A letalidade da Polícia Militar de São Paulo voltou a crescer nos primeiros dois meses de 2026, segundo dados divulgados nesta quarta-feira (1º). De acordo com relatório do Ministério Público do Estado de São Paulo, foram registrados 103 assassinatos decorrentes de intervenção policial militar em serviço no primeiro bimestre deste ano, contra 76 no mesmo período de 2025. O aumento foi de 35,5%, consolidando uma tendência de alta que já vinha sendo observada desde o início do governo Tarcísio de Freitas (Republicanos).
Os dados são reunidos pelo Grupo de Atuação Especial da Segurança Pública e Controle Externo da Atividade Policial, o Gaesp, do MPSP. O sistema acompanha as chamadas mortes decorrentes de intervenção policial, com base em informações repassadas diretamente pelas polícias Civil e Militar ao Ministério Público, conforme exigem a legislação e resoluções da Secretaria de Segurança Pública paulista.
Entre 2019 e 2022, as mortes causadas por PMs em serviço caíram de 720 para 262, numa redução de 63,6%. Esse movimento foi interrompido em 2023, primeiro ano do atual governo estadual, quando o total subiu para 357 mortos. Em 2024, houve um salto ainda mais acentuado, com 653 registros, alta de 83% em relação ao ano anterior. Em 2025, o número voltou a crescer e chegou a 703 vítimas.
O advogado Ariel de Castro Alves, presidente de honra do Grupo Tortura Nunca Mais de São Paulo e integrante da Comissão de Direitos Humanos da OAB paulista, afirmou que o levantamento reforça a percepção de uma escalada da violência policial durante a atual gestão. Segundo ele, houve retrocesso no controle da letalidade e frustração dos avanços obtidos nos anos anteriores.





