O Comitê para a Proteção de Jornalistas (CPJ, sigla em inglês), uma organização sediada na cidade de Nova Iorque, Estados Unidos, divulgou na quarta-feira (25) um relatório que demonstra que, no ano passado, 129 profissionais da imprensa foram assassinados no mundo. Pelo segundo ano consecutivo, observa-se um recorde de mortes.
O Estado de “Israel”, conforme os dados da CPJ, foi responsável pela morte de dois terços do total, isto é, 86 jornalistas. O genocídio na Faixa de Gaza é o mais mortal para os profissionais da imprensa desde que a organização iniciou a coleta de dados em 1992. Mais de 60% dos jornalistas assassinados eram palestinos e estavam na Faixa de Gaza.
O elevado número de jornalistas mortos por “Israel” em Gaza evidencia a finalidade, por meio do terrorismo de Estado, de impedir que os jornalistas divulguem ao mundo os acontecimentos. O episódio mais mortal, contudo, não ocorreu em Gaza. O bombardeio da Força Área de “Israel” contra duas sedes de jornais no Iêmen tirou a vida de 31 jornalistas e demais profissionais da imprensa, sendo descrito pela organização como o segundo ataque mais letal já registrado.
O CPJ classificou 47 das mortes como decorrentes da política de assassinato seletivo, isto é, quando alguém é intencionalmente alvo de um ataque. “Israel”, como não poderia deixar de ser, foi responsável por 81% dessas mortes — 38 das 47 ocorridas no mundo. É importante destacar que o número de assassinatos seletivos é o mais alto em uma década.
É possível que os números sejam muito maiores, dadas as restrições de acesso, o nível de destruição e o banimento da imprensa internacional imposto à Faixa de Gaza. Como “Israel” não permite o acesso de jornalistas estrangeiros ao território palestino ocupado, fica evidente o motivo de todos os mortos em Gaza serem palestinos.
“Os militares israelenses cometeram mais assassinatos seletivos de profissionais da imprensa do que quaisquer outras forças armadas”, destaca o relatório.
Entre os mortos está o jornalista da Reuters, Hussam al-Masri, que foi alvo de bombardeio enquanto realizava uma transmissão ao vivo no hospital Nasser, em Gaza. Anas al-Sharif, um dos mais famosos e reconhecidos jornalistas da TV Al Jazeera na cobertura da Questão Palestina, também foi morto durante um ataque israelense.
Não foram conduzidas investigações transparentes sobre as mortes de jornalistas pelos sionistas e, como consequência, ninguém foi responsabilizado por seus atos, destacou o CPJ.
Al-Sharif sabia dos riscos que corria por seu trabalho em Gaza. Por isso, deixou uma mensagem para sua família e, especialmente, para sua filha Sham, a ser postada postumamente em sua conta no X (antigo Twitter): “Este é meu desejo e minha mensagem final. Se estas palavras alcançarem vocês, saibam que Israel foi bem-sucedido em me assassinar e silenciar minha voz”.
Três jornalistas foram assassinados no mais recente ataque israelense, ocorrido em 21 de janeiro de 2026. Os profissionais viajavam de carro pelo território palestino para filmar o mais novo campo de refugiados localizado na área de Netzarim. Eles se chamavam Mohammed Salah Qashta, Abdul Raouf Shaat e Anas Ghneim.
A ONG Repórteres Sem Fronteiras destacou que “Israel” assassinou 29 jornalistas palestinos em Gaza entre dezembro de 2024 e dezembro de 2025. Desde o início da campanha abertamente genocida em outubro de 2023, os sionistas mataram aproximadamente 300 jornalistas e profissionais da imprensa, embora o número possa ser bem maior.
O CPJ ressalta que se formou uma cultura de impunidade em relação ao assassinato de jornalistas pelas forças armadas sionistas. “Com muitas das evidências destruídas, o número verdadeiro de jornalistas palestinos que foram deliberadamente atacados por Israel nunca será conhecido”.
O diretor-executivo da CPJ, Jodie Ginsberg, afirmou que os jornalistas têm sido assassinados justamente no momento em que a informação é imprescindível.
Os sionistas respondem aos dados afirmando que não atacam deliberadamente jornalistas e que procuram tomar todas as medidas para mitigar os efeitos da guerra contra os não combatentes. Determinados jornalistas, segundo suas palavras, foram assassinados por supostamente terem vínculos com o Hamas e outras facções da resistência armada palestina.
As forças armadas sionistas atuam claramente com a diretriz política de eliminar a intelectualidade palestina, destruindo, assim, a identidade e o patrimônio cultural palestino. A morte de jornalistas em escala massiva visa também impedir que o mundo tenha conhecimento do genocídio e da limpeza étnica em curso.
É uma das ironias da história o fato de os sionistas cometerem seus crimes diante de todos e à luz do dia e, ao mesmo tempo, se esforçarem, também diante de todos e à luz do dia, para ocultar seus crimes e perseguir – diante de todos e à luz do dia – quem denuncia suas monstruosidades.



