A agência francesa AFP informou, em texto republicado pela emissora libanesa Al Mayadeen, que o Movimento de Resistência Islâmica (Hamas, na sigla em árabe) entrou na fase final de sua eleição interna para escolher o chefe do birô político. De acordo com fontes internas ouvidas pela AFP, a disputa teria sido reduzida a dois nomes: Khalil al-Hayya e Khaled Mashaal.
Um dirigente do Hamas teria declarado à AFP que o partido “concluiu suas eleições internas nas três regiões e chegou à etapa final” de escolha do chefe do birô político, acrescentando que “a competição está limitada” a Mashaal e al-Hayya. Uma segunda fonte teria afirmado que o processo está na fase final. Ainda de acordo com o relato, o Hamas deve publicar uma nota quando o nome for definido, com expectativa de anúncio durante o mês do Ramadã.
Mandato excepcional de um ano
Fontes do Hamas citadas pela AFP disseram que o próximo chefe do birô político exercerá o cargo por um ano, em um ciclo eleitoral excepcional. Em seguida, o partido organizará novas eleições para um mandato de quatro anos, abrangendo suas estruturas consultivas e de direção.
Um dirigente explicou que o processo busca “renovar a legitimidade interna” e preencher lacunas na direção após o assassinato de dezenas de integrantes do birô político, quadros do Conselho da Shura e comandantes militares pelo Estado de “Israel”.
Quem são os dois nomes citados
Khaled Mashaal, nascido em 1956 na localidade de Silwad, na Cisjordânia ocupada, dirige atualmente a estrutura do Hamas no exterior e já chefiou o birô político. Dirigentes do partido o descreveram à AFP como “pragmático” e “centrista”.
Khalil al-Hayya, nascido em 5 de novembro de 1960, na Cidade de Gaza, dirige o Hamas na Faixa de Gaza e lidera a delegação de negociações do partido. Fontes internas citadas pela AFP afirmaram que ele teria apoio do braço militar em Gaza.
A AFP relata que “Israel” tentou assassinar al-Hayya e outros quadros do Hamas em Doha, no Catar, em 9 de setembro de 2025. O filho de al-Hayya foi assassinado no ataque.
Transição após assassinatos na direção
A AFP também recorda que, após o assassinato de Ismail Hanié, em julho de 2024, em Teerã, Iahia Sinuar assumiu a direção do partido. Sinuar foi assassinado em outubro do mesmo ano, em Rafá, no sul da Faixa de Gaza.
Depois disso, o Hamas formou um conselho de direção de cinco integrantes, chefiado por Mohammed Darwish, presidente do Conselho da Shura.



