Política internacional

Irã promete vigança após ataque contra navio saindo de exercício na Índia

A fragata iraniana Dena foi atingida em águas internacionais quando retornava do exercício Milan 2026

O Exército da República Islâmica do Irã prometeu vingança após o ataque norte-americano contra a fragata Dena, atingida quando retornava de um exercício naval internacional realizado na Índia. Em nota divulgada nesta quinta-feira (5), a força classificou a ação como um “ataque covarde” e afirmou que o bombardeio ocorreu a quase duas mil milhas do campo de batalha, em flagrante violação das normas internacionais de navegação e do direito humanitário.

Segundo o comunicado, a embarcação iraniana trazia cadetes que voltavam do exercício naval “Milan 2026”, realizado na Índia e descrito como uma atividade de paz. De acordo com o Exército iraniano, o ataque foi lançado sem qualquer aviso prévio, a centenas de milhas da zona de guerra aberta pelos Estados Unidos e por “Israel” contra o Irã.

Em um dos trechos da nota, o Exército declarou:

“O ataque covarde ao contratorpedeiro Dena, a cerca de 2 mil milhas do campo de batalha, que resultou no martírio de jovens estudantes que retornavam do exercício de paz Milan 2026, mostrou que a arrogância mundial não respeita nenhuma das regras internacionais.”

A força iraniana acrescentou que a ação voltou a demonstrar o desprezo dos Estados Unidos pelas regras internacionais que regem a conduta marítima e os conflitos armados. Em seguida, deixou claro que a morte dos cadetes fortaleceria a disposição de resposta do país:

“O martírio daqueles queridos jovens apenas fortalecerá a determinação da grande nação iraniana e dos combatentes do Islã em vingar o sangue puro de seus companheiros.”

Ainda segundo a nota, as tropas iranianas estão agora ainda mais decididas a retaliar. O comunicado afirmou que “os bravos combatentes do Exército, unidos em juramento e mais determinados do que antes, farão, com a ajuda de Deus Todo-Poderoso, os inimigos norte-americanos e sionistas se arrependerem de seus atos”.

O chanceler iraniano, Abbas Araghchi, também denunciou o ataque. Em publicação na rede X, ele afirmou que os Estados Unidos cometeram uma atrocidade em alto-mar, longe do território iraniano, e advertiu que a agressão abriria um precedente pelo qual o governo norte-americano pagaria caro. Em sua declaração, escreveu:

“Os EUA perpetraram uma atrocidade no mar, a 2 mil milhas das costas do Irã. A fragata Dena, convidada da Marinha da Índia e transportando quase 130 marinheiros, foi atingida em águas internacionais sem aviso. Gravem minhas palavras: os EUA amargarão profundamente o precedente que estabeleceram.”

A embarcação foi torpedeada e afundada por um submarino norte-americano na quarta-feira (4), no oceano Índico, ao sul do Sri Lanka, quando regressava ao Irã a partir de um porto no leste da Índia. O secretário de Defesa dos Estados Unidos, Pete Hegseth, assumiu a agressão no Pentágono ao declarar que “um submarino norte-americano afundou um navio de guerra iraniano que pensava estar seguro em águas internacionais”.

Autoridades hospitalares da cidade portuária de Galle, no Sri Lanka, informaram que 87 corpos foram levados ao local por equipes militares de resgate acionadas após um pedido de socorro feito nas primeiras horas do dia. As autoridades do Sri Lanka também informaram que 32 marinheiros foram resgatados com vida e encaminhados a um hospital, enquanto cerca de 60 seguiam desaparecidos, a partir de uma estimativa de 180 pessoas a bordo.

A fragata IRIS Dena havia participado, entre 18 e 25 de fevereiro, de um exercício naval organizado pela Índia na Baía de Bengala. O fato de a embarcação ter sido atacada quando deixava uma atividade internacional, em águas internacionais e longe da frente principal da guerra, aprofundou a denúncia iraniana de que os Estados Unidos ampliaram a agressão para além de qualquer parâmetro reconhecido pelo direito internacional.

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