Guerra no Oriente Próximo

EUA suspendem sanções sobre o petróleo iraniano

Medida visa conter crise causada pelo fechamento do Estreito de Ormuz, em retaliação à agressão sionista e imperialista contra o país persa

Trump

Nesta sexta-feira (20), o governo dos Estados Unidos oficializou a suspensão temporária das sanções sobre o petróleo iraniano que se encontra carregado em navios em alto mar, estabelecendo um prazo de validade de 30 dias para a medida. A decisão do Departamento do Tesouro visa conter a escalada dos preços internacionais de hidrocarbonetos, que superaram a marca de 110 dólares por barril após o fechamento do Estreito de Ormuz em 28 de fevereiro. De acordo com as diretrizes do Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros, a isenção se aplica a qualquer embarcação, incluindo as unidades da frota de sombra anteriormente sancionadas, desde que o petróleo tenha sido carregado até o dia 20 de março e seja obrigatoriamente descarregado nos portos de destino até o dia 19 de abril.

Estimativas da consultoria Energy Aspects e da empresa de monitoramento de dados Kpler indicam que o volume acumulado em navios espalhados entre o Golfo e as águas próximas à China varia entre 130 milhões e 170 milhões de barris. O Secretário de Energia dos Estados Unidos, Chris Wright, afirmou que o fluxo desse suprimento para as refinarias asiáticas deve começar em um intervalo de três a quatro dias, com a expectativa de que a entrada desse volume no sistema global resulte em uma redução nos preços do óleo bruto dentro de dez a quatorze dias. Esta ação busca compensar parcialmente o déficit diário de 10 a 14 milhões de barris causado pela interrupção do tráfego em Ormuz, por onde circula aproximadamente 20% do petróleo mundial.

Além da suspensão das sanções, o governo norte-americano confirmou a liberação unilateral de estoques de sua Reserva Estratégica, somada à ação coordenada do G7 anunciada na semana anterior, que totaliza 400 milhões de barris. O modelo de isenção adotado para o Irã é idêntico ao aplicado recentemente ao petróleo russo, que reinseriu 130 milhões de barris no mercado global no início de março. O Tesouro dos Estados Unidos reiterou que não haverá intervenção direta nos mercados de contratos futuros, concentrando os esforços no aumento do suprimento físico para estabilizar os custos de energia durante o atual período de guerra.

As refinarias da Ásia iniciaram uma movimentação acelerada para garantir o acesso ao petróleo iraniano imediatamente após o anúncio da isenção de 30 dias. Na Índia, o segundo maior importador de petróleo da região, empresas estatais e privadas começaram a planejar o retorno das compras, embora aguardem orientações formais do governo e esclarecimentos adicionais dos Estados Unidos sobre as modalidades de pagamento e logística. A urgência indiana é impulsionada por estoques significativamente menores em comparação a outros grandes importadores asiáticos, o que levou o setor de refino a priorizar também o petróleo russo liberado em condições similares no início de março de 2026.

Além da Índia, refinarias na China, Coreia do Sul, Japão e Turquia analisam os termos técnicos da medida para determinar a viabilidade das transações. A China permanece como o destino mais provável para grande parte desse volume, uma vez que suas refinarias independentes já processavam cerca de 1,38 milhão de barris diários de óleo iraniano antes da suspensão atual, operando por meio de intermediários e descontos agressivos.

Apesar da abertura temporária, a execução das compras enfrenta desafios práticos imediatos relacionados ao sistema financeiro e à infraestrutura de transporte. Economistas de Singapura relatam que o processo de conformidade bancária e administrativa para liberar os pagamentos pode levar dias, reduzindo a janela de 30 dias estipulada pelo governo norte-americano. Existe ainda a preocupação técnica com a frota de navios que transporta esse óleo; uma parcela considerável do suprimento está em embarcações antigas e de procedência complexa, o que exige verificações de seguro e segurança antes do desembarque nos portos internacionais.

No campo diplomático, o governo do Irã respondeu à suspensão das sanções com uma estratégia de aberturas seletivas e propostas de segurança regional. O ministro das Relações Exteriores, Abbas Araghchi, sinalizou em entrevista à agência Kyodo que o Irã está disposto a permitir a passagem de navios japoneses pelo Estreito de Ormuz, medida que também foi estendida de forma excepcional para embarcações da Índia e da Turquia, conforme registros de agências internacionais de notícias. Essas concessões ocorrem em meio a um bloqueio quase total do tráfego comercial na via.

Simultaneamente, o presidente iraniano Masoud Pezeshkian apresentou uma proposta formal aos países vizinhos para a criação de um sistema de segurança coletiva no Oriente Médio que dispense a participação de potências imperialistas.

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