Causa Operária TV

Plantão Irã: COTV e DCO estreiam programa diário

Programa piloto foi ao ar nesta terça-feira (17), às 16 horas, com Pedro Burlamaqui, Victor Assis e Francisco Muniz, e será exibido diariamente no canal da COTV

Foi ao ar nesta terça-feira (17), às 16 horas, no canal da Causa Operária TV (COTV), em parceria com o Diário Causa Operária (DCO), a edição piloto do Plantão Irã, novo programa diário dedicado a acompanhar a guerra contra a República Islâmica do Irã e a comentar seus desdobramentos do ponto de vista marxista. A apresentação ficou a cargo de Pedro Burlamaqui, com participação de Victor Assis e Francisco Muniz.

Na abertura, Burlamaqui explicou o objetivo da nova atração e anunciou sua periodicidade. Segundo ele, o programa nasce para acompanhar diariamente os acontecimentos da guerra e apresentar ao público um balanço político dos fatos.

“Está começando o primeiro programa do Plantão Irã. Plantão Irã número zero, programa piloto. Estamos inaugurando aqui um programa que tem como objetivo acompanhar a guerra no Irã, a agressão imperialista contra o Irã e dar as principais notícias de um ponto de vista marxista.”

Em seguida, o apresentador informou que o programa irá ao ar todos os dias às 16 horas e pediu que o público acompanhe e divulgue a iniciativa. Também destacou as formas de participação por meio do LivePix (livepix.gg/cotv) e a campanha de arrecadação dos Comitês de Luta em defesa do Irã (Pix: apoiar.ira@pm.me), voltada à produção de panfletos, cartazes, adesivos e outros materiais.

Ao iniciar a parte política da transmissão, Burlamaqui fez um panorama dos acontecimentos discutidos pela bancada. Ele afirmou que, a partir da agressão dos EUA e de “Israel” contra o Irã, a República Islâmica lançou a Operação Promessa Cumprida 4 e passou a atingir bases e ativos norte-americanos e imperialistas na região. Também citou o bloqueio do Estreito de Ormuz como um dos principais elementos da contraofensiva iraniana.

A partir daí, Victor Assis apresentou um balanço militar do conflito. Segundo ele, a reação iraniana desmentiu a expectativa de uma operação rápida por parte do imperialismo e mostrou que o país estava preparado para responder à agressão.

“O que a gente está vendo é toda uma reação preparada com muito cuidado, com bastante tempo. Então, não é uma reação de cabeça quente. Inclusive, coisa que tem chamado a atenção, e a gente vai comentar daqui a pouco, na 59ª onda da Operação Promessa Cumprida IV, é que a reação iraniana se dá em diferentes níveis, e cada nível é mais destrutivo, mais intenso que o anterior. Isso aí também mostra que a reação ainda é bastante organizada. Apesar de a guerra ter sido iniciada pelo imperialismo e pelo sionismo, o Irã age como se tivesse controle, como se tivesse o domínio do que está acontecendo.”

Ainda segundo Assis, o resultado da guerra, até o momento, aponta para um desgaste político, militar e econômico do imperialismo. Ele citou a alta do petróleo, os prejuízos causados aos sistemas de defesa e às instalações militares e sustentou que, do ponto de vista do conflito, a República Islâmica aparece em posição favorável.

Francisco Muniz, por sua vez, comentou a reação popular dentro do Irã e nos países árabes da região. Ele contestou a versão difundida pelos órgãos de imprensa imperialistas de que a população iraniana estaria dividida diante dos acontecimentos e mencionou as mobilizações do Dia de Al-Quds como demonstração de apoio ao país sob bombardeio.

“A verdade é que, por exemplo, na semana passada, sexta-feira, foi dia de Al-Quds, é a última sexta-feira do Ramadã, que é uma data importante para os muçulmanos, em que os iranianos, particularmente, fazem todo ano manifestações em defesa da Palestina. E a gente teve manifestações muito grandes em todas as principais cidades do Irã. E algumas delas aconteceram enquanto os bombardeios norte-americanos e israelenses aconteciam nas cidades, e o pessoal se mantinha nas ruas e gritava palavras de ordem de apoio ao Irã. Então a gente vê que, da parte da população iraniana, há um apoio grande e uma grande revolta com as pessoas que estão atacando o país.”

Muniz também afirmou que, nos países vizinhos, a situação é semelhante, com sinais de crise política em regimes aliados do imperialismo. Segundo ele, nem mesmo nos Estados Unidos o apoio popular à guerra aparece como majoritário.

Um dos eixos centrais do programa foi a discussão sobre a estratégia militar iraniana. Burlamaqui lembrou que o Corpo de Guardas da Revolução Islâmica já havia realizado 59 ondas da Operação Promessa Cumprida 4 e disse que, de acordo com as declarações iranianas, os armamentos empregados foram se tornando mais avançados no decorrer do conflito. A edição mais recente da operação, segundo ele, foi dedicada ao general Qasem Soleimani.

Assis afirmou que o objetivo da campanha militar iraniana é desmontar o aparato do imperialismo no Oriente Médio, com ataques precisos contra instalações militares e sistemas de defesa, e relacionou isso tanto à proteção do Irã quanto ao enfraquecimento dos regimes mantidos pela pressão norte-americana.

“Segundo as declarações do CGRI, eles teriam cegado os olhos do imperialismo na região. Eles teriam destruído os radares e boa parte da capacidade de sistema de defesa aérea das instalações norte-americanas. Com isso, primeiro, o terreno fica livre para que o Irã acerte praticamente qualquer alvo no Oriente Médio, principalmente na Palestina ocupada. Em segundo lugar, isso também destrói a autoridade do imperialismo na região. São governos muito fracos, governos impopulares. Esses governos se sustentam por causa da pressão do imperialismo. Na medida em que o imperialismo perde esse aparato militar, os países todos podem ser vítimas de grandes levantes populares.”

Na sequência, a bancada tratou da diferença entre a ação militar do Irã e os ataques realizados pelos EUA e por “Israel”. Muniz afirmou que a agressão imperialista atingiu inclusive lideranças iranianas no curso de negociações e contrapôs a isso o caráter defensivo da resposta da República Islâmica.

“É evidente que a reação do Irã, embora seja uma reação bastante dura, é uma reação totalmente defensiva. É estranho que os norte-americanos não tivessem previsto que o Irã reagiria dessa forma, de uma forma forte. Mas a reação do Irã visa atingir alvos militares, alvos estratégicos. É muito diferente da ofensiva do imperialismo. Você vê esse negócio de bombardear uma escola com cento e tantas crianças, coisas assim, que é muito diferente. Essa é uma diferença grande. E a própria reação da população do mundo denota também essa diferença.”

Outro tema desenvolvido foi a crise aberta dentro do próprio campo imperialista. Burlamaqui mencionou a saída de Joe Kent do governo norte-americano e os apelos de Donald Trump aos países europeus por apoio a uma operação de desbloqueio do Estreito de Ormuz. Para Victor Assis, a recusa das potências europeias em assumir esse papel não significa oposição real à guerra, mas uma tentativa de deixar Trump isolado diante de uma operação que está dando errado.

“Esses países atuam em bloco com o imperialismo norte-americano e japonês. Eles todos têm, de uma maneira geral, a mesma política. Só que o que acontece é que a guerra não funcionou. Está dando errado. E como deu errado, eles agora estão jogando tudo na conta do Trump. ‘Se vira aí, a guerra é sua’. Só que a questão é a seguinte: se eles realmente achassem que não deveria haver guerra, por que momentos antes de começar a guerra eles classificaram o CGRI como organização terrorista? Eles estão juntos, é só uma jogada de cena para jogar tudo nas costas do Trump.”

Muniz acrescentou que a tentativa de apresentar os EUA como vencedores do conflito não se sustenta diante dos fatos discutidos no programa. Segundo ele, a destruição de instalações militares norte-americanas e a crise política gerada pela guerra indicam um quadro de grande desgaste.

A edição também tratou do assassinato, anunciado durante o programa, do chefe da Basij, organização de voluntários vinculada ao CGRI. Burlamaqui informou que o Corpo de Guardas da Revolução Islâmica havia divulgado nota sobre o caso, ressaltando a importância do comandante e associando sua morte ao papel desempenhado pela Basij na guerra. Assis afirmou que esse tipo de ação revela o desespero do imperialismo e observou que o regime iraniano foi organizado de forma descentralizada, de modo a continuar operando mesmo diante do martírio de importantes dirigentes.

“O que a gente tem visto é que isso daí não afeta praticamente nada. O Irã se organizou tanto no seu regime quanto nas suas forças armadas para ter um comando descentralizado, para não depender de uma única pessoa, de modo que, se ele for decapitado, ele consegue reagir e continuar funcionando plenamente. O maior exemplo disso é o próprio assassinato do Ali Khamenei. Isso mostra o desespero do imperialismo e do sionismo.”

No final da transmissão, houve ainda um quadro biográfico sobre Ali Khamenei. Victor Assis destacou a origem pobre do líder iraniano e afirmou que sua trajetória desmonta a campanha de que as lideranças muçulmanas seriam figuras ligadas ao luxo e ao enriquecimento pessoal. Segundo ele, Khamenei nasceu em uma família humilde de Maixade, foi o segundo de oito irmãos e passou a infância em condições materiais difíceis.

Assista ao programa desta terça-feira na íntegra:

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