África Central

Atual presidente vence eleições e cumprirá 5º mandato no Congo

Denis Sassou Nguesso, do Partido Trabalhista Congolês, venceu as eleições presidenciais com 94,82% dos votos contra Mabio Mavoungou, que teve 1,42% dos votos

O atual presidente do Congo, Denis Sassou Nguesso, do Partido Trabalhista Congolês, venceu as eleições presidenciais com 94,82% dos votos. Mabio Mavoungou, ex-membro do Parlamento, ficou em segundo lugar com 1,48%. No total, sete candidatos participaram do processo eleitoral realizado no último domingo, conforme dados divulgados pela Comissão Nacional Eleitoral Independente na terça-feira (17).

Raymond Zephirin, atualmente ministro do Interior, declarou em pronunciamento televisionado que 3.167.909 eleitores estavam aptos a votar. O índice de comparecimento foi de 84,65%.

Nguesso chegou ao poder pela primeira vez em 1979, quando era oficial das Forças Armadas. Manteve-se no cargo até 1992, quando perdeu a primeira eleição multipartidária realizada no país centro-africano. Após alguns anos de guerra civil, retornou ao governo em 1997. Um referendo realizado em 2015 alterou a Constituição e retirou o impedimento de concorrer às eleições após a idade limite de 70 anos, abrindo caminho para que ele se candidatasse novamente.

A eleição anterior ocorreu em 2021. Nguesso venceu com 88% dos votos e é atualmente o terceiro líder mais longevo no poder, atrás apenas de Paul Biya, de Camarões, e Teodoro Obiang Nguema Mbasogo, presidente da Guiné Equatorial.

No momento de seu comparecimento à urna, Nguesso declarou que o país produtor de petróleo continuará a manter laços fortes com a Rússia e com demais parceiros dispostos a trabalhar pela paz.

O país centro-africano e a Federação Russa mantêm relações diplomáticas desde 1964, quando foi assinado um tratado de amizade entre o Congo e a antiga União Soviética. A cooperação entre os dois países ocorre em diversas áreas, como energia, segurança e educação. O Congo é considerado rico em recursos naturais – minérios e petróleo.

Analistas destacam a estabilidade política do Congo sob o governo de Nguesso, enquanto a região enfrenta crises políticas e golpes de Estado.

Um dos principais apoiadores do presidente reeleito, no país vizinho República Centro-Africana, Adrien Poussou, que também foi ministro das Comunicações, afirmou em entrevista à imprensa que o fator decisivo para a vitória foi a estabilidade e a continuidade das estruturas do Estado.

As taxas de desemprego entre os jovens giram em torno de 40%. O Congo tem metade de sua população abaixo dos 18 anos de idade. Dados divulgados pela TV Al Jazeera indicam que a dívida pública corresponde a 95% do Produto Interno Bruto.

Nguesso procurou tomar iniciativas na área diplomática para resolver conflitos entre o Congo e Ruanda, convocou negociações de paz entre a Rússia e a Ucrânia e se ofereceu para mediar conversações no Gabão.

Grupos de oposição denunciaram violações aos direitos políticos durante o processo eleitoral. Há informações de que as duas principais lideranças oposicionistas, Jean-Marie Michel Mokoko e André Okombi Salissa, estão presos. Relatos apontam que houve bloqueio da internet durante a votação e fechamento de ruas na capital, Brazzaville. O governo negou as irregularidades.

Os candidatos derrotados na eleição têm 15 dias para apresentar questionamentos ao processo eleitoral à Corte Constitucional do país. Esta, por sua vez, dispõe do mesmo prazo para analisar as argumentações e declarar o resultado.

Vale destacar a proximidade do atual governo congolês com a Rússia, o que é visivelmente reprovado por parte do imperialismo mundial. Estes últimos buscam o estabelecimento de regimes políticos satélites no continente africano, que permitam o saque de suas riquezas naturais e o posicionamento de bases militares para rápida intervenção contra aqueles que se levantem contra a opressão e exploração.

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