O preço dos aluguéis voltou a subir em 2026, impulsionado por reajustes contratuais baseados em índices de inflação como IPCA, INPC e IGP-M com projeção de alta em abril. Apesar de alguns indicadores apresentarem variação menor ou até deflação, como no caso do IGP-M, a tendência geral segue sendo de aumento no valor pago pelos inquilinos.
Nos contratos indexados ao IPCA, o reajuste acumulado em 12 meses está entre 4,10% e 4,44%. Já os contratos atrelados ao INPC registram aumento em torno de 4,30%. Mesmo quando o índice apresenta queda, como ocorreu com o IGP-M, muitos contratos estabelecem cláusulas que impedem a redução do valor, mantendo o aluguel estável ou com reajuste mínimo.
Além dos índices inflacionários, outros fatores passaram a influenciar o custo dos aluguéis. A introdução de uma alíquota experimental de 1% no contexto da reforma tributária pode ser repassada ao inquilino. Também se tornaram mais comuns cláusulas abusivas que exigem pagamento antecipado e renúncia a indenizações por benfeitorias, o que amplia o custo indireto da moradia.
O reajuste passou a depender diretamente do que foi estipulado em contrato, o que cria cenários distintos entre os locatários. A ausência de um padrão único de correção reforça a imprevisibilidade dos aumentos, dificultando o planejamento financeiro das famílias.
Dados de 2025 já indicavam que os aluguéis vinham subindo acima da inflação em grande parte do país. Em 2026, essa dinâmica se mantém, com reajustes frequentes e pressão crescente sobre o orçamento dos trabalhadores.
A elevação dos preços está diretamente ligada ao funcionamento do mercado imobiliário, marcado pela retenção de imóveis desocupados e pela limitação artificial da oferta. Essa prática, comum entre proprietários e grandes grupos do setor, cria uma escassez artificial que mantém os valores elevados. Ao restringir a oferta efetiva de moradias disponíveis, o mercado preserva o preço dos aluguéis e o valor dos imóveis, garantindo a rentabilidade dos proprietários e a valorização de seus ativos. Nesse cenário, o aumento dos aluguéis não resulta apenas de fatores econômicos gerais, mas de uma política deliberada de especulação imobiliária, que sustenta os preços em patamares elevados às custas do acesso da população à moradia.





