Guerra no Oriente Próximo

A revolução está a caminho no Barém?

Ação militar vem estimulando a revolta no país árabe

O Barém atravessa hoje um momento de efervescência política. O cenário no país mudou drasticamente no último dia 28 de fevereiro de 2026, quando o Corpo de Guardiões da Revolução Islâmica (IRGC) do Irã lançou a “Operação Promessa Cumprida 4”. Na 14ª onda deste ataque, a Guarda Revolucionária (IRGC, na sigla em inglês) informou ter atingido a base aérea norte-americana na região de Sheikh Isa, com uma combinação de 20 VANTs e 3 mísseis. A nota dizia que o “principal edifício de comando e quartel-general” do complexo teria sido destruído e que tanques de combustível foram incendiados, com colunas de fogo e fumaça visíveis.

Mais tarde, o IRGC voltou ao tema ao divulgar a 15ª onda da operação, afirmando ter atingido “10 pontos-chave e estratégicos” e “complexos de equipamentos” na mesma base, incluindo “o centro de comando e controle aéreo”, “tanques de combustível de aeronaves” e “a residência de comandantes norte-americanos de alto escalão”. O texto acrescentou que monitoramento de inteligência e satélite indicava a base “não operacional” e relatou fuga de militares norte-americanos, afirmando que “toda a infraestrutura” teria sido retirada de serviço.

O governo local admitiu a interceptação de 54 VANTs e mísseis apenas nos primeiros dias de março, expondo a sua própria população a fragilidade do regime. A fraqueza do regime se torna ainda mais crítica quando levado em consideração que há uma nova geração que vê no Irã um aliado capaz de oferecer o suporte tecnológico e moral que faltou em décadas passadas para derrubar a monarquia.

A força deste levante atual é, em grande parte, uma resposta à memória dolorosa de 2011. Durante a Primavera Árabe, o povo do Barém protagonizou uma grande revolta, ocupando a Praça da Pérola para exigir o fim da perseguição da maioria xiita pela monarquia sunita Al Khalifa. O movimento, que estava prestes a triunfar, foi interrompido por um golpe de Estado preventivo em 14 de março de 2011. Naquela ocasião, cerca de 1.200 soldados sauditas e 500 policiais dos Emirados Árabes Unidos, membros da Força de Escudo da Península, cruzaram a ponte King Fahd com blindados para esmagar os protestos. O resultado foi uma repressão brutal, com a demolição do monumento da Praça da Pérola e a imposição de uma lei marcial duríssima.

Hoje, porém, a revolta volta a tomar conta do país. A crise é tamanha que esta é a primeira vez desde o levante de 2011 que as Força de Escudo da Península são deslocadas para o Barém. A monarquia está por um fio.

A grande diferença daquela época é o apoio explícito do IRGC, que, em publicação em seu canal oficial, declarou:

“Chegou a hora do retorno do Barém aos braços do pai

Com o acolhimento do povo do Barém aos mísseis iranianos que penetram nas bases americanas, acreditamos que chegou o momento de retomar o Barém; uma terra que foi ‘entregue em casamento’ [perdida] durante o período do xá sem honra, Mohammad Reza Pahlavi.

Agora, com a mudança no equilíbrio de poder e a popularidade do Irã, chegou a hora deste filho pequeno retornar aos braços do pai verdadeiro.”

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