Na madrugada deste sábado (28), os Estados Unidos e o Estado de “Israel” lançaram uma ofensiva militar conjunta contra o Irã, abrindo um novo e crítico capítulo da escalada imperialista no Oriente Próximo. Os ataques, batizados por Tel Aviv de operação “Rugido do Leão”, começaram por volta das 9h40 (horário local) contra o centro de Teerã e estenderam-se até o meio-dia, atingindo também zonas leste da capital sob o som intenso das defesas aéreas. O exército israelense afirmou ter atingido centenas de alvos, incluindo lançadores de mísseis no oeste do Irã.
Entre os episódios mais brutais do ataque, uma escola primária de meninas em Minab (província de Hormozgan, sul do Irã) foi atingida por volta das 10h45 (horário local), com cerca de 170 alunas no prédio, segundo autoridades iranianas. O balanço divulgado chegou a 108 mortos, a maioria estudantes, e 92 feridos, além de pessoas ainda sob os escombros.
Vídeos divulgados por veículos iranianos e canais próximos ao governo mostraram trabalhadores e socorristas removendo destroços do colégio. Em uma das imagens, uma mochila escolar aparece como o que teria restado de uma das crianças assassinadas.
No total nacional, o Crescente Vermelho Iraniano informou que os bombardeios EUA–Israel deixaram 201 mortos e 747 feridos em 24 províncias.
Além de Minab, informações de agências internacionais indicam bombardeios em Lamerd (província de Fars), com ataques em áreas residenciais e em um pavilhão esportivo, deixando ao menos 15 civis mortos (além de feridos) segundo autoridades citadas na imprensa financeira internacional. Canais iranianos e redes sociais ligados ao Corpo de Guardas da Revolução (IRGC) chegaram a divulgar que dezenas de atletas teriam morrido no ataque ao ginásio.
De acordo com declarações do governo de “Israel”, o ataque foi coordenado com os EUA e teria sido planejado por meses, com a data definida semanas antes. O governo Trump tratou a ofensiva como uma campanha para “eliminar a ameaça” e chegou a ligar a operação à ideia de “mudança de regime”.
No plano da propaganda, Trump declarou que o líder supremo, Ali Khamenei, teria sido morto. O Irã negou.
O que é verificável, por ora, é que houve ataques diretos a estruturas centrais do Estado iraniano e a áreas de comando, além de baixas nas Forças Armadas iranianas. Canais ligados ao governo divulgaram declarações de porta-voz das Relações Exteriores afirmando que a “gestão do país” seguia operando. Em paralelo, circularam imagens de atos em várias cidades, com pessoas nas ruas condenando a agressão e demonstrando apoio ao país — em um vídeo, manifestantes aparecem beijando a bandeira do Irã.
A Operação Promessa Verdadeira 4
A resposta iraniana veio em ondas de mísseis e veículos aéreos não tripulados, atingindo “Israel” e também países do Golfo que abrigam instalações militares norte-americanas, como Barém, Catar, Cuaite e Emirados Árabes Unidos, além de registros de interceptações em outros pontos da região.
No Barém, as autoridades confirmaram que uma área próxima a um centro de serviços ligado à Quinta Frota dos EUA foi atingida.
Em Dubai, houve explosões e incêndios, com relato de míssil atingindo hotel e danos em vários alvos de destaque, além de impacto no aeroporto.
Canais ligados ao IRGC ainda divulgaram imagens afirmando haver impactos nas imediações do Burj Khalifa e destruição em áreas portuárias como Jebel Ali.
Em “Israel”, sirenes e alertas por celular levaram a população a correr repetidas vezes para abrigos.
Um míssil iraniano atingiu a capital TelAvive em cheio, matando uma mulher e ferindo cerca de 20 pessoas, segundo confirmação de porta-voz do serviço de emergência israelense.
Ao longo do dia, a Magen David Adom informou ter atendido 89 feridos desde o início das ondas de ataque, a maioria com lesões leves, muitas delas ocorridas na correria para os abrigos.
Canais iranianos e relatos locais divulgaram também imagens de impactos “diretos” em áreas centrais e de destruição em pontos da Grande Telavive. A própria imprensa internacional reconheceu que nem todos os mísseis foram interceptados.
Eixo da Resistência anuncia apoio
Com o ataque aberto contra o Irã, organizações e movimentos armados aliados a Teerã sinalizaram disposição de entrar no conflito. O noticiário internacional registrou que grupos alinhados ao Irã na região prometeram ampliar ações contra bases e interesses dos EUA. Canais ligados à Resistência divulgaram:
- mensagem das Brigadas Al-Qassam (Hamas) ao povo iraniano;
- declaração do líder do Ansar Allah (Iêmen) defendendo mobilização ampla contra a agressão;
- comunicados de grupos iraquianos, incluindo ameaças explícitas a instalações norte-americanas.
As mensagens mostraram que a agressão imperialista tende a unificar e ativar forças regionais contra a ocupação e as bases dos EUA.
ONU, como sempre, não faz nada
O Conselho de Segurança da ONU realizou reunião emergencial. O secretário-geral António Guterres condenou os ataques EUA–Israel, dizendo que violam a Carta da ONU e o direito internacional, e alertou para o risco de uma guerra ainda mais ampla.
O Brasil seguiu a mesma política hipócrita e vergonhosa, limitando-se a dizer que os ataques ocorreram “em meio a negociações” e cobrando respeito ao direito internacional e proteção aos civis.
Ao mesmo tempo, os governos europeus tentaram deslocar o foco para a “retaliação iraniana”, pedindo que o Irã “negocie”.
Apesar de negar participação direta no bombardeio inicial, o governo britânico confirmou que forças e aviões do Reino Unido passaram a atuar em “operações defensivas regionais” ao lado de aliados, elevando ainda mais o nível de militarização do conflito.
Consequências regionais
Como se não bastasse a guerra que já impõe aos palestinos uma catástrofe permanente, o regime israelense aproveitou a escalada para apertar o cerco a Gaza. A agência israelense COGAT anunciou o fechamento de todas as passagens para a Faixa de Gaza — incluindo Rafa — afetando inclusive a entrada de trabalhadores humanitários.
Após os ataques, empresas e operadores suspenderam envios pelo Estreito de Ormuz, e o Irã declarou o corredor como fechado, com alerta para navios na região. Ormuz é rota de cerca de um quinto do consumo global de petróleo, além de parte importante do gás exportado a partir do Golfo.
Dentro do Irã, além do luto e do choque com o massacre da escola, a população reagiu com protestos contra a agressão.
Do lado israelense, a situação descrita por agências é de rotina de guerra: idas e vindas a abrigos, interrupção de serviços e tensão permanente, com uma população que já vem sendo empurrada para conflitos sucessivos há anos — agora, sob fogo direto de uma potência regional.




