No dia 30 de março de 2026, o portal Brasil 247 publicou o artigo Tarcísio, animais precisam de proteção, do deputado estadual Maurici de Morais (PT). No texto, ele lamenta o veto do governador a um projeto de sua autoria que pretendia multar agressores de animais e obrigá-los a pagar tratamentos veterinários. O texto é um compêndio do sentimentalismo pequeno-burguês que domina setores do petismo, trocando a análise da exploração humana por uma cruzada moral em defesa dos bichos.
O deputado Morais apresenta seu projeto como um “avanço civilizatório necessário”. Entretanto, em um estado como São Paulo, onde o governo Tarcísio de Freitas avança como um trator sobre os direitos básicos da classe trabalhadora, comemorar a punição financeira de quem maltrata animais é, no mínimo, uma desconexão com a realidade das massas.
“Ao barrar uma proposta que obrigava agressores de animais a custear o tratamento veterinário de suas vítimas, o governo do Estado de São Paulo opta por aliviar quem comete violência…”
O que o deputado ignora é que a violência na sociedade capitalista é um subproduto da própria miséria e da brutalidade das relações de produção. Acreditar que multas e “ações educativas” para agressores vão humanizar a sociedade é uma ilusão. O projeto de Morais atende aos anseios de uma classe média que, encastelada em seus condomínios, se choca mais com a morte de um cão comunitário do que com o massacre da juventude negra pela polícia de Tarcísio.
O discurso do parlamentar busca elevar os animais ao status de sujeitos políticos:
“Animais são seres sencientes. Sentem dor, medo, angústia… Negar isso é rejeitar evidências e legitimar práticas que deveriam ser combatidas com rigor.”
A política de “direitos dos animais” tem servido historicamente como uma válvula de escape para uma esquerda que desistiu de lutar pelos direitos dos homens e que se adapta facilmente ao programa repressivo da extrema direita. O trecho final do texto revela a profunda limitação da estratégia da oposição petista na Assembleia Legislativa (ALESP):
“Vetar esse projeto pegou mal para a imagem do governador. Ativistas, artistas e ONGs têm se manifestado nas redes contra uma decisão que vai na contramão do que se espera.”
Para Maurici de Morais, a política se resume a “pegar mal” ou “pegar bem”. Enquanto Tarcísio entrega o patrimônio público de São Paulo aos grandes grupos financeiros, o deputado comemora a “mobilização orgânica” de artistas no Instagram.





