanto, quando resulta em melhora futura no respeito aos direitos humanos e numa forma de regime mais democrático, ela pode se justificar”.

Esses articulistas são como aqueles comediantes que contam sempre a mesma piada. Fonseca poderia começar dando exemplo de quando os EUA levaram “democracia” para outros países e isso resultou em melhorias.

Os EUA e seus defensores de aluguel não ligam para direitos humanos, pois esse país impõe bloqueios econômicos pesadíssimos contra países como Cuba, Irã, Síria, Afeganistão, o que resulta em mortes por fome, por falta de saneamento básico, falta de remédios. Acabaram de bombardear universidades, hospitais, laboratórios farmacêuticos, o Instituto Pasteur e agora se fala direitos humanos. Direitos que nunca seriam questionados se no Irã estivesse no governo uma ditadura sanguinária como o de Reza Pahlavi. É muito cinismo, mas não se pode esperar nada diferente da grande imprensa.

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