Brasil

MDB sempre foi um partido reacionário

Baleia Rossi tenta explicar porque o partido não deveria receber o nome “Centrão”, uma forma até simpática de se referir a um dos maiores males da história política recente do País

Centrão

O artigo de Baleia Rossi publicado na Folha de S. Paulo nesta terça-feira (24), MDB, 60: por que não somos centrão, tem uma resposta muito simples: é a “direitona”, não tem nada de centro.

Como informa o autor, “o Movimento Democrático Brasileiro (MDB) completa 60 anos de fundação neste 24 de março. É o partido mais longevo da era republicana, que mantém o maior número de filiados e mandatários eleitos. Ainda assim, há quem minimize essa trajetória, com narrativas como ‘partido sem ideologia’, ‘centrão’.”

Na verdade, chamar o MDB de “centrão” não visa minimizar sua trajetória, mas criticar sua atuação deletéria, a de um partido de oportunistas.

Claro que o MDB tem ideologia, é um partido burguês e muito direitista. Dizer que o MDB é o partido com maior número de mandatários eleitos, explica um pouco o porquê do atraso no qual o Brasil está mergulhado.

Rossi escreve que “o MDB nasceu em 1966 sob ataques da ditadura militar e da esquerda radical, que preferia a luta armada em vez do confronto no parlamento. Já os militares apostaram que os emedebistas seriam meros coadjuvantes da farsa que insistiam em chamar de ‘revolução’, o partido do ‘sim’ contra o partido do ‘sim, senhor’ (Arena)”.

O MDB foi criado por força do Ato Institucional-2 (AI-2), que instaurou o bipartidarismo no Brasil. O partido abrigou a oposição brasileira, que não deixou de ser uma oposição consentida, pois era para lá de moderada, e serviu para dar um ar de pluralismo ao regime militar.

Cabia de tudo no MDB, inclusive figuras que apoiaram o golpe, como Tancredo Neves e Ulisses Guimarães. Esse partido era dividido em duas alas: Autêntica que era mais “combativa”; e a Moderada, que atuava apenas institucionalmente. Para se ter uma ideia de quem estava do lado dos moderados, além dos dois citados acima, havia ainda, Itamar Franco e Orestes Quércia. Dentre os “autênticos”, podemos citar Franco Montoro, Mário Covas, José Serra, Eduardo Suplicy e Fernando Henrique Cardoso (o presidente que destruiu a indústria brasileira). Mais tarde, os “autênticos” romperiam como MDB e fundariam o PSDB, um verdadeiro flagelo que permaneceu décadas no governo do Estado de São Paulo.

O próprio Baleia Rossi exemplifica o quão “combativa” era a ala dos autênticos: “como escreveu Franco Montoro em 1966, o MDB decidiu ser o partido do ‘Não’. ‘Não aos agitadores e subversivos de direita ou esquerda; não às medidas de exceção e de poder pessoal, que violentam as bases da democracia e ofendem os direitos da pessoa humana’”. Um partido de direita dizendo ser de centro. Essa é uma prática comum da direita, a de se colocar contra os “extremismos”.

O MDB e os militares

Durante a Ditadura, o MDB soube conviver com o regime: “a partir de 1971, Ulysses Guimarães assumiu a presidência do MDB, e soube equilibrar a moderação necessária para manter a sigla viva”.

Havia muita polarização no Brasil e muitos trabalhadores acabaram votando nesse partido que foi conseguindo cadeiras parlamentares.

Há um dado interessante no texto quando diz que “Em 1981, o MDB apresentou um programa para o país chamado “Esperança e Mudança”. Faria isso outras vezes. As duas mais recentes, com “Uma Ponte Para o Futuro“, de 2015, e o “Caminhos para o Brasil”, de outubro passado”. – grifo nosso.

Em 2016, o golpista Michel Temer declarou em um evento para empresários que Dilma Rousseff caiu porque se recusou a adotar as propostas da “ponte para o futuro”, que nada mais era que a liquidação de qualquer futuro para o Brasil.

A famigerada “P” propunha ajuste fiscal rigoroso que resultou no Teto de Gastos, que garante que sobre dinheiro para o pagamento dos banqueiros. Reformas estruturais, como os ataques brutais sobre a Previdência e direitos trabalhistas, sob a desculpa de atrair investimentos, mas que só serviram para aumentar os lucros dos capitalistas, pois a economia só afundou.

Havia também a questão da Redução do Estado, um presente para o grande capital internacional se apossar das empresas estatais. Fernando Henrique Cardoso ficou conhecido como o “Príncipe da Privataria”. A “Ponte” propunha ainda “maior abertura comercial” para supostamente estimular a economia via iniciativa privada.

Desde o golpe de 2016, vimos como a política do Centrão tem servido para manter o Brasil atrasado e sob as botas do imperialismo.

Conchavos espúrios

É preciso assinalar a confissão de Baleia Rossi, que diz que “em momentos-chave do país, o MDB não hesitou em sentar à mesa com quem pensa diferente. Em 1984, após a perda da emenda das Diretas Já, trouxe José Sarney (então no PDS, ex-Arena) para a chapa de Tancredo Neves”. Lembrando que a Arena era o partido do golpe militar.

O MDB, no movimento das Diretas, Já! traiu o povo. A eleição presidencial foi levada para o Colégio Eleitoral, mas os dois candidatos, Paulo Maluf e Tancredo Neves, era homens de confiança dos militares. Com a morte de Tancredo, José Sarney, também de confiança, assumiu a presidência e mergulhou o País em um caos econômico com o Plano Cruzado.

Desabastecimento, hiperinflação, aumento de impostos e tarifas como água e luz. Além de uma sequência de planos econômicos, que Baleia Rossi dá o nome pomposo de “desafios”.

Legado

Baleia Rossi se faz de indignado, reclama que a imprensa chame seu partido de “centrão”. “O MDB sempre foi (e é) o verdadeiro centro”, diz. E ainda sustenta, embora ninguém deva acreditar, que o partido escolheu o “caminho da democracia em meio à ditadura e à luta armada”.

Todo esse trajeto foi feito, segundo diz, demagogicamente, “porque sabia-se que a retomada democrática se daria pela conquista do apoio do povo brasileiro, que é plural e diverso a depender da região do país”.

Finalmente, Rossi escreve “que venham mais 60 anos”, encerrando o texto e jogando uma praga sobre o Brasil e o brasileiros.

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