O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmail Baghaei, declarou neste domingo (1º) que o martírio de Saied Ali Khamenei, líder da República Islâmica e da Revolução Islâmica, constitui um “crime internacional” e um “ponto de virada perigoso” para toda a região. Em entrevista exclusiva à Al Mayadeen, Baghaei disse que Khamenei “não era um líder comum nem apenas uma autoridade religiosa”, mas uma figura cuja influência ultrapassa as fronteiras do Irã.
Segundo Baghaei, o assassinato abre uma etapa de hostilidades de grande envergadura e desencadeia tensões de caráter religioso na região. O porta-voz caracterizou o episódio como “uma guerra religiosa”, com potencial de ampliar confrontos confessionais, e afirmou que manifestações populares em diversos países já expressam as consequências do crime.
Baghaei também declarou que, por 37 anos, o foco central de Khamenei é a defesa da causa palestina, do povo iraniano e dos povos oprimidos da região. Ele sublinhou que o apoio do líder iraniano à Palestina não se limita aos xiitas e convocou muçulmanos sunitas a reconhecerem esse fato.
‘É uma guerra contra o Irã’
Na entrevista, Baghaei rejeitou a tese de que o sistema político iraniano dependa de um único indivíduo. Segundo ele, o regime que derruba a antiga ditadura é institucional, e não baseado em personalidades. Ele reiterou ainda que a guerra em curso se impõe de fora. “Isto não é a guerra do Irã, mas uma guerra contra o Irã”, afirmou, definindo o confronto como decisivo para toda a Ásia Ocidental.
Baghaei ressaltou que a agressão se inicia dois dias antes de uma sessão nuclear prevista em Viena entre os Estados Unidos e o Irã. Para o porta-voz, o episódio confirma que, enquanto o Irã entra em negociação, “o outro lado não tem intenção de negociar” e usa as tratativas como pretexto para atacar o país. “Caímos mais uma vez numa situação em que estávamos negociando, enquanto a outra parte não tinha intenção de negociar e usou isso meramente como pretexto para atacar o Irã”, disse.
Resposta militar e alvos
Ao abordar a resposta militar iraniana, Baghaei afirmou que o Irã mobiliza todas as suas capacidades para defender soberania, população e território. “Nossas forças decidem o que usar e o que atingir”, declarou, acrescentando que o país dá “muitos passos corajosos” diante da escalada.
Baghaei afirmou que o inimigo sionista arrasta os norte-americanos para a guerra. Ele também insistiu que o Irã atinge bases dos Estados Unidos na região em autodefesa e que esses ataques não se voltam contra a soberania dos países onde essas instalações se localizam, mas contra bases inimigas usadas na agressão.
O porta-voz declarou ainda que o Irã respeita os países da região, descreveu os Estados do Golfo como nações amigas e reafirmou a disposição de manter relações de boa vizinhança. “Não temos problema com o povo ou com os países da região”, disse, chamando povos muçulmanos e árabes a reconhecerem a natureza da agressão.
Caos regional e cobrança internacional
Baghaei advertiu que a região entra em caos e defendeu que os países responsabilizem os agressores e protejam a estabilidade regional. Ele pediu, ainda, que todos os países que valorizam a segurança e a paz internacionais condenem a agressão.
Dirigindo-se aos povos muçulmanos e árabes, Baghaei afirmou que eles testemunham a agressão e que o Irã considera os países da região como amigos. Ele acrescentou que, sem a ação dos inimigos, a região vive em paz.
AIEA e reunião em Viena
No campo da supervisão nuclear, Baghaei criticou o diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA). Ele afirmou que uma reunião da agência ocorre na segunda-feira (2), em Viena, e disse esperar uma postura equilibrada diante da escalada militar e das disputas diplomáticas.
Ao final da entrevista, Baghaei afirmou que as lições do enfrentamento ao terrorismo e da guerra de 12 dias mostram que a postura defensiva atual do Irã não diz respeito apenas ao país, mas à região como um todo.



