São Paulo

PM atinge homem com retrovisor e assassina sua esposa por ter reclamado

Policiais deixam mulher agonizando e bloqueiam a ajuda médica

A morte de Thawanna da Silva Salmázio, ocorrida na madrugada da última sexta-feira (3), na Cidade Tiradentes, zona leste de São Paulo, provocou revolta imediata entre os moradores da região e desencadeou uma série de protestos que evoluíram para confrontos com a Polícia Militar. O caso, que está sendo investigado pelas polícias Civil e Militar, expõe mais um episódio de violência policial contra a população trabalhadora das periferias.

Segundo relatos de familiares e registros obtidos por câmeras de segurança, Thawanna caminhava ao lado do marido, Luciano Gonçalves dos Santos, quando uma viatura da PM passou em alta velocidade e teria atingido o homem com o retrovisor. A partir disso, iniciou-se uma discussão entre o casal e os agentes. A policial militar Yasmin Cursino Ferreira afirma que decidiu retornar ao local ao perceber o casal discutindo na rua.

De acordo com o depoimento do marido, após a abordagem, houve uma escalada da tensão que culminou em um disparo de arma de fogo contra Thawanna. Ele relata que, inicialmente, pensou se tratar de munição não letal, mas logo percebeu a gravidade da situação ao ouvir a esposa gritando por socorro. Testemunhas afirmam que a mulher permaneceu ferida no chão por cerca de 40 minutos, sem atendimento médico imediato, enquanto policiais impediam a aproximação de moradores e impediam que o resgate fosse chamado.

Imagens divulgadas mostram a vítima caída, enquanto um policial mantém arma apontada em sua direção. Familiares também denunciaram o uso de spray de pimenta contra Luciano e outras pessoas que estavam no local. Thawanna foi posteriormente levada ao Hospital Santa Marcelina, mas não resistiu aos ferimentos. Ela deixa cinco filhos.

A morte provocou forte reação popular. Ainda na sexta-feira (3), moradores organizaram protestos, atearam fogo em barricadas e bloquearam vias da região. Um ônibus foi interceptado e houve tentativa de incendiá-lo. A resposta da PM foi o envio de um grande contingente policial, com dezenas de viaturas e agentes do BAEP e do Batalhão de Choque, que utilizaram balas de borracha e gás lacrimogêneo para dispersar a manifestação. Confira vídeos da reação popular:

O caso revela um procedimento que tem sido denunciado em diversas ocasiões: o de ferir a vítima e impedir ou retardar deliberadamente o socorro médico, deixando-a agonizar. Esse tipo de atuação é amplamente associado a práticas adotadas por forças de repressão de “Israel” contra a população palestina. Vídeos e relatos vindos da Faixa de Gaza e da Cisjordânia mostram situações em que civis baleados são mantidos sob mira de armas, enquanto o atendimento médico é bloqueado, resultando frequentemente na morte por ausência de socorro. Veja o método sendo aplicado por sionistas na Palestina:

A reprodução desse método pelas forças policiais brasileiras não ocorre de forma isolada. Há uma longa lista de iniciativas de cooperação e treinamento entre policiais brasileiros e agentes de “Israel”. Em 2010, conforme noticiado pelo Correio Braziliense, policiais brasileiros participaram de cursos em “Israel” voltados à chamada “segurança comunitária”. Já a Folha de Londrina relatou a ida de policiais do Paraná para treinamentos semelhantes.

Reportagens mais recentes apontam a continuidade desse intercâmbio. O portal Outras Palavras destacou a difusão de equipamentos e técnicas “israelenses” em operações policiais no Brasil. O G1 noticiou treinamentos de policiais militares em Santa Catarina com instrutores “israelenses”, incluindo técnicas de autodefesa e controle de confrontos. Outro caso semelhante foi registrado no Amazonas, onde cursos voltados à atuação policial também foram ministrados com base em métodos desenvolvidos em “Israel”.

Esse histórico evidencia que a atuação da polícia brasileira não pode ser compreendida apenas como resultado de políticas locais, mas está inserida em um processo mais amplo de importação de doutrinas repressivas. Essas doutrinas, desenvolvidas em contextos de ocupação militar, passam a ser aplicadas contra a própria população civil.

A morte de Thawanna e a forma como ocorreu — com o disparo seguido de bloqueio de socorro — se encaixam nesse padrão. A prática de neutralizar a vítima e impedir assistência imediata configura um método de execução que vai além do uso da força e aponta para uma política deliberada de tortura até a morte e intimidação de todos os moradores.

A reação dos moradores da Cidade Tiradentes demonstra que esse tipo de ação não passa despercebido. A mobilização espontânea, com bloqueios de ruas e enfrentamentos, expressa o nível de indignação diante da violência policial recorrente. O envio massivo de tropas e o uso de armamento não letal contra os manifestantes reforçam o caráter repressivo da ação estatal.

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