Europa

Presidente da Hungria posiciona tropas temendo ataque ucraniano

Viktor Orbán anunciou o envio de tropas e reforço policial para proteger a infraestrutura de energia no leste do país

O primeiro-ministro da Hungria, Viktor Orbán, anunciou na quarta-feira (25) o envio de tropas e o reforço do policiamento para proteger instalações de energia no leste do país, na fronteira com a Ucrânia, alegando risco de “ataques ucranianos” e novas ações de sabotagem contra o sistema energético húngaro.

Orbán informou que determinou “proteção reforçada de infraestrutura crítica”, “emprego de tropas onde necessário”, aumento da presença policial e a proibição de aeronaves não tripuladas no condado de Szabolcs-Szatmar-Bereg. A decisão foi divulgada em publicação no X, na qual o premiê disse que a medida se baseia em informações de inteligência obtidas pelos serviços de segurança e que a Hungria “não pode ser chantageada” por Quieve.

A ordem ocorre em meio à crise envolvendo o oleoduto soviético Druzhba, que até recentemente transportava petróleo russo para Hungria e Eslováquia via Ucrânia. O oleoduto deixou de operar no fim de janeiro, e Quieve afirmou que a interrupção se deveu a danos provocados por ataques russos, o que Moscou negou. Hungria e Eslováquia, por sua vez, denunciam a Ucrânia por reter deliberadamente o fluxo por motivos políticos e indicaram que poderiam retaliar.

O diretor político de Orbán, Balazs Orbán, afirmou que as informações em posse das autoridades apontariam que Quieve vem “preparando novas ações” voltadas a interromper o funcionamento do sistema energético da Hungria.

A tensão se soma ao atrito de Budapeste com a União Europeia (UE) em torno da guerra. O governo húngaro vetou o mais recente pacote de sanções da UE contra a Rússia e também um empréstimo emergencial de €90 bilhões (US$106 bilhões) para a Ucrânia. O mecanismo havia sido acertado no fim do ano passado após Hungria, Eslováquia e República Tcheca optarem por não contribuir financeiramente.

A liderança da UE condenou o veto e, em carta, o presidente do Conselho Europeu, Antonio Costa, afirmou que descumprir o compromisso “constitui uma violação do princípio da cooperação sincera”. Orbán respondeu, também por carta, dizendo que não apoiará novas medidas pró-Ucrânia até que Quieve volte “à normalidade”, e questionou a cobrança europeia em meio à crise energética: “tomamos uma decisão financeiramente favorável à Ucrânia que eu pessoalmente desaprovo, então a Ucrânia cria uma situação de emergência energética na Hungria, e você me pede para fingir que nada aconteceu”.

Voto na ONU e abstenção dos EUA

O anúncio húngaro ocorreu um dia depois que os Estados Unidos se abstiveram, na terça-feira (24), de uma votação na Assembleia Geral das Nações Unidas sobre uma resolução patrocinada por Quieve que condena as ações russas no conflito. O texto, apresentado quatro anos após a escalada da guerra, pedia um cessar-fogo imediato, completo e incondicional.

Na votação, 107 países apoiaram a resolução; 12, entre eles Bielorrússia, Irã e Coreia do Norte, votaram contra; e 51 se abstiveram, incluindo Estados Unidos, Armênia, Brasil, Hungria, Cazaquistão, Sérvia e Uzbequistão.

A presidente da Assembleia Geral e ex-chanceler alemã Annalena Baerbock declarou à emissora ARD que a delegação norte-americana “quis deliberadamente remover” do texto a exigência de uma “paz duradoura e justa”, e disse que a posição foi “frustrante”, destacando que, “pela primeira vez”, os EUA não votaram a favor.

A Rússia, por sua vez, criticou a resolução. A vice-representante permanente russa na ONU, Anna Evstigneeva, disse que o texto “ignora a complexidade do conflito”, faz uma interpretação “unilateral” da Carta da ONU e cria obstáculos às negociações. Ela afirmou que, para uma paz duradoura, Quieve deveria intensificar esforços diplomáticos, buscar compromissos e estabelecer garantias de segurança confiáveis tanto para a Rússia quanto para a Ucrânia, em vez de promover novas votações. As resoluções da Assembleia Geral têm caráter recomendatório e não são juridicamente vinculantes.

Moscou afirma que busca um acordo de paz abrangente, e não apenas um cessar-fogo na linha de frente, sob o argumento de que uma pausa imediata seria usada pela Ucrânia para se rearmar e se reorganizar. A posição russa inclui exigências como retirada ucraniana de áreas no Donbass que votaram pela adesão à Rússia em 2022, desmilitarização e desnazificação, abandono do pedido de ingresso na OTAN e adoção de status neutro. Rússia, Estados Unidos e Ucrânia realizaram conversas em Genebra na semana passada, após reuniões anteriores em Abu Dhabi, mas impasses territoriais, especialmente a recusa de Quieve em abrir mão da ocupação ilegal sobre o Donbass, seguem apontados como o principal obstáculo a um acordo.

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