Aumentam os boatos de que Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, firmará um acordo de delação premiada.
Na sexta-feira (13), o banqueiro trocou de advogado após a Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) decidir pela manutenção de sua prisão. Perpaolo Bottini saiu de sua equipe de defesa e deu lugar a José Luís Oliveira Lima. Boatos noticiados pelo Estadão indicam que Roberto Podval, seu outro advogado, também tende a deixar o posto.
Para a imprensa burguesa, ao citar supostas conversas de bastidor, isso é sinal de que Vorcaro trocará de estratégia, rumo a uma delação premiada. Segundo apuração de Caio Junqueira, colunista da CNN Brasil, por exemplo, Pierpaolo, além de ser contrário à delação, possui clientes que poderiam ser delatados pelo banqueiro. Podval também segue o mesmo padrão, possuindo ligação com o ministro Dias Toffoli, uma das figuras mais envolvidas no escândalo do Banco Master.
Ao mesmo tempo, o novo advogado de Vorcaro já atendeu clientes como José Dirceu, durante o Mensalão; Alberto Youssef, na Lava Jato; e, mais recentemente, o general Braga Neto, ao ser julgado pela farsesca “tentativa de golpe”. José Luís também foi o advogado de Léo Pinheiro, empreiteiro da OAS, quando ele firmou um acordo de delação premiada durante a Lava Jato.
Ainda segundo a CNN Brasil, pessoas próximas ao banqueiro sondaram a Polícia Federal (PF) e a Procuradoria-Geral da República (PGR) sobre a possibilidade de um acordo de delação premiada. A emissora afirma que Vorcaro considera a delação para evitar que a investigação avance mais sobre seus familiares e aliados mais próximos. Seu cunhado, Fabiano Zettel, por exemplo, também está preso, enquanto seu pai já foi citado pela PF por supostamente ocultar R$2,2 bilhões.
Após a decisão do STF, outra colunista da CNN, Jussara Soares, comentou sobre o que está sendo chamado de “delação do fim do mundo”. Segundo a jornalista, a delação de Vorcaro “já é considerada certa no meio político” após as mudanças na equipe de defesa.
Até o momento, a delação permanece como um boato, espalhado pelos jornais mais poderosos do País. Sendo verdade ou não, o fato é que a burguesia mais ligada ao capital financeiro, por meio de seu gigantesco aparato de imprensa, está pressionando o STF e seus ministros a recuar.
Para Rui Costa Pimenta, presidente nacional do Partido da Causa Operária (PCO), o desenvolvimento do escândalo faz com que seja “absurdo que os ministros do STF não tenham pedido penico para sair do STF”.
“A mulher do Alexandre de Moraes reconheceu que ela fez o contrato com o Banco Master de 130 milhões, o contrato de assessoria jurídica mais caro da história do mundo jurídico até hoje. Só isso já deveria ser suficiente para que o senhor Alexandre de Moraes saísse do STF”, afirmou Pimenta na Análise Politica da Semana deste sábado (14).
O presidente do Partido também relembrou a revelação feita pela imprensa na semana passada de que Moraes, Toffoli, Paulo Gonet (procurador-geral da República), Jorge Messias (advogado-geral da União) e outros se encontraram em Londres em um evento milionário patrocinado pelo Banco Master.
“A promiscuidade entre o STF — e não é só o STF, entre o aparato jurídico todo institucional — e o Banco Master é mais do que evidente. Quer dizer, os ministros teriam que pedir para sair. Não tem jeito”, destacou.
O escândalo do Banco Master já se consolidou como um dos maiores da história do Brasil. Uma disputa por uma parcela do mercado financeiro entre Vorcaro e sua turma e os grandes bancos imperialistas que controlam o País deu lugar a uma crise sem precedentes que pode mudar como o regime brasileiro funciona.
Decerto que as revelações feitas pela grande imprensa não são bem-intencionadas no sentido de “combate à corrupção”, como afirmam. Fazem parte desse mesmo jogo; servem como chantagem para que o setor da burguesia prejudicado pela liquidação do Master pare de tentar reverter a situação às custas dos lucros dos grandes bancos. Isso, no entanto, não muda o fato de que o caso revelou um escândalo que precisa ser denunciado como forma de mostrar a podridão em todas as instâncias do Estado.
Não é possível saber se a delação premiada ocorrerá ou não. Independentemente disso, a crise vai aumentar, e muito. Resta saber quem mais se queimará em meio a esse escândalo.





