A Polícia Militar do Estado de São Paulo (PMESP) reprimiu, na madrugada desta quinta-feira (26), a ocupação da sede da Secretaria da Educação do Estado de São Paulo (Seduc), na Praça da República, realizada por estudantes secundaristas que exigiam abertura de diálogo com o governo Tarcísio de Freitas. Organizado pela União Paulista dos Estudantes Secundaristas (UPES), com apoio de outras entidades do movimento estudantil, o ato cobrava recomposição do orçamento da educação, melhorias na infraestrutura das escolas, o fim da militarização do ensino e o encerramento da chamada plataformização da rede estadual.
Segundo os relatos dos estudantes, a resposta do governo veio por meio da tropa policial. Vídeos divulgados pelas entidades mostram policiais forçando a entrada no local onde os jovens estavam e lançando spray de pimenta por baixo da porta, configurando tortura. A ação aconteceu durante a retirada dos manifestantes, já na madrugada, depois de horas de ocupação do prédio público. De acordo com os relatos, houve ainda agressões com cassetetes, rendição dos estudantes no chão e condução de parte deles ao 2º Distrito Policial, no Bom Retiro.
A ocupação havia começado na quarta-feira (25). Os estudantes afirmavam que queriam ser recebidos pelo secretário de Educação, Renato Feder, e denunciaram a falta de resposta do governo estadual aos principais temas da rede pública. Entre eles, estavam a redução dos investimentos na educação, a política de escolas cívico-militares, o avanço de mecanismos digitais impostos às escolas e a defesa da reorganização escolar de acordo com a realidade das comunidades.
A versão oficial do governo tenta reduzir o episódio a uma simples “invasão” de prédio público. Em nota, a Polícia Militar afirmou ter sido acionada para atender a ocorrência, disse que havia 21 pessoas no local, entre adultos e menores, e declarou que a retirada ocorreu após tentativas de negociação. A corporação afirmou ainda que todos foram levados ao 2º DP, onde prestaram depoimento e foram liberados, sustentando que ninguém ficou ferido.
Já a defesa dos estudantes sustenta que a operação foi marcada por arbitrariedade. Advogados que acompanharam a ocorrência afirmam que os jovens denunciaram falta de acesso a água, comida e banheiro durante a ação, além de agressões e danos causados pelos próprios policiais ao local. Há ainda a denúncia de que os agentes envolvidos atuaram sem câmeras corporais ativas ou visíveis, o que dificulta a identificação individual dos responsáveis pela repressão.




