Líbano

Hesbolá após massacre: não restam opções a não ser resistência

Ataques aéreos no Becá e no sul do Líbano levaram o Hesbolá a afirmar que “não resta nenhuma opção além da resistência”

O Hesbolá declarou neste sábado (21) que “não resta nenhuma opção” ao povo libanês “além da resistência”, após uma nova série de bombardeios do Estado de “Israel” contra o leste e o sul do Líbano. A declaração foi feita no dia seguinte a ataques aéreos que atingiram a região do Becá e deixaram pelo menos 10 pessoas assassinadas, além de dezenas de feridos.

Massacre: ‘Israel’ assassina 8 combatentes do Hesbolá no Líbano

O vice-chefe do Conselho Político do Hesbolá, Mahmoud Qamati, afirmou que “o que aconteceu ontem no Becá é um novo massacre e uma nova agressão”. Em seguida, questionou: “que opção nos resta para nos defendermos e defender nosso país? Que outra opção temos além da resistência? Não temos mais nenhuma opção”.

O deputado do Hesbolá Rami Abu Hamdan também criticou a política do governo libanês diante da escalada. Ele afirmou que condenações oficiais já não são aceitáveis, dizendo que a brutalidade sionista “não é novidade”, mas que “condenações e declarações de denúncia já não são suficientes”, acrescentando que o sangue libanês “não é barato”. Abu Hamdan pediu uma mudança “radical” na forma como o Estado defende o país e rejeitou a normalização dos ataques diários contra o Líbano.

Bombardeios no Becá e no sul do Líbano

Na noite de sexta-feira (20), aviões de guerra de “Israel” realizaram bombardeios contra o vale do Becá, no leste do país, atingindo áreas residenciais e provocando destruição. O Ministério da Saúde do Líbano informou que ao menos 10 pessoas foram assassinadas e que 24 ficaram feridas, incluindo crianças. Entre as vítimas fatais, foram citados um homem sírio e uma mulher etíope.

O Hesbolá confirmou o assassinato de oito de seus integrantes, incluindo um dirigente, e declarou que eles “se sacrificaram pelo Líbano e por seu povo”.

Horas antes dos bombardeios no Becá, ao menos duas pessoas foram assassinadas em um ataque israelense contra o campo de refugiados de Ain al-Hilweh, nos arredores de Sidon (Saida), no sul do Líbano.

O Exército de “Israel” alegou ter atacado integrantes da unidade de mísseis do Hesbolá e afirmou ter “eliminado um grande número” de membros do que chamou de “organização terrorista”, em três instalações na região de Balbeque.

Comitê do cessar-fogo e pressão norte-americana

Os bombardeios ocorrem em meio ao mecanismo de monitoramento do cessar-fogo, cuja próxima reunião está marcada para quarta-feira (25). O comitê é composto por Líbano, Estados Unidos, França, UNIFIL e “Israel”.

O texto informa que, embora as tratativas entre o Líbano e “Israel” tenham sido tradicionalmente indiretas, reuniões recentes do comitê registraram encontros diretos entre representantes libaneses e israelenses, sob forte pressão norte-americana e em violação das leis libanesas.

Paralelamente, o Líbano vem sendo pressionado pelos EUA, a serviço de “Israel”, para desarmar integralmente o Hesbolá.

Desarmamento ao sul do Litani e impasse sobre a segunda fase

O Hesbolá foi em grande medida desarmado ao sul do rio Litani após o governo iniciar, no começo de 2025, a implementação da Resolução 1701, no marco do cessar-fogo de novembro de 2024, acordo que “Israel” se recusa a cumprir. No início de 2026, o governo libanês anunciou que a primeira fase do desarmamento ao sul do Litani havia sido concluída; “Israel”, contudo, declarou que as medidas estariam “longe de ser suficientes”.

A segunda fase, no entanto, prevê a entrega de armas ao norte do Litani e, posteriormente, em todo o território libanês. O Hesbolá rejeitou esse caminho. O partido afirma que pode discutir uma estratégia nacional de defesa, incluindo a incorporação de suas armas ao Estado para a proteção do país, mas recusa iniciar essas conversas enquanto “Israel” mantiver ataques diários e não retirar suas tropas de áreas ocupadas na fronteira.

Desde a trégua de 2024, mais de 300 pessoas foram assassinadas por ataques israelenses no Líbano, e ao menos duas dezenas de cidadãos libaneses permanecem em prisões de “Israel”.

“Israel” também tem ameaçado retomar uma guerra em grande escala contra todo o Líbano caso o Hesbolá não seja desarmado.

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