LESTE EUROPEU

Aumenta a crise energética entre Hungria e Ucrânia

Nesta quarta-feira (25), o governo húngaro anunciou a intenção de suspender o fornecimento de gás à Ucrânia, enquanto não for restabelecido o fornecimento de petróleo.

Nesta quarta-feira (25), o governo húngaro anunciou a intenção de suspender o fornecimento de gás à Ucrânia enquanto não for restabelecido o fornecimento de petróleo. Oleoduto Druzhba, cuja manutenção do trecho é de responsabilidade de Kiev, segue inoperante desde janeiro.

“Enquanto a Ucrânia não fornecer petróleo, não receberá gás da Hungria. Como a Ucrânia também está atacando o gasoduto do sul que abastece a Hungria, precisamos estocar. Portanto, em vez de abastecer os ucranianos, estamos agora abastecendo os reservatórios de gás húngaros. Estamos protegendo a segurança energética da Hungria, mantendo o preço da gasolina protegido e o preço do gás reduzido para cobrir os custos operacionais.” Declarou o primeiro-ministro da Hungria, Viktor Orbán.

A interrupção do fornecimento

Segundo autoridades ucranianas, em 27 de janeiro de 2026, as forças russas teriam atacado a infraestrutura do oleoduto que atravessa a Ucrânia (oleoduto Druzhba do Sul ou Druzhba-2). Os danos ocasionados nesses acidentes acarretam a interrupção do fornecimento de petróleo à Hungria e à Eslováquia.

Os dois países eram os únicos membros da União Europeia (UE) a manter importações energéticas da Rússia. Ambos gozam de uma isenção das sanções norte-americanas às importações de petróleo russo.

Chantagem Politica

Budapeste e Bratislava acusam Kiev de chantagem política, atribuindo um atraso deliberado às reparações. Posição corroborada por colocações de Volodymyr Zelensky de que preferiria não reparar o oleoduto Druzhba, atestando ainda que sua posição é partilhada com os líderes europeus.

“Para romper o bloqueio do petróleo e garantir o fornecimento seguro de energia da Hungria, uma nova medida é necessária”, declarou Orbán.

Segundo o Ministério das Relações Exteriores, as condições técnicas para a retomada das operações do oleoduto Barátság estão prontas desde o início de fevereiro, entretanto, as entregas seguem suspensas por tempo indeterminado.

“A Ucrânia está tentando forçar a Hungria a se juntar ao grupo de países pró-guerra por meio de chantagem. A decisão política ameaça a segurança do abastecimento para os consumidores nacionais e regionais. Como medida proporcional, as exportações húngaras de diesel para a Ucrânia foram interrompidas, mas o governo também está considerando a possibilidade de outras medidas de resposta.” Afirma o ministério.

Oleoduto Druzhba

Em operação desde 1964, o oleoduto Druzhba (“amizade”), também chamado de Oleoduto da Amizade e Oleoduto Comecon, é um dos maiores, com 4 mil quilômetros, transporta petróleo do leste da Rússia europeia até pontos na Ucrânia, Bielorrússia, Polônia, Hungria, Eslováquia, República Tcheca e Alemanha.

O sistema de oleoduto tem uma capacidade atual de 1,2 a 1,4 milhão de barris diários, compondo um complexo energético integrado de infraestrutura da região. Uma estrutura multiterritorial, que transpassa vários Estados para o fornecimento de gás e energia elétrica.

Disputa antiga

Desde o início dos anos 2000, a Rússia e a Ucrânia têm uma disputa econômica sobre essa estrutura energética em solo ucraniano. À época, a disputa girava em torno de taxas de trânsito e preços dos recursos energéticos.

Houve um histórico de contaminação em 2019, problemas de fornecimento e possíveis sabotagens à infraestrutura. Em 2023, vazaram documentos da inteligência do Pentágono (2022-2023), que fazem referência à conversa entre Zelensky e a vice-Primeira-Ministra, Yulia Svyrydenko, na qual ele sugeriu explodir o oleoduto Druzhba.

O intuito seria prejudicar a indústria húngara, em razão dos termos amigáveis que o governo de Orbán mantinha com o Kremlin, mesmo durante a Guerra Russo-Ucraniana.

Em 2025, essa ameaça materializou-se em diversos ataques ucranianos à estrutura do oleoduto. Entre estas, estão as estações de bombeamento, em agosto, de Nikolskoje e Unecha, e, em setembro, na região de Bryansk, além da Refinaria de Petróleo de Ilsky, na região de Krasnodar.

Crise no bloco UE

No dia 5 deste mês, autoridades húngaras prenderam 7 funcionários do banco estatal da Ucrânia, sob acusação de lavagem de dinheiro, que carregavam nos seus veículos dinheiro em espécie e barras de ouro. Os detidos foram expulsos, mas os frutos da apreensão continuam em guarda húngara.

A diplomacia húngara tem se colocado habitualmente contra a belicosidade ucraniana, opondo-se ao apoio da UE. Essa oposição à política do imperialismo tem sido maior que a da Bielorrússia, por exemplo, devido à sua participação como membro da UE.

A participação da Hungria na UE permite bloqueio ao empréstimo de 90 bilhões de euros a Kiev, concedido em dezembro de 2025. Expondo problemas e divergências internas.

Esse cenário levou a Comissão Europeia (CE) a convocar uma reunião extraordinária: “Convocamos uma reunião extraordinária do Grupo de Coordenação do Petróleo para discutir os impactos da interrupção no fornecimento e possíveis alternativas para o abastecimento de combustível.” Declarou a porta-voz da CE, Anna-Kaisa Itkonen.

Pressão sobre Budapeste

Com o amadurecimento da situação, Kiev passa a agir com maior intensidade e numa política abertamente terrorista. Ampliando a pressão sobre a Hungria e ocasionando uma reação.

“Enquanto a Ucrânia não nos fornecer petróleo, não receberá gás da Hungria”, afirmou Orban. “É por isso que, em vez de encher os tanques dos ucranianos, agora vamos encher os depósitos de gás húngaros”, completou o líder húngaro.

O governo húngaro está preservando apenas peças internas às custas do reservatório de segurança. Instrumento que garantiria o fornecimento ininterrupto de combustível aos consumidores nacionais e regionais.

Até o momento, foram liberadas 250 mil toneladas de petróleo bruto, algo em torno de 40% de toda a reserva. Nas palavras de Orban: “até agora, nos defendemos com sucesso da chantagem ucraniana, graças aos preços protegidos, os húngaros pagam os preços mais baixos nos postos de gasolina em toda a Europa”.

Budapeste tem demonstrado disposição a posições mais decididas em relação à guerra na Ucrânia. Com seu governo realizando várias marchas contra a guerra, expressando um aumento de sua popularidade com esta política, algo que lembra o desenvolvimento para um governo nacionalista burguês.

Escalada regional

O aumento da tensão pressiona o envolvimento ativo da Eslováquia, que, além de ser contra o empréstimo da UE, interrompeu o fornecimento de eletricidade à Ucrânia. Que tem 68% de todo o volume energético importado por linhas aéreas provenientes da Hungria e Eslováquia.

A situação demonstra uma tendência ao escalada do conflito, com consequências duras para os interesses imperialistas na região.

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