O Catar condenou os ataques realizados pela coalizão EUA-“Israel” contra instalações energéticas no Irã, alertando para o risco de escalada regional e impactos diretos na segurança energética global. A ofensiva teve como alvo estruturas vinculadas ao campo de gás South Pars, localizado na costa do Golfo e compartilhado entre Irã e Catar — um dos maiores reservatórios de gás natural do mundo.
Em declaração divulgada nesta quarta-feira (18), o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Catar, Majed al-Ansari, classificou o ataque como uma medida “perigosa e irresponsável” em meio à intensificação da guerra promovida pelos Estados Unidos e “Israel” contra o Irã. Segundo ele, atingir instalações ligadas ao South Pars — extensão direta do campo North Field, do lado catariano — representa uma ameaça não apenas regional, mas global.
O governo catariano destacou que ataques a infraestruturas energéticas colocam em risco o abastecimento mundial, além de ameaçar populações locais e o meio ambiente. A nota oficial reforça o apelo à contenção e ao respeito ao direito internacional, enfatizando a necessidade de evitar a destruição de instalações vitais.
A escalada ocorre em um momento de tensão militar crescente. Instalações nas fases 3, 4, 5 e 6 do campo South Pars, além de unidades na região de Asaluyeh, foram atingidas pela coalizão EUA-“Israel”. Autoridades israelenses também confirmaram ataques à maior unidade de processamento de gás do Irã, localizada na província de Bushehr.
Em resposta, o Irã anunciou que irá atingir infraestruturas energéticas associadas aos interesses norte-americanos na região, incluindo refinarias e complexos petroquímicos na Arábia Saudita, nos Emirados Árabes Unidos e no próprio Catar.
As ações iranianas não configuram violação da soberania catariana. Os alvos indicados são instalações ligadas diretamente aos interesses dos Estados Unidos e de suas corporações, o que se insere no quadro de um conflito mais amplo. Considerando que os Estados Unidos conduzem operações militares diretas contra o Irã, trata-se de uma resposta à guerra iniciada pelo imperialismo.
Historicamente, o Catar buscou manter uma posição de equilíbrio entre os Estados Unidos e os movimentos da resistência no Oriente Médio. O país abriga, por exemplo, o escritório político do Movimento de Resistência Islâmica (Hamas), ao mesmo tempo em que mantém a maior base militar norte-americana no Oriente Médio. No entanto, com o avanço da guerra, essa posição intermediária vem sendo cada vez mais insustentável.
Essa dualidade expressa os limites da política externa catariana. Ao tentar conciliar interesses antagônicos, o país se vê cada vez mais encurralado pela intensificação dos conflitos
O desenvolvimento da luta de classes em escala regional, combinado com a ofensiva imperialista liderada pelos Estados Unidos, tem reduzido o espaço para políticas de equilíbrio. O Catar passa a ser pressionado a alinhar-se de forma mais clara contra o Irã, o que pode aprofundar ainda mais as tensões no Golfo e levar a um choque total com sua população árabe.





