Irã

‘Esquerda’ não entende o caráter revolucionário da República Islâmica

Partido Comunista Alemão tenta criticar quem comemora a morte de Khamenei, mas eles mesmos são a favor de mudanças no governo do Irã

Ali Khamenei

O sítio Em Defesa do Comunismo publicou no dia 19 um texto intitulado KP: O assassinato de Khamenei.  KP é o Partido Comunista da Alemanha.

A abertura do artigo diz que “Real mudança nas condições políticas do Irã só pode ser feita pelo próprio povo. As forças que se tornam cúmplices da guerra imperialista e não corrigem seus erros são cúmplices pelo massacre iniciado por Israel e EUA”.

Apesar de criticar outros grupos, existe aí uma confluência de ideias. Tanto o KP quanto os outros querem “mudanças” no Irã. E essa é exatamente a palavra de ordem do imperialismo, que diz querer promover uma “troca de regime”.

A guerra é apenas a culminação de um processo anterior: décadas de bloqueios econômicos, uma guerra por procuração, e mais outras décadas de ameaças.

Tudo começou com as “reais mudanças”, com a Revolução Iraniana, que expulsou o xá, Reza Pahlavi, um fantoche do imperialismo que sangrava as riquezas do país, que vivia uma vida extremamente luxuosa, enquanto a população vivia na mais completa miséria.

O povo iraniano estava fazendo as mudanças, que só avançaram mais por conta dos embargos. Uma esquerda que não entende isso é refém ideológica da burguesia.

Crime contra a humanidade

No primeiro parágrafo está escrito que “em 28 de fevereiro, o Líder Supremo do Irã, chefe religioso e político do país, Ali Khamenei, foi assassinado junto com sua filha, seu genro e sua neta por um ataque aéreo no contexto do ataque israelense-americano. Em 2 de março, também morreu a esposa do aiatolá Khamenei em consequência dos ferimentos. O Estado alemão contribuiu e continua contribuindo para tornar possível o atentado e os ataques adicionais contra o Irã, ao permitir que os EUA bombardeiem o país a partir de suas bases militares na Alemanha.”

Não basta dizer isso. Foi um crime de guerra, Khamenei não era um combatente. Além disso, uma guerra de agressão, sem provocação, é crime contra a humanidade. É preciso dizer também que a Alemanha, uma “democracia”, integrante do bloco imperialista, está participando com quem desta guerra? Ninguém menos que Donald Trump, que o tempo todo é chamado de fascista. Não existe o ditado “Diga-me com quem andas, e te direi que és”? Quem anda com fascista…

Por onde anda a esquerda “antifascista”, aquela que defendia ministros do STF como caçadores de fascistas, paladinos da democracia? Sumiu, ou está se fazendo de desentendida. Onde está a denúncia de que Alemanha, França, Reino Unido, são todos fascistas?

Quem é reacionário?

Em um dado momento, no penúltimo parágrafo, o KP diz que “muitos iranianos e até grupos do espectro de esquerda expressaram alegria pela morte de Khamenei. É desnecessário enfatizar que Khamenei não era amigo do povo iraniano, mas sim o líder de uma ditadura reacionária.”. Então, por que milhões de pessoas saíram às, e continuam saindo até hoje, quase um mês depois, trazendo fotos de Khamenei e exigindo vingança?

Isso que chamam de “ditadura reacionária”, é muito mais revolucionária que toda essa esquerda pequeno-burguesa jamais sonhou ser. A República Islâmica do Irã está travando uma luta direta contra o imperialismo. E não é uma luta apenas para si. O país elaborou o Eixo da Resistência, que está conseguindo questionar a dominação imperialista.

Integrar Líbano, Palestina, Síria, Iraque, Iêmen, não é tarefa para qualquer um. Ninguém imaginava que o Irã pudesse atingir o imperialismo dessa maneira. O Hesbolá, que até ontem era tido como morto, está infligindo pesadas perdas aos sionistas. O grupo se rearticulou e conta com armamento que estão deixando todos boquiabertos, como os foguetes que alcançam mais de 300 km. Sem mencionar a qualidade de seus combatentes.

O ‘inimigo’ do povo

Ali Hosseini Khamenei já era admirado antes mesmo de se tornar o aiatolá e guardião da Revolução.

Esse homem, que sempre viveu uma vida modesta, enfrentou o governo do xá Reza Pahlavi. Foi preso inúmeras vezes e torturado pela polícia secreta SAVAK, passou meses sob condições que poucas pessoas poderiam resistir, mas, mesmo assim, nunca se rendeu.

Khamenei sofreu um atentado que quase o matou. Durante a guerra contra o Iraque, foi muito na linha de frente e ajudou na organização das forças militares ao sul e oeste iraniano.

Quando se tornou presidente, Khamenei recebeu mais de 16 milhões de votos. E ele é a pessoa que consolidou o Corpo de Guardas da Revolução Islâmica. Foi ele quem entendeu e implementou a política de economia de resistência. Entendeu a necessidade de se conseguir suficiência e independência técnica. Trabalhou na implementação de pesquisas científicas, inclusive na área de nuclear, apesar de ter impedido por meio de duas fátuas que o país fabricasse ou utilizasse bombas atômicas.

O acesso à saúde no Irã melhorou substancialmente, a despeito dos embargos. O ensino é outro ponto forte do país, que fez avanços significativos em medicina, engenharia, engenharia espacial e, ao contrário do que pregam os doutrinados pelo imperialismo, as mulheres estão na linha de frente desses setores.

O assassinato

Khamenei nunca quis se esconder, ele dizia que se o povo não tinha proteção especial, ele também não deveria ter. Acreditava que o excesso de proteção distanciava os governantes do povo.

O aiatolá morreu na casa sem luxo em que vivia, em seu escritório, não estava enfiado em um bunker e tremendo, como seus assassinos covardes.

A esquerda pequeno-burguesa precisa se libertar se libertar de seus preconceitos e ohar para a realidade. Basta olhar para o Irã para ver que o povo está apoiando o governo, pois reconhece o que tem sido feito. Sabe também que o que falta é por obra dos bloqueios econômicos criminosos.

Ficar repetindo que é preciso fazer mudanças, nada mais é que servir de linha auxiliar do imperialismo.

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