Em 24 de fevereiro, um veículo com turistas foi alvejado ao passar por uma área turística do município de Prado, no extremo sul da Bahia. A região registra ataques de latifundiários e ações do governo do estado contra o povo Pataxó, que luta pela demarcação de suas terras no território de Comexatibá.
Dois turistas foram baleados na região da Barra do Cahy, em área de retomada Pataxó, que vem sofrendo ataques de pistoleiros e tentativas de despejo conduzidas por forças policiais do estado, sob comando do governo da Bahia, por meio das secretarias de Segurança Pública e de Relações Institucionais, chefiadas por Marcelo Werner e Adolpho Loyola.
Após o ataque ao veículo, o governo do estado enviou novamente forças policiais para a região para prender lideranças Pataxó das retomadas da Barra do Cahy. As prisões ocorreram sem prova ou indício contra os 12 pataxós, acusados de serem responsáveis pelos disparos contra os turistas que passavam pela área.
Pretexto para prender lideranças Pataxó?
O episódio envolvendo os turistas e as prisões de pataxós, incluindo lideranças importantes do processo de luta pela terra contra grileiros e latifundiários da região, levanta suspeitas de uma operação conduzida por latifundiários em articulação com setores do governo estadual para prender integrantes das retomadas, impedir novas retomadas e dificultar a demarcação das terras.
Segundo relatos, os turistas teriam entrado em uma área que está bloqueada pelos pataxós e, do outro lado, por latifundiários organizados no Invasão Zero, grupo fascista articulador da pistolagem contra os pataxós.
A invasão ao Manzuko Beach Club
Dias antes do ataque ao veículo de turistas, ocorreu um episódio suspeito no Manzuko Beach Club, uma barraca de praia de luxo na Barra do Cahy. Na madrugada de 8 de fevereiro, o local foi invadido por um grupo encapuzado e fortemente armado, com fuzis. A ação foi rapidamente atribuída aos pataxós, e os proprietários afirmaram prejuízo de mais de R$300 mil. Como de costume, a polícia e o governo do estado não recuperaram os bens roubados e prenderam apenas um pataxó, acusado do roubo, reforçando as denúncias de que a ação foi orquestrada por latifundiários com participação de policiais.
Prisão de Joel Braz
Em dezembro, a liderança Pataxó Joel Braz foi presa em uma ação semelhante, após a morte de dois trabalhadores rurais de assentamentos em uma área de conflito na mesma região da Bahia. Joel Braz segue preso pelo governo do estado da Bahia sem prova de participação na ação.
As denúncias apontam um conluio entre setores do governo do estado da Bahia e latifundiários ligados ao Invasão Zero para criar condições que justifiquem ações cada vez mais violentas contra os pataxós, as retomadas e as lideranças da luta pela terra.
É preciso denunciar a situação e as prisões como perseguição política e cobrar a imediata demarcação das terras de Comexatibá e Barra Velha do Monte Pascoal. Também é necessário exigir a liberdade imediata de Joel Braz e Mandy Pataxó, além de todos os pataxós presos nas operações conduzidas pelo governo do estado da Bahia em articulação com latifundiários para atacar as demarcações na região do extremo sul da Bahia.


