Mesmo após a Confederação Geral do Trabalho (CGT) descartar uma nova greve geral, mais de uma centena de sindicatos confirmaram mobilização ao Congresso Nacional da Argentina para rechaçar a reforma trabalhista do golpista Javier Milei, cuja votação final está prevista para o Senado. A principal concentração foi marcada para a Praça dos Dois Congressos, com paralisação parcial em categorias industriais, da educação e do transporte.
A direção da CGT admitiu que não conseguiu reverter a situação no parlamento após a paralisação de 19 de fevereiro e optou por uma estratégia de “questionamento judicial” da norma. Nesse sentido, a central definiu uma marcha restrita, com delegados e dirigentes, até os tribunais, prevista para a segunda-feira (2), quando pretende acompanhar a apresentação judicial contra a lei, descartando novo paro geral. Em outras palavras, a política da CGT é de capitular totalmente diante dos ataques aos trabalhadores e abandonar a luta popular para ficar a reboque do Judiciário argentino.
Setores sindicais de base, porém, decidiram ignorar a decisão da cúpula e convocaram manifestação em frente ao Congresso. Entre as organizações que confirmaram participação estão o Frente de Sindicatos Unidos (FreSU), que reúne a Unión Obrera Metalúrgica, a Federación Aceitera e sindicatos do transporte agrupados na CATT (Confederación Argentina de Trabajadores del Transporte), além da Asociación Trabajadores del Estado e as duas centrais CTA. Também se somaram sindicatos do Plenario del Sindicalismo Combativo, trabalhadores do setor de pneus, docentes universitários e organizações sociais.
As ações se espalharam por diversas regiões do país. Desde as primeiras horas da manhã desta sexta-feira, trabalhadores, aposentados e integrantes de coletivos organizaram bloqueios no Obelisco, na Autopista Panamericana e em outros pontos, com registros de protestos também em La Plata, Córdoba, Mendoza, Mar del Plata, Neuquén, Jujuy e Bahía Blanca.
Em Buenos Aires, a repressão foi registrada em diferentes pontos enquanto manifestantes marchavam em direção ao Senado ou bloqueavam vias. Agentes avançaram com cassetetes, gás de pimenta e balas de borracha, atingindo manifestantes que denunciavam a reforma neoliberal como uma “lei escravista” e como um pacote que acabará com os direitos trabalhistas no país.
Além da rejeição ao projeto de Milei, atos exigiram a reabertura da fábrica de pneus FATE, fechada de forma arbitrária dias antes, com a demissão de mais de 900 trabalhadores. Presente na mobilização, a deputada Myriam Bregman (PTS–Frente de Izquierda) denunciou a violência policial e defendeu o direito de protestar. “Os policiais estão com as armas sacadas, violentos, a manifestação é mais que legítima. O que estamos fazendo é reclamar. A polícia te cerca porque Bullrich colonizou com sua ideologia as forças”, afirmou, referindo-se à ex-ministra Patricia Bullrich. O deputado Nicolás del Caño (também do PTS–Frente de Izquierda) relatou agressões durante a ação policial: “me bateram, jogaram gás em mim; queremos que se possa realizar a manifestação sem repressão”.
Apesar das agressões e tentativas de dispersão, os manifestantes mantiveram os bloqueios e a marcha, e houve registro de mais pessoas chegando às imediações do Senado ao longo do dia, enquanto a lei entrava em nova rodada de debate. No entorno do prédio legislativo, foi montado um cerco com duplo gradil de metal, ruas adjacentes bloqueadas, acessos restritos e um grande aparato de segurança, com centenas de agentes, tropas especiais, efetivos motorizados e veículos hidrantes.


