Estados Unidos

Trump defende seu governo em discurso no Congresso

No cenário internacional, Trump exaltou bombardeios ao Irã, pressionou aliados da OTAN e defendeu a captura de Nicolás Maduro como demonstração de força global dos Estados Unidos

Em seu primeiro discurso do Estado da União no segundo mandato, Donald Trump subiu ao púlpito do Congresso com um objetivo claro: reafirmar a força de sua administração diante de um país polarizado, e a menos de nove meses das eleições de meio de mandato de 2026, que podem redefinir o controle político em Washington. Em uma fala que durou cerca de 1 hora e 49 minutos — a mais longa desse tipo na história moderna — o presidente combinou exaltação patriótica, promessas econômicas e uma defesa contundente de sua agenda interna e externa.

Ao evocar a proximidade do 250º aniversário da Declaração de Independência, Trump declarou que os Estados Unidos vivem uma “Era de Ouro”, afirmando que o país voltou a ser “respeitado como talvez nunca antes”. O cenário no plenário refletiu a divisão política: aplausos entusiasmados de republicanos e protestos silenciosos da bancada democrata.

No campo internacional, Trump apresentou um balanço seletivo de sua política externa, enfatizando ações de força e reafirmando sua doutrina de “paz por meio da força”. Ele citou os bombardeios contra instalações nucleares iranianas realizados no ano anterior e afirmou que Washington mantém negociações com Teerã. “Minha preferência é resolver esse problema por meio da diplomacia”, disse, acrescentando que jamais permitirá que o Irã obtenha armas nucleares. O governo iraniano nega buscar esse tipo de armamento.

A Rússia e o conflito na Ucrânia também foram mencionados. Trump reiterou que a guerra não teria começado se estivesse na presidência à época e afirmou que sua administração trabalha “muito duro” para encerrar o conflito, sem detalhar novas iniciativas. Ao mesmo tempo, pressionou aliados da OTAN a elevarem os gastos militares para 5% do PIB, reforçando a ideia de redistribuição de responsabilidades dentro da aliança.

A Venezuela ocupou espaço central no trecho dedicado à América Latina. O presidente classificou como bem-sucedida a operação que resultou no sequestro do presidente Nicolás Maduro, levado aos Estados Unidos para enfrentar acusações federais relacionadas a narcotráfico e corrupção. Washington descreve a ação como legal e vinculada ao combate ao crime transnacional, enquanto autoridades venezuelanas e diversos setores internacionais a condenam como violação da soberania nacional. Trump também elogiou ações conjuntas contra o tráfico de drogas na região e recordou ter declarado cartéis mexicanos como organizações terroristas.

Embora tenha reivindicado êxitos diplomáticos e militares, o discurso não abordou críticas relativas ao desgaste das relações com aliados tradicionais nem controvérsias envolvendo a condução da política externa.

Na política interna, o presidente voltou a se concentrar na economia. Afirmou que a inflação caiu de forma significativa e descreveu o desempenho recente como uma “virada histórica”. Segundo Trump, a inflação subjacente recuou para 1,7% no fim de 2025. Dados oficiais indicam desaceleração relevante em relação ao pico superior a 9% em 2022, mas mostram oscilações próximas da meta de 2% do Federal Reserve nos últimos meses.

O presidente também destacou a valorização do mercado de ações, a superação dos 50 mil pontos pelo índice Dow Jones e novos compromissos de investimento privado. Prometeu que “fábricas, empregos e trilhões de dólares continuarão fluindo” para o país, atribuindo o crescimento a cortes de impostos, desregulamentação e políticas tarifárias. No entanto, indicadores apontam desaceleração do crescimento no último trimestre de 2025 e pesquisas mostram que o custo de vida permanece como principal preocupação do eleitorado.

Trump voltou a criticar a decisão da Suprema Corte que invalidou partes centrais de sua política de tarifas impostas com base em poderes de emergência. Disse que manterá sua agenda comercial por meio de outros instrumentos legais, sem depender do Congresso.

A imigração foi outro eixo central do discurso. O presidente afirmou que os Estados Unidos agora têm a “fronteira mais segura da história”, destacando a redução nas travessias ilegais e no tráfico de fentanil. Dados oficiais confirmam queda significativa nas entradas irregulares pela fronteira com o México em comparação com anos anteriores. Ainda assim, operações de deportação e ações de fiscalização migratória continuam a provocar protestos e controvérsias em diversas cidades.

Trump também defendeu mudanças na legislação eleitoral, exigindo prova de cidadania e identificação obrigatória para votar, sob o argumento de fortalecer a integridade do sistema. Democratas afirmam que tais medidas podem criar barreiras a eleitores elegíveis.

Entre promessas de prosperidade, ênfase na segurança e reafirmação de autoridade internacional, o discurso buscou projetar estabilidade e força. Ao mesmo tempo, evitou aprofundar temas como a queda de popularidade, os protestos contra políticas migratórias e a persistente preocupação com o custo de vida — questões que devem marcar o debate político nos meses que antecedem as eleições de 2026.

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