No dia 28 de março de 2026, o portal Poder360 publicou o artigo O que escondem os ataques a Erika Hilton?, assinado por Jaqueline Gomes. No texto, a autora sai em defesa da indicação da deputada do PSOL para a presidência da Comissão de Direitos das Mulheres da Câmara, alegando que as críticas à parlamentar seriam fruto de uma estratégia de “desvio de foco” e “malícia” política. Gomes utiliza o habitual arsenal identitário para tentar desqualificar quem aponta a incompatibilidade biológica e política de Hilton com o cargo, tratando a realidade material do sexo como um “conceito popular” e ignorando a ampla rejeição popular à indicação da deputada.
Para tentar dar uma fachada de “radicalismo” a uma deputada financiada por organizações não governamentais (ONGs) imperialistas, Gomes afirma que:
“Erika Hilton é autora de projetos que abalam estruturas caras ao capital. O projeto de lei que propõe o fim da escala 6 X 1, por exemplo.”
O argumento é de um cinismo gritante. A proposta do fim da escala 6×1, no formato em que é apresentada por Hilton, é um movimento puramente artificial e perigoso para os trabalhadores, que pode levar a uma piora significativa no salário e na escala de trabalho. Neste sentido, não causa nenhuma crise com a burguesia.
É um “projeto” que serve apenas como escudo moral: sempre que a deputada é criticada, seus defensores sacam o fim da escala 6×1 para fingir que ela estaria combatendo o grande capital. Na verdade, é uma manobra para esconder que sua atuação política está a serviço de uma minoria que quer se impor sobre a maioria.
O ponto central do obscurantismo de Jaqueline Gomes aparece quando ela tenta transformar a biologia em uma espécie de “opinião”:
“Há um esforço deliberado de reduzir a categoria ‘gênero’ a um conceito popular de ‘sexo biológico’ que reduz experiência humana, subjetividade e identidade a órgãos genitais e reprodução…”
Chamar o sexo biológico de “conceito popular” é uma tentativa desesperada de negar a realidade material. A opressão da mulher não é fruto de uma “subjetividade” ou de como alguém “se reconhece”, mas de uma realidade física ligada à reprodução que é a base da opressão histórica das mulheres. Ao afirmar que homem é mulher, o identitarismo promovido por Hilton e Gomes liquida os direitos das mulheres. Se o sexo não importa, os espaços segregados, as políticas de saúde específicas e as conquistas históricas das mulheres deixam de ter sentido. É uma política que destrói as categorias de luta da classe trabalhadora em favor de abstrações acadêmicas.
Gomes tenta pintar as críticas à deputada como fruto de um “apelo malicioso à autenticidade identitária”, afirmando que:
“A distorção do conceito de lugar de fala, neste contexto, tenta silenciar Erika Hilton… quando se argumenta que a deputada, por ser uma mulher trans, não estaria legitimada a falar em nome dos direitos das mulheres.”
A autora inverte a realidade. Quem tenta silenciar a população é a pequena burguesia identitária. As pesquisas mostram que a vasta maioria da população brasileira foi contrária à indicação de Hilton para a Comissão das Mulheres. O povo brasileiro não é “ignorante”, ele apenas reconhece o óbvio: uma comissão de mulheres deve ser presidida por mulheres. O que Gomes chama de “estratégia de deslegitimação” é, na verdade, a reação democrática da maioria contra a truculência de uma minoria que quer utilizar o aparato do Estado para impor dogmas que ninguém aceita.
O artigo de Jaqueline Gomes é uma peça de propaganda que ignora as urgências do povo para defender uma política que divide os trabalhadores. A esquerda que abandona a biologia e a luta de classes para viver de “subjetividades” está condenada ao isolamento e à derrota diante da realidade.





